Na comissão é que está o ganho. Bancos encaixaram 440 milhões em 2019

Os quatro maiores bancos portugueses já ganharam, este ano, mais de 440 milhões de euros em comissões. Só a Caixa Geral de Depósitos conseguiu mais 5% do que no mesmo período do ano passado.

O primeiro trimestre do ano foi lucrativo para a atividade bancária no domínio das receitas provenientes de comissões. E a Caixa Geral de Depósitos atualiza esta quarta-feira a sua tabela de preços de comissões.

Entre os quatro maiores bancos, só o BPI viu descer em 8% as receitas com comissões, que foram, entre janeiro e março, cerca de 60 milhões de euros. O Millennium BCP teve a particularidade de, no mercado português, ter arrecadado mais 1,7% em comissões, embora os números globais (que incluem a Polónia) apontem para uma quebra destas receitas que se situaram em 166 milhões de euros.

As receitas de comissionamento dizem respeito a dois tipos de serviços: os serviços mais diretamente relacionados com a banca tradicional (abertura de processos de crédito, aberturas de conta e transferências) e os serviços relacionados com atividade de mercados financeiros (operações em bolsa, comissões de corretagem e gestão de ativos, entre outros), por isso, para os bancos, com uma atividade de milhões, é residual o tipo de comissões aplicado à atividade do dia-a-dia dos clientes.

No entanto, essas comissões pesam nas contas dos clientes no final do mês ou no final do ano. Para estar informado acerca do tipo de comissões que são aplicadas, existe um comparador disponibilizado pelo Banco de Portugal, que tem atualizado os preçários de todos os Bancos com atividade no país.

CGD cobra 2,75 € por levantamentos ao balcão

Através do comparador, podemos perceber que o Novo Banco leva mais de 12 euros para levantamentos ao balcão. Já os clientes da Caixa Geral de Depósitos com caderneta pagavam um euro - mas, de acordo com o novo preçário, a partir desta quarta-feira, o preço passa a ser de 2,75 euros por cada levantamento ao balcão do banco. Um aumento de 175%, apesar da Caixa continuar a ser a instituição que menos penaliza os clientes nos levantamentos ao balcão.

Já para a chamada manutenção da conta à ordem, o BPI recebe 3,75 euros, e há quem faça depender os valores a pagar do montante em depósitos ou da domiciliação do ordenado; por exemplo, o Banco Montepio isenta o pagamento de manutenção da conta à ordem para depósitos acima de 5 mil euros.

Há Bancos, como a Caixa Geral de Depósitos, que já têm no preçário os custos do MB Way, embora a Caixa continue sem aplicar a comissão e outros, como o Santander Totta, que ainda não anunciaram o preçário, mas já avisaram que vão começar a cobrar o serviço. Existem casos, como o Montepio, que deixam um aviso: "Até 31 de dezembro de 2019, as transferências Instantâneas MB Way estão isentas de comissões"; depois, passam a custar 20 cêntimos.

MB Way

Os bancos dizem que querem ter os clientes a utilizar as aplicações móveis nativas dos próprios bancos e por isso penalizam as apps de terceiros.

Face a esta situação, num serviço que alcançou 1,3 milhões de utilizadores, o Banco de Portugal emitiu um comunicado onde explica que "a lei não proíbe a cobrança de comissões pela realização de transferências através do MB Way. No entanto, a eventual aplicação dessas comissões deve estar refletida nos preçários das instituições".

O Banco de Portugal lembra que "para poder utilizar o MB Way, o cliente bancário tem necessariamente de descarregar a respetiva App e associar um cartão de pagamento emitido por uma instituição que tenha aderido a esta solução".

Por isso, a Associação de Defesa do Consumidor, DECO, acusa os bancos de estarem a duplicar custos porque "A app MB Way requer a existência de um cartão bancário, que já tem comissões associadas".

Além disso, "esta aplicação replica a utilização do Multibanco no telemóvel, onde a cobrança de comissões pelas operações realizadas está proibida", argumenta a DECO.

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