Estragos do furacão Lorenzo deixam Açores em crise energética

Governo regional fala em "sérias dificuldades na distribuição de combustíveis".

Os estragos que o furacão Lorenzo provocou no Porto das Lajes das Flores fizeram com que o Governo Regional dos Açores declarasse, esta quinta-feira, crise energética nas ilhas das Flores e Corvo. Neste momento não é possível abastecer de combustível estas duas ilhas do grupo Ocidental por via marítima.

O Governo Regional descreve "sérias dificuldades na distribuição de combustíveis nas Flores e no Corvo", por isso, durante todos este mês (até 31 de outubro), estão fixados limites ao abastecimento em postos de combustíveis.

Cada veículo ligeiro só pode abastecer diariamente 15 litros de gasolina ou gasóleo. Nas viaturas pesadas, o limite é de 20 litros.

As bombas de gasolina ainda ficam obrigadas a reservar 40% do combustível para uma lista que inclui veículos prioritários de proteção civil, de instituições sociais, reboques ou viaturas de transporte de leite e de alguns produtos agrícolas.

A secretária regional dos Transportes e Obras Públicas, Ana Cunha, revelou que, em maior ou menor grau, todas as infraestruturas portuárias foram atingidas pelo furacão. Nas Lajes das Flores, uma equipa de técnicos irá, esta quinta-feira, averiguar o que é necessário fazer para recuperar o porto.

"Vamos fazer uma análise da situação e limpeza da baía para ver se se consegue, de alguma forma, operar naquela infraestrutura, apesar de ser visivelmente bastante difícil, mas também estudar todas as alternativas para pôr o porto operacional, independentemente da grande obra a que terá de ser sujeito", explicou Ana Cunha à TSF.

O Governo Regional antecipa longos trabalhos de recuperação do Porto. O presidente da empresa que gere os portos dos Açores disse ao público que é preciso começar a pensar em construir um porto novo. Uma obra que custará dezenas de milhões de euros.

Autarquia garante que abastecimento não está comprometido

O presidente da Câmara Municipal das Lajes das Flores, Luís Maciel, afirma que o abastecimento de combustível à população no concelho não está em causa. Embora tenha sido estabelecido um limite de abastecimento para cada viatura, o autarca acredita que o combustível chegará para todos e adianta que estão a ser estudadas algumas alternativas.

"Penso que não estará em causa, nunca, o abastecimento à população, mas, obviamente que há aqui um constrangimento que tem de ser ultrapassado", admitiu Luís Maciel.

"Temos sempre a via áerea, que poderá ser reforçada, em caso de necessidade. Temos também algumas alternativas por via marítima", apontou o autarca, quando questionado sobre as solulções já equacionadas.

"Tem de ser analisada a capacidade de circulação de embarcações no porto das Lajes, para ver quando podemos restabelecer essa ligação e definir uma estratégia de abastecimento no mais curto prazo possível", referiu.

Para o presidente da Câmara das Lages das Flores, o limite de abastecimento designado tem apenas por objetivio "trazer alguma disciplina", de modo a "evitar situações de pânico ou tentativas de açambarcamento"

"Convém que haja regras para a gestão dos recursos ainda existentes na ilha. Desta forma, fica salvaguardado o abastecimento a toda a população e aos serviços essenciais", expressou.

Esta quinta-feira, os ministros da Economia e do Planeamento e das Infraestruturas vão estar nos Açores, em representação do priemiro-ministro, para reúnirem-se com as autoridades locais. À TSF, Luís Maciel revela que irá pedir aos governantes "uma avaliação das condições do porto - para que o abastecimento possa continuar a ser feito por via marítima - e fazer a reposição das estruturas danificadas pelo mau tempo, para voltarmos a ter um porto comercial a funcionar de forma regular".

Notícia atualizada às 11h45

*com Paula Dias, Cátia Carmo e Rita Carvalho Pereira

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