Novo Banco: "Houve falha de comunicação com o primeiro-ministro"

Mário Centeno admite uma falha de comunicação no caso da injeção no Novo Banco mas garante que não houve falha financeira. Ministro garante que relação com António Costa não foi abalada.

O ministro das Finanças admite uma falha de comunicação no caso da injeção de 850 milhões no Novo Banco. No parlamento, António Costa pediu desculpa ao Bloco de Esquerda por ter afirmado que a injeção só aconteceria depois de serem conhecidos os resultados da auditoria à instituição quando final a transferência já tinha sido feita.

Em entrevista à TSF, Mário Centeno admitiu que "terá havido uma falha de comunicação entre o ministério das Finanças e o primeiro-ministro no debate quinzenal", mas garantiu que "não houve nenhuma falha financeira nem nenhum incumprimento".

O ministro sublinha que "se uma falha de comunicação é simples de assumir e corrigir, já a falha financeira e de incumprimento teria um caráter desastroso para o sistema financeiro e o sistema bancário e levaria a um atraso na recuperação da confiança da economia".

O governante esclareceu que "ninguém faz injeções de capital no Novo Banco sem auditorias. No plural. Há múltiplos níveis de validação da operação do Novo Banco na auditoria externa, na comissão de acompanhamento, na regulação do Banco Central Europeu".

Mário Centeno sublinha que se trata de "um empréstimo, não é uma transferência, não é uma despesa no sentido clássico do termo e a vai ser paga pelas contribuições para o Fundo de Resolução do sistema bancário ao longo de um período longo de tempo. A auditoria é adicional e retrospetiva".

O responsável pelas Finanças entende que quando falou sobre o tema no parlamento, Costa "estava a referir se às múltiplas auditorias que são feitas para as injeções de capital. Aquilo que acontece com esta auditoria em particular é uma auditoria que foi lançada o ano passado e ela não é específica do Novo Banco. Ela aliás decorre da lei que diz sinteticamente que sempre que houver injeção de capital numa instituição financeira, é obrigatório auditar as operações que justificaram essa injeção de capital" e admite que "no momento em que o primeiro-ministro respondeu ao Bloco de Esquerda não tinha a informação de que a injeção de capital aconteceu no dia anterior e é a essa dimensão que o pedido desculpas se deve".

Nada que abale a relação entre os dois, garante. "Este ministro de Finanças e este primeiro-ministro têm a relação institucional mais longa da democracia portuguesa".

Centeno não pediu no entanto, desculpa a António Costa: "não temos que pedir desculpa por trabalhar em conjunto. Isso era virar o mundo ao contrário".

"A minha relação política com o primeiro-ministro, aliás, como com todos os membros do Governo e com a Assembleia da República e todos os outros órgãos de soberania é de total transparência e uma enorme lealdade e portanto não vejo nenhum sinal de que possa ter sido abalada", garante.

Entrevista a Mário Centeno conduzida por Anselmo Crespo

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