Valor a injetar na TAP deve rondar os mil milhões de euros

Ainda não há um número fechado, mas as estimativas dos dois lados da negociação apontam para um número desta ordem de grandeza. De que forma será injetado este dinheiro é outra das dúvidas que ainda não tem resposta final.

Depois do tom aguerrido do ministro Pedro Nuno Santos no Parlamento, "o espírito é agora mais positivo", relata fonte próxima das negociações à TSF. Nas últimas duas semanas, Estado e acionistas privados da TAP estiveram sentados à mesa à procura de uma solução que permita salvar a companhia aérea da crise para onde a pandemia do novo coronavírus a atirou. Depois das primeiras reuniões, que serviram sobretudo para pedir elementos, esta semana decorreram novas reuniões entre o Estado e a Comissão Executiva e o ambiente parece agora mais pacificado.

Mas a pergunta mantém-se: de quanto precisa a TAP? Ainda não há um número fechado, nem tão pouco uma solução definitiva. Mas já se começam a ver as luzes da pista para uma aterragem segura. Ao que a TSF apurou a métrica não deverá ser muito diferente da que tem sido aplicada por outros países europeus que já foram em auxílio às suas companhias aéreas: um rácio entre o número de aviões e o número de passageiros transportados em 2019.

A Swiss Air, por exemplo, que tem 107 aviões e transportou mais de 21,5 milhões de passageiros o ano passado, recebeu ajudas públicas no valor de 1400 milhões de euros. A Ibéria, que tem a mesma frota (107 aviões) e transportou quase 22.5 milhões de passageiros em 2019, teve uma injeção de capital no valor de 750 milhões de euros. Ora, tendo em conta que a TAP tem uma frota de 105 aviões e transportou o ano passado 17,1 milhões de passageiros, o número que paira na cabeça de ambos os lados da negociação ronda os mil milhões de euros, podendo até ser ligeiramente superior. Desejavelmente, não muito superior.

A segunda grande questão prende-se com a forma como este dinheiro pode vir a ser injetado na TAP. Afastado, para já, parece estar um aumento de capital em parcelas iguais entre os acionistas privados e o Estado, a única solução que não carecia de aprovação de Bruxelas. Ao que a TSF apurou, nem David Neeleman nem Humberto Pedrosa demonstraram até ao momento qualquer disponibilidade para o fazerem. E, assim sendo, restam três opções: um apoio temporário, que é essencialmente dívida privada com garantias do estado até 90%. A chamada compensação de danos - onde o Estado pode garantir até 100% -, ou um apoio de emergência que implica necessariamente uma reestruração da empresa.

Ao que a TSF apurou o cenário que mais agrada aos acionistas privados é o da compensação de danos. Mas esta é, precisamente, uma das discussões que ainda não está fechada. Para Bruxelas seguiram um conjunto de perguntas que pretendem clarificar cada um dos cenários possíveis, sobretudo aqueles que fazem depender as ajudas de Estado de uma reestruturação da empresa. Em que moldes, com que consequências são dúvidas que precisam de resposta para que possa ser tomada uma decisão final.

Independentemente do cenário escolhido - um empréstimo público ou um empréstimo privado garantido pelo Estado -, em caso de incumprimento por parte da TAP, esses empréstimos devem converter-se em ações do Estado. Afastados, para já, parecem estar os cenários de uma nacionalização ou mesmo o da insolvência, enunciado pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, esta semana no Parlamento.

O problema é que o tempo não corre a favor. Com os aviões no chão, a TAP está numa situação financeira muito difícil e os alarmes só ainda não começaram a tocar porque a empresa tem estado a adiar pagamentos a fornecedores. A solução para salvar a companhia aérea terá que ficar fechada durante o mês de junho, mais cedo do que tarde, caso contrário poderá ser tarde demais.

Reestruturação é inevitável

Mesmo que não fosse necessário qualquer apoio do Estado, a TAP necessitaria sempre de uma reestruturação. É, pelo menos, essa a convicção geral, quer do lado do Estado quer do lado dos privados. Até porque, ninguém consegue antecipar quanto tempo o setor da aviação vai demorar a recuperar da pandemia do novo coronavírus e quando é que os passageiros vão voltar a ter confiança para viajar. O que significa que a TAP - como todas as companhias aéreas - precisará de repensar rotas, aviões e, eventualmente, o número de trabalhadores.

Assim, qualquer que seja o cenário escolhido para ajudar a companhia aérea, a reestruturação da empresa é dada como certa, mas antes há uma pergunta que precisa de ser respondida: que TAP queremos para Portugal? Com que dimensão? Com que objetivos estratégicos?

As respostas a estas perguntas serão fundamentais para planificar uma reestruturação da empresa e implicam o desenho de um novo plano estratégico, já que o que está em vigor tinha como prazo de validade 2020.

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