Imposto sobre bebidas açucaradas "funciona" e pode tornar Portugal um exemplo contra a obesidade

Os nutricionistas dão avaliação positiva ao "imposto Coca-Cola", que se iniciou em 2017, e acreditam que pode ser uma medida de saúde pública capaz de contrariar os índices de obesidade infantil.

A coordenadora do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável conclui que Imposto sobre as bebidas açucaradas está a ter impacto nos hábitos alimentares da população, especialmente entre crianças e jovens. Maria João Gregório analisa, em declarações à TSF, que se trata de "uma medida que tem mostrado, através dos estudos de avaliação que temos conduzido, que funciona e funcionou e tem funcionado na modulação do consumo alimentar dos portugueses, em particular junto dos mais jovens, crianças e adolescentes".

Maria João Gregório não tem dúvidas de que "esta pode ser uma medida de saúde pública efetiva para melhorar hábitos alimentares e ajudar na luta contra a obesidade e doenças associadas a hábitos alimentares inadequados".

Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, concorda que a medida foi positiva, mas lembra que há dois anos que não é feita uma avaliação do impacto. Por isso, a bastonária pede que seja realizado um novo inquérito aos hábitos alimentares dos portugueses.

"Se estas bebidas têm vindo a reduzir a quantidade de açúcar, o que é certo é que por este meio tem havido redução do consumo. (..) Poderemos dizer que esta medida estava a ser eficiente, tínhamos dados para isso e ela tem de voltar a ser avaliada. E é momento de voltarmos a avaliar os hábitos alimentares dos portugueses. Urge a realização de um novo inquérito alimentar nacional para desenharmos medidas para os hábitos alimentares dos portugueses neste momento em concreto."

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas elogia também a indústria, que tem vindo a reduzir o teor de açúcar nas bebidas.

A Associação Portuguesa de Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas (PROBEB), que representa os produtores, confirma que as bebidas têm cada vez menos açúcar. Francisco Mendonça, secretário-geral da associação, diz mesmo que o imposto tem tendência a tornar-se obsoleto.

"Entre 2017 e 2020 reduzimos mais de 10% [o teor de açúcar]. Foi uma aposta estratégica do setor no sentido de reformular produtos e incentivar opções com menos açúcar. Todos os anos há redução de açúcar nas bebidas, nalguns produtos, há transferências de consumo de umas categorias para as outras e tudo isso resulta num teor médio de açúcar mais reduzido. Acreditamos que um dia este imposto será obsoleto e não fará qualquer sentido."

João Breda, nutricionista português que trabalha na Organização Mundial de Saúde, destaca que esta pode ser mais uma das medidas a colocar Portugal como exemplo do combate à obesidade infantil. "Portugal investiu bastante em políticas relacionadas com a obesidade infantil. Já foi um dos países com prevalências mais elevadas e hoje em dia está a meio da tabela europeia. Há uma progressão muito positiva e várias vezes a OMS tem vindo a descrever o sucesso de Portugal nesta matéria. Normalmente nem nos pronunciamos muito sobre os resultados de políticas adotadas pelos países, mas neste caso há um sucesso muito claro."

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