Ou se reabre a economia ou "daqui a 6 meses vamos todos morrer de fome," diz David Levine

Levine insistiu na necessidade de fazer regressar a atividade económica na videoconferência organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian sobre as Crises Sanitária, Económica e Política pós-Covid-19.

Na videoconferência organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian sobre as Crises Sanitária, Económica e Política pós-Covid-19, o economista David Levine, do Instituto Universitário Europeu, disse que depois de ajudar quem mais precisa no curto prazo, é urgente pôr a economia a andar; caso contrário vai ser tarde demais.

"Para mim, a verdadeira grande questão, ainda que seja importante apoiar as pessoas no curto prazo, é necessário fazer as pessoas regressar ao trabalho e pôr a economia a funcionar. Se mantivermos a economia fechada durante seis meses, não teremos mais de nos preocupar em apoiar as pessoas, porque já todos vamos morrer à fome. Temos que pôr as coisas a funcionar", explicou David Levine.

Num painel em que participaram os economistas portugueses Ricardo Reis (funcionamento do BCE e Banco Mundial no contexto da crise), Susana Peralta (as medidas do Governo português) e Fernando Alexandre (caracterização da crise), Levine insistiu na necessidade de fazer regressar a atividade económica.

"Há gente envolvida nisso e a trabalhar muito arduamente, para perceber como a economia pode reabrir em segurança assim que os níveis de infeção baixarem. Temos ideia de como o fazer porque Taiwan e a Coreia do Sul já o fizeram, temos que definir a política. Mas que política? Testar toda a gente todos os dias é impossível. Temos então de ter uma política mais simples e eficiente: testar algumas pessoas, precisamos saber quem está em maior risco, quem é que tem maior probabilidade de espalhar a infeção, e temos de o fazer agora! AGORA! Temos de reunir agora os dados para compreender quais são as áreas, onde está o risco, onde é que os testes são mais precisos. E isso não está a ser feito. Não está a ser feito nem pelos governos nem por ninguém. Estamos a tentar fazê-lo mas é muito difícil sem qualquer cooperação por parte das autoridades políticas", sublinhou o economista.

A conferência organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian incluiu também painéis dedicados à ciência e à política e teve o encerramento a cargo da presidente da Fundação Isabel Mota e do ex-ministro e presidente do comité científico Fórum Futuro, Miguel Poiares Maduro.

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