Resultados dos bancos condicionados pelas moratórias da pandemia

Os quatro principais bancos portugueses podem vir a ter mais de 50% de quebras nos lucros. Arranca hoje uma semana de divulgação dos resultados das contas dos bancos em Portugal respeitantes ao terceiro trimestre do ano.

É sabido que os meses de verão são sempre piores para a atividade bancária e por isso os resultados negativos do primeiro semestre vão-se acentuar.

O Millienium BCP é o primeiro (esta quinta-feira) a apresentar resultados dos primeiros nove meses do ano e o analista da corretora Infinox Capital Portugal, Pedro Amorim, estima que "O BCP poderá cair 75% dos lucros".

Devido à pandemia os quatro maiores bancos em Portugal registaram no fim do primeiro semestre quebras nos lucros entre os 37% e os 68%.

Longe dos lucros tem estado o Novo Banco que, na última apresentação de resultados, há três meses (a meio do ano) somava um resultado negativo de -555 milhões de euros, que compara com -400 milhões de euros do primeiro semestre de 2019.

Importa agora ver como vão sair as contas até setembro, até porque há três meses este prejuízo do Novo Banco obrigou a instituição liderada por António Ramalho a solicitar um montante de 176 milhões de euros ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente, o mesmo é dizer do Fundo de Resolução.

Assim, para o conjunto da banca, os resultados do terceiro trimestre deverão seguir a tendência dos primeiros seis meses do ano acentuando ainda mais os efeitos marcantes da pandemia da covid-19.

Neste quadro vamos ver além da queda dos lucros o reforço das provisões, sobretudo devido às moratórias que o Governo fez prolongar até setembro de 2021 mas que, na opinião do analista de mercado Pedro Amorim, deveriam ser prolongadas por mais tempo.

"As moratórias têm que ser estendidas, provavelmente até 2023, porque não há condições para retomar. No momento em que houver o fim legal das moratórias poderia significar que alguns bancos iriam mesmo à falência", explica.

Portugal já tem 22% do crédito sob o chapéu das moratórias que estão a ser colocadas na contabilidade dos bancos como provisões "e essa provisão vai penalizar os resultados. Agora se essa provisão (percentagem) passar de real a prejuízo, poderia dizer que dois bancos em Portugal iriam à falência facilmente".

O analista de mercado Pedro Amorim não pode dizer quais são estas instituições mas esta seria uma situação extrema caso as moratórias se transformem em crédito malparado.

A instituição com maior percentagem de moratórias face à carteira de créditos é o Novo Banco, com 25,4% e um montante de 6,8 mil milhões de euros.

Para o analista da corretora Infinox Capital Portugal, Pedro Amorim, os primeiros nove meses do ano "serão em linha com os resultados do trimestre passado que continuam os resultados negativos no setor bancário nacional" e até ao final do ano não se espera nenhuma recuperação.

"O impacto no final do ano vai ser negativo, sem dúvida. Vamos ter prejuízos. Todo o setor bancário europeu vai enfrentar uma pressão vendedora, isto é, resultados negativos que vão levar há reflexão do regulador europeu e nacional sobre aquilo que irá fazer", sublinha Pedro Amorim.

Para o analista vai ser preciso estar atento à carteira de crédito malparado dentro dos bancos. Segundo os últimos dados da Associação Portuguesa de Bancos (APB), as imparidades em percentagem do produto bancário passaram de 16,3% no primeiro semestre de 2019 para 25,7% nos primeiros seis meses de 2020.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

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