Costa falha o alvo ao apontar para idosos? "Temos 22% de crianças pobres"

Uma medida eleitoralista. É assim que o líder da Rede Europeia Anti-pobreza em Portugal vê a proposta do primeiro-ministro de elevar o complemento solidário para idosos até ao limiar da pobreza. À TSF, Jardim Moreira explica que Costa falhou o foco.

Jardim Moreira, líder da Rede Europeia Anti-pobreza em Portugal, acredita que António Costa falhou o alvo quando manifestou querer erradicar a pobreza na próxima legislatura, a começar pelos idosos. Na perspetiva do padre, esse trabalho tem de iniciar-se junto dos mais novos, grupo mais afetado pela pobreza.

"É necessário ver que a percentagem maior de pobreza se situa na infância, porque temos 22% de crianças pobres, e os idosos não são o grupo mais pobre, nem é o maior. Por outro lado, é o mais sensível em termos emocionais. Mas a causa principal está noutro sítio", apontou Jardim Moreira, ouvido pela TSF.

De acordo com o representante português da Rede Europeia Anti-pobreza, "não se consegue [erradicar a pobreza com esta medida]". "As causas estão fundamentalmente na família, nas crianças, nos trabalhos de longa duração, e outro foco são as mães solteiras", fundamentou.

Por estes motivos, o líder da Rede Europeia Anti-pobreza em Portugal olha para a proposta lançada este domingo por António Costa na Guarda, numa ação de pré-campanha, como uma medida de oportunidade eleitoral: "Normalmente o 'politiquês' perpetua que o pobre quer é subsídios, em vez de retirar as pessoas da sua situação de dependência de rendimentos. Se se pretende atingir a erradicação da pobreza, esta medida parece ser eleitoralista."

"Precisamos de propor - e nós temos uma proposta de âmbito nacional -, porque só com respostas estruturais e multidimensionais conseguimos atingir estes objetivos", concluiu ainda Jardim Moreira.

No mesmo plano, o presidente da Cáritas Portuguesa saúda o propósito anunciado por António Costa de erradicar a pobreza, mas considera que é preciso não olhar apenas para os idosos. Eugénio da Fonseca lembra que há outras faixas da população atingidas de modo significativo, sobretudo as crianças. O presidente da Cáritas em Portugal assinala ainda que, no caso dos idosos, seria melhor aumentar as pensões do que elevar um subsídio.

"Gostaria de, mais do ver um complemento solidário para idosos, assistir a um aumento real das pensões de reforma. Eu não sei quais são as conveniências existentes em termos contabilísticos de criar um subsídio que amanhã pode vir a ser retirado", refere Eugénio da Fonseca, em declarações à TSF. "Devia ser efetuada uma melhoria das pensões da reforma, e não a partir de subsídios que são, muitas vezes, conjunturais."

Eugénio da Fonseca acrescenta que a questão do combate à pobreza deveria ser alvo de um pacto de regime entre os diversos partidos, e sugere que este passe a ser um assunto sob a alçada direta do primeiro-ministro: "Muitas vezes, fiz essa pressão sobre o Ministério do Trabalho, da Segurança Social e da Solidariedade."

Para o líder da organização, esta deveria impor-se como uma "intervenção multifacetada, no campo da justiça, da educação, da economia e das finanças, que o primeiro-ministro deveria chamar até si, e que fosse coordenada a partir do Conselho de Ministros".

Notícia atualizada às 11h24

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