ISEG prevê recessão de 4 a 8% para Portugal

Instituto Superior de Economia e Gestão considera dois cenários para a crise.

O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) estima uma recessão de 4% a 8% em 2020. A instituição de ensino considera que "em face do condicionamento da atividade económica, e na expectativa de que a fase mais restritiva não exceda os dois meses e de um posterior retomar gradual da atividade económica, o ISEG assume como valores indicativos para o crescimento do PIB em 2020 o intervalo -4% a -8%".

O intervalo de recuo de 4 a 8% do PIB assume dois cenários. O primeiro assume "uma evolução menos penalizadora para a atividade económica em que as maiores restrições durarão cerca de dois meses com gradual relaxamento das restrições e regresso ao funcionamento das atividades encerradas nos meses posteriores", enquanto o segundo admite "uma evolução mais duradoura da fase mais restritiva, ou uma abertura mais lenta das atividades económicas agora encerradas".

O ISEG realça que "a duração da fase mais restritiva necessária à contenção e controlo da epidemia será fator determinante da maior ou menor profundidade da crise económica" e considera que "o trimestre em que se espera maior contração é o 2º, após o que se projeta uma progressiva recuperação, trimestre a trimestre", mas "não se consideram muito prováveis crescimentos homólogos positivos até ao final do ano".

Os peritos avisam que "a atual crise começa por restrições de oferta que se irão transformar, muito rapidamente, devido ao desemprego e queda de rendimentos, numa crise de procura".

Essa, por sua vez, "poderá ser mais ou menos profunda e duradoura consoante a política económica que venha a ser implementada para essa fase e a dinâmica de recuperação da confiança dos agentes económicos".

Na Síntese de Conjuntura de março, o ISEG sublinha que "os indicadores de confiança relativos a março não refletem inteiramente o impacto da pandemia em curso sobre a atividade económica devido à rapidez com que a situação evoluiu" e realça "que, na fase inicial da recessão em curso, o setor dos Serviços é o mais atingido e o setor da Construção o mais resistente".

Na análise publicada hoje, o ISEG lembra ainda que a retoma portuguesa não depende apenas do país: "a saída mais ou menos rápida da presente emergência também irá depender da forma como os outros países da União Europeia e nossos principais parceiros económicos o fizerem" dado que existe "interdependência das cadeias produtivas" e uma "dependência de muita da nossa atividade da procura externa, e do turismo".

"Os desenvolvimentos nos mercados financeiros e a política europeia e da Área Euro de apoio ao financiamento dos défices voltará a ter um papel determinante e poderá condicionar mais ou menos fortemente o ritmo da retoma", lê-se no documento.

Ainda assim, o relatório admite que o primeiro trimestre pode não ter sido muito afetado pela crise: "os indicadores parciais disponíveis sugerem que nos dois primeiros meses a economia não terá crescido menos do que no trimestre anterior", dado que "com a queda esperada em março, o 1º trimestre deverá ter registado uma variação homóloga em torno de zero".

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