Câmara de Sintra considera "intolerável" 57 supressões de comboios em dois dias

O presidente da Câmara de Sintra considera "intolerável" as 57 supressões de comboios na principal linha suburbana de Lisboa, que ocorreram em dois dias. O autarca recusa a atual política orçamental que trava a contratação de pessoal para manutenção do material, mas defende ministro das Infraestruturas e Habitação.

O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, caracteriza como "intolerável" o que está a acontecer em Sintra em matéria de transporte ferroviário. Na principal linha suburbana de Lisboa, houve 57 supressões de comboios nos últimos dois dias, o que significa "horas e horas de trabalho perdidas pelas pessoas nas estações".

A situação agrava-se com a introdução do passe único, que fez aumentar "substancialmente a procura", como explicou Basílio Horta à TSF. "Temos as estações apinhadas, comboios onde não se pode entrar. Temos conhecimento de que estão a tirar lugares dentro das carruagens", clarificou o autarca do concelho mais populoso do país, com cerca de 400 mil residentes.

O autarca foi perentório na deteção da fonte do problema: "Temos material circulante parado, porque não há mão-de-obra suficiente para repará-lo". Por isso, alegou que é "necessário recrutar mão-de-obra".

Após uma conversa com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, o presidente da Câmara eleito pelo PS posicionou-se a favor de Pedro Nuno Santos. "Eu falei hoje com o ministro Pedro Santos, e estou inteiramente solidário com ele", admitiu Basílio Horta.

"O que me disse o senhor ministro é que até se está a pagar horas extraordinárias, o que é mais caro do que recrutar pessoal", referiu o autarca que diz estar ao lado do ministro "num combate".

O clima de indignação por parte dos utentes é, por isso, compreendido pelo representante da Câmara de Sintra, mas a compreensão não é extensível a Mário Centeno: "Não é possível, segundo o Ministério das Finanças, estar a contratar pessoal para reparar esse material circulante".

Fonte oficial da CP - Comboios de Portugal confirmou à Lusa que na última segunda-feira foram suprimidos 20 comboios na Linha de Sintra, para reparação e manutenção e que, na terça-feira, não se realizaram 24 até meio da tarde, número que, entretanto, foi atualizado para o total de 57 supressões nos dois dias.

"Não é viável, não é possível, o senhor ministro tem a nossa inteira solidariedade para recrutar o pessoal necessário para a EMEF [Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário], para que o material circulante possa ser reparado, para obviar esta situação absolutamente impossível de manter", frisou o autarca.

Para Basílio Horta, além de, "nos dias de calor, as carruagens circularem sem ar condicionado", não é possível "manter os serviços públicos" nesta situação.

O autarca apelou ainda ao "bom senso para que as coisas se resolvam rapidamente", que implica entender que há cortes que não podem ser feitos. "Uma coisa é ter contas certas, outra coisa é ter contas sérias à custa de sacrifícios enormes que se pedem às populações", concluiu Basílio Horta.

Fonte oficial da CP assegurou na terça-feira que "a CP e a EMEF estão a trabalhar para que, no mais breve espaço de tempo possível, sejam repostos os níveis de disponibilidade do material circulante, o que deverá ocorrer nos próximos dias".

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