Aumentos salariais. Sindicatos dizem que proposta do Governo "fica abaixo dos valores da inflação"

FESAP e Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado afirmam que proposta do Governo fica abaixo das suas exigências.

José Abraão, o secretário-geral da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), ainda aguarda para ver os detalhes mas, pelo que já sabe, a proposta do Governo é curta.

"Fica abaixo dos valores da inflação e aumentos de 2%, em alguns casos, são naturalmente incompreensíveis, como é óbvio. Por aquilo que percebemos até agora, há questões por ver, nomeadamente a questão do subsídio de refeição. Há aqui áreas que vão de encontro às reivindicações que têm sido feitas pela FESAP, como a questão de olhar para as carreiras gerais, para os assistentes operacionais e para os assistentes técnicos", defende à TSF José Abraão.

Com a proposta do Governo, o salário mínimo na função pública passa para 761 euros, abaixo das exigências da FESAP.

"A FESAP fez uma proposta de, pelo menos, 775 euros, mas que também contemple a atividade dos trabalhadores, de modo a que não haja trabalhadores com 35 anos de serviço a ganhar o salário mínimo. Olhar também, de algum modo, para a classe média porque os valores que estão em cima da mesa não resolvem o problema de milhares de trabalhadores que só pela alteração dos juros aos empréstimos bancários, nomeadamente para a habitação, o aumento que estará nesta proposta será absorvido", explicou o secretário-geral da FESAP.

O sindicalista questiona um outro aspeto: é preciso perceber o impacto que este aumento terá no IRS e acredita que as negociações ainda podem mudar esta proposta do Governo.

"Quando se diz que os trabalhadores terão 52 euros por ano é preciso também ver a carga fiscal e que mexidas vai ter no IRS, de modo a que mesmo a proposta que está em cima da mesa não acabe por resultar em aumentos pequenos, como aconteceu, por exemplo, quando se mexeu na carreira de técnico superior ou de assistente técnico", avisou José Abraão.

Helena Rodrigues, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, já foi recebida esta segunda-feira de manhã pelo Governo e não está satisfeita.

"O nosso caderno reivindicativo foi de uma atualização salarial nunca abaixo de 7%. Aquilo que vai é de 8%, mas o que o Governo nos apresenta não é de 8% de todos os trabalhadores. Portanto, fica abaixo", afirmou Helena Rodrigues em declarações à SIC Notícias.

Para a responsável, esta proposta do Governo afirma ainda 17% dos funcionários públicos com aumentos abaixo da inflação, de 2%, e considera que o Governo podia fazer melhor.

"Pensávamos que o Governo conseguiria fazer melhor e que neste momento tem recursos e possibilidade de o fazer. Não está limitado, em 2023, ao cumprimento e o défice acima daquilo que está convencionado tratado também pode não ser observado porque assim o dispensou a União Europeia. Portanto entendemos que este era o momento para fazer diferente", acrescentou a presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.

A TSF está a tentar ouvir também a CGTP e a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, que faz parte da intersindical, mas ainda não foi possível.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de