Rendeiro diz que só regressa se for ilibado ou com indulto. Marcelo já respondeu

Ex-banqueiro está em fuga à justiça e afirma que é um "poderoso fraco". "Já é tarde", responde o Presidente.

O ex-presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro disse que só regressa a Portugal "se for ilibado ou com indulto do Presidente [da República]", numa entrevista ao canal CNN Portugal, que arranca esta segunda-feira.

João Rendeiro convoca Marcelo Rebelo de Sousa, ao citar a possibilidade de um indulto presidencial, mesmo admitindo ser "quase impossível".

A concessão de indultos de penas é uma competência exclusiva do Presidente da República, que decide após uma audição prévia do Governo, de acordo com os poderes previstos na Constituição da República.

À CNN Portugal, o antigo presidente do BPP considerou-se injustiçado e comparou o seu caso com o do antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) Ricardo Salgado, que disse estar "protegido pelo sistema".

"Como nunca paguei nada a ninguém e não tenho segredos de Estado, sou um poderoso fraco." Salgado "segue com a sua vida tranquila em Lisboa", disse na entrevista que foi feita em colaboração com o jornal Tal e Qual.

O paradeiro de João Rendeiro permanece desconhecido, adiantando que o ex-banqueiro foi entrevistado "à distância e através de tecnologias" escolhidas "para proteger rastos de localização".

"Já é tarde", diz Marcelo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já reagiu às palavras de Rendeiro. Questionado sobre o pedido de indulto, o chefe de Estado diz que agora já é tarde.

"O indulto tem de ser pedido pelo próprio até 30 de julho. Já passou. E depois tem de ter acompanhado o processo pelo Tribunal de Execução de Penas, passa por pareceres vários, pela ministra da Justiça e pelo Presidente. Já é tarde, estamos em novembro", disse.

O antigo presidente do BPP, condenado no final de setembro a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, está em parte incerta após ter fugido à justiça.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como processos relacionados com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de