Lisboa e Porto já têm mais motoristas da Uber do que taxistas. Começam a faltar clientes

Motoristas TVDE pedem limites. Na região de Lisboa, o número de motoristas TVDE é 32% superior aos taxistas e no Porto a diferença é de 18%.

Os distritos de Lisboa e do Porto já têm mais motoristas de Transportes de Passageiros em Viaturas Ligeiras Descaracterizados (TVDE) que motoristas de táxi. Os números enviados à TSF pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) revelam que o total do país contínua a ter mais taxistas (25.677) que motoristas TVDE (23.167), mas essa distribuição está longe de ser proporcional, invertendo-se o cenário nas grandes cidades.

Aliás, mais de metade dos motoristas TVDE concentram-se no distrito de Lisboa: 12.436, mais 32% que os 9.427 motoristas com certificados para conduzir táxi.

Os dados, referentes ao final de janeiro, revelam ainda que no distrito do Porto a situação é semelhante: 3.927 motoristas TVDE contra 3,322 motoristas de táxi.

Além da mais conhecida Uber, o IMT adianta que tem mais sete operadoras de plataformas de TVDE: Bolt, Cabify, Kapten, Its my ride, Vemja, Biguride e Bora.

Motoristas trabalham "em cima do cliente"

O Sindicato dos Motoristas TVDE adianta à TSF que não fica surpreendido com os números revelados: "O mercado está liberalizado e não se pode fazer nada enquanto a lei não for mudada, mas vemos isto com preocupação".

"Não é bom para ninguém, sobretudo para os motoristas, pois haverá mais carros que clientes", afirma António Fernandes, dirigente sindical.

"Sem dúvida que já há carros e motoristas TVDE a mais e estamos a trabalhar quase em cima do cliente. Com a quantidade de carros disponíveis, as viagens reduzem-se, já havendo demasiadas viaturas para tão poucos clientes, sendo preciso regular o mercado que na prática não está a funcionar".

O representante de quem conduz os TVDE diz que é, no entanto, normal que as plataformas continuem a dizer que não querem qualquer limite ao número de carros pois "quanto mais motoristas existirem menos tempo espera o cliente...".

O rendimento de quem conduz um TVDE é que não para de cair e "alguns motoristas, em jeito de brincadeira, costumam dizer que quando éramos ilegais tínhamos mais rendimentos do que hoje".

Taxistas falam em capitalismo selvagem

O presidente da Federação Portuguesa do Táxi diz que estes novos números do IMT vêm confirmar aquilo que denunciam há muito tempo: o crescimento dos TVDE está fora de controlo, sublinhando que além destes números oficiais há motoristas que nem sequer estão legalizados.

"Nós, os táxis, estamos onde eles não querem estar, pois concentram-se onde há mais procura, em Lisboa e Porto", refere Carlos Ramos, defendendo que a lei que legalizou os TVDE "criou um monstro" e que é preciso criar limites ao número de carros deste tipo que podem circular em cada concelho, à semelhança do que já existe para os táxis.

Para os taxistas as consequências sentem-se nos rendimentos ao fim do mês.

"Aquilo que tem equilibrado é o muito turismo, mas já está a sentir-se desde novembro com quebras no setor na ordem dos 40%. Estamos a trabalhar como a formiga, aquilo que foi poupado nos meses de verão para aguentar durante este tempo", afirma o presidente da Federação Portuguesa do Táxi. "Isto está mesmo, mesmo mau."

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