Procura-se notas de escudo. Três em cada quatro desapareceram

Em 2002, quando foram substituídas pelo euro, existiam 15 milhões de notas de escudo. Quase 20 anos depois, foram entregues apenas 4 milhões no Banco de Portugal.

Debaixo de colchões, perdidas em fundos de gavetas, destruídas ou guardadas como lembrança, três em cada quatro notas de escudo que estavam em circulação nos derradeiros dias de vida da divisa nacional nunca regressaram ao Banco de Portugal (BdP).

A introdução das notas e moedas de euros aconteceu no início de 2002. A moeda europeia conviveu durante dois meses com a nacional, que perdeu validade a 1 de março desse ano. Nesse momento , informa o BdP no boletim "Notas e Moedas", existiam 15,1 milhões de notas de escudo em circulação, no valor de 158,6 milhões de euros. Quase 20 anos depois, regressaram aos cofres do banco central apenas 24% dos papéis, e 40% do valor.

Contas feitas, ainda podem ser trocadas cerca de 11 milhões de notas de escudo, no valor global de 95 milhões de euros. Mais de um terço das notas desaparecidas são de 5 mil escudos.

As notas podem ser trocadas até 28 de fevereiro de 2022 presencialmente, nas tesourarias do Banco de Portugal ou por correio registado, seguindo as instruções descritas no site do Banco de Portugal.

As notas em fuga são as da última emissão de notas de escudo, a "série dos Descobrimentos". Nos papéis estão representadas figuras maiores da história lusa dessa época: o Infante D. Henrique nas de 10.000 escudos (equivalente a cerca de 50 euros), Vasco da Gama nas de cinco contos (25 euros), Bartolomeu Dias nas de 2.000 escudos (10 euros), Pedro Álvares Cabral nas notas de um milhar de escudos (5 euros) e João de Barros (autor de crónicas históricas sobre os Descobrimentos) nas de 500 escudos - o equivalente a cerca de 2,5 euros.

A taxa de câmbio fixada no final do século XX determinou que um euro vale 200,482 escudos.

Contrafação de notas de euro em queda

No documento o banco central informa também que em 2020 apreendeu 12 mil notas de euro contrafeitas, o que representa uma queda face a 2019: "seguindo a tendência verificada desde o início da pandemia, verificou-se, em 2020, um decréscimo do número de contrafações de notas de euro apreendidas em circulação (de 26,4% em Portugal e 20,1% no Eurosistema).

A queda resulta "também do desmantelamento, concretizado durante o período em análise, de gráficas ilegais responsáveis pela produção e distribuição de contrafações a nível europeu".

Moedas de euro são sobretudo estrangeiras

As moedas de euro em circulação em Portugal são, na maior parte, estrangeiras: as de face nacional valem cerca de 38% do total. E quanto maior o valor, menor a quantidade relativa de moedas de face portuguesa. As de dois euros são o caso extremo: Portugal é o quarto país mais representado (12,2% do total), sendo ultrapassado por Espanha (20,4%), França (20,6%), e Alemanha (22,7%). Na zona euro estes países são os principais emissores do turismo nacional.

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