
Empresas pequenas são as mais afetadas pela falência da gigante britânica
Wolfgang Rattay/Reuters
Hoteleiros algarvios estimam dívida do operador turístico em 15 milhões de euros. Há empresas que não vão resistir ao colapso do grupo britânico.
Um mês depois de anunciada a falência da Thomas Cook, os hoteleiros algarvios já pegaram na máquina calculadora e fizeram todas as contas aos prejuízos.
"Chegámos a um montante da ordem dos 15 milhões de euros, envolvendo mais de 30 empresas, sendo que algumas têm mais do que um empreendimento", esclarece Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).
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Elidérico Viegas explica que, a somar a esta situação, ficou ainda por reaver a faturação de turistas que tinham marcado férias para os próximos meses e já não se irão deslocar para o Algarve. No rol dos empreendimentos turísticos, há hotéis que têm dívidas da Thomas Cook muito elevadas, sobretudo as grandes cadeias hoteleiras.
No entanto, é às empresas de menor dimensão que a falência do operador turístico britânico mais mossa fará. Na lista, incluem-se firmas que prestavam outros serviços, como é o caso da empresa de Carlos Gonçalves Luís. Efetuava transferes e excursões quase exclusivamente com turistas que vinham para o Algarve através da Thomas Cook. Ficou com uma dívida de 118 mil euros. Muito dinheiro para uma empresa pequena.
"Estamos a ponderar seriamente fechar a porta", lamenta Carlos Gonçalves Luís. Com o prejuízo," é muito difícil manter a estrutura" da empresa, que tem 11 trabalhadores.
Reaver a dívida através da massa falida da Thomas Cook será impossível e a linha de crédito de 150 milhões de euros disponibilizada pelo Governo, segundo este empresário, também não é alternativa. "Isso é um empréstimo sem juros que tem que ser pago", esclarece.