"Temos de procurar soluções." Embargo do trigo na Índia deve levar a subida de preços para Portugal

Agricultores e indústria da panificação defendem que é preciso encontrar alternativas e alterar políticas de produção.

A Associação do Comércio e da Indústria de Panificação Pastelaria e Similares (ACIP) e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) estão preocupados com o impacto do embargo da Índia às exportações de trigo. A decisão de Nova Deli levou o cereal a atingir ontem um valor recorde no mercado europeu, com a tonelada a chegar aos 438,25 euros.

Em declarações à TSF, Hélder Pires, da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação Pastelaria e Similares, não duvida de que o aumento da procura causado pelo embargo da Índia leve a um aumento dos preços das farinhas e outros produtos.

"Maioritariamente, o trigo que consumimos em Portugal vem de França. Esta situação, possivelmente, irá provocar pressão na procura e, consequentemente, fará aumentar os preços do trigo", prevê Hélder Pires, considerando que a indústria poderá ter de recorrer a "mercados mais distantes, como, por exemplo, a Austrália", o que significa maiores encargos logísticos.

O representante da associação lembra, contudo, que a situação na Índia pode ser "extensível a outros países" e, por isso, nesta fase, o mais importante é conseguir garantir que o pais é abastecido com regularidade. Uma posição partilhada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), com Eduardo Oliveira e Sousa a afirmar que o embargo da Índia obrigará o mundo a procurar fornecedores alternativos.

De acordo com o presidente da confederação, no caso de Portugal, que está integrado na União Europeia, é preciso uma revisão das "medidas restritivas relacionadas com a Política Agrícola Comum", de forma a "incentivar o cultivo de cereais", pelo menos "durante esta fase transitória".

"Não há soluções milagrosas porque o ciclo dos cereais não é alterável, têm de ser semeados na altura própria, têm de ser colhidos na altura própria,... A natureza tem o seu ciclo, que não é compatível com uma emergência de velocidade", afirma Eduardo Oliveira e Sousa. "Temos de procurar soluções com as ferramentas de que dispomos."

O presidente da CAP defende ainda que o Governo português tem de "proporcionar aos agricultores condições para poderem produzir aquilo que, neste momento, não podem produzir, fruto dessa não competitividade, aproximando o valor dos custos de produção do dos seus principais concorrentes, como são os espanhóis".

Eduardo Oliveira e Sousa considera também que é necessário começar a pensar em alternativas mesmo na composição do pão. "Outras farinhas, com outros cereais e com outros produtos que não cereais", aponta. "Ir à procura, no mercado, de quais são os produtos farináveis que possam incorporar uma farinha salutar, que não perca qualidade alimentar, mas que possa obviar a carência que, obviamente, vai existir neste mercado, que está perturbado, alterado", sustenta.

O preço do trigo tem aumentado desde o início da invasão russa da Ucrânia - país que garantia garante 12% das exportações mundiais de cereais -, incorporando também os riscos atuais de seca no sul dos EUA e Europa Ocidental.

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