"Informei o presidente do partido por carta." Ana Rita Bessa esclarece pedido de renúncia

A centrista Ana Rita Bessa revela na TSF que não obteve resposta pessoal por parte Francisco Rodrigues dos Santos relativamente à sua renúncia, apenas através da entrevista do presidente do partido ao semanário Expresso.

Ana Rita Bessa garantiu, esta sexta-feira, que apresentou o pedido de renúncia ao presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, através de uma carta escrita e não por SMS. Francisco Rodrigues dos Santos lamentou, em entrevista ao semanário Expresso, que Ana Rita Bessa o tenha informado que ia deixar de ser deputada do partido por SMS, como sendo "uma decisão irreversível".

Em declarações à TSF, a centrista referiu que, sendo o CDS "um partido institucionalista", depois da carta, para ter a certeza que a mensagem era recebida, enviou um "WhatsApp" a Francisco Rodrigues dos Santos, mostrando disponibilidade para uma conversa.

"Informei o senhor presidente do partido, que estava em campanha autárquica, na altura, nos Açores, e portanto era impossível encontrar-me pessoalmente com ele, através de uma carta escrita e, sim, depois disso, para ter a certeza que a carta era recebida e mostrar toda a minha disponibilidade para vir conversar, na sequência disso, enviei-lhe um "WhatsApp", que é também a forma que o senhor presidente do partido, muitas vezes, utiliza para se dirigir a nós", afirmou.

Ana Rita Bessa admitiu, ainda, que o presidente do partido nunca lhe respondeu pessoalmente, só através da entrevista ao Expresso.

A cadeira de Ana Rita Bessa na bancada parlamentar do CDS continua por ocupar, depois das recusas de Isabel Galriça Neto e Sebastião Bugalho.

Apesar de ter "um profundo respeito pelo parlamento enquanto instituição que representa as pessoas e dá voz aos cidadãos", Ana Rita Bessa disse concordar que o país assiste a um "crescente empobrecimento da vida política".

Relativamente à entrevista de Francisco Rodrigues dos Santos, a centrista preferiu "reter o agradecimento do presidente do partido pelo trabalho prestado", não guardando qualquer rancor. "Na sequência de renunciar ao mandato e de fechar um ciclo e abrir outro, perspetivo a minha vida noutra direção", sublinhou.

A deputada do CDS Ana Rita Bessa, que anunciou esta semana a sua renúncia ao mandato, fez ontem a última intervenção na Assembleia da República, considerando que combateu "o bom combate" e completou a sua tarefa.

Ana Rita Bessa, eleita pelo círculo de Lisboa na anterior e na atual legislatura, deixou algumas palavras de despedida, no final da sua intervenção num debate sobre educação.

"O que me tem vindo à memória nestes últimos tempos é de um livro muito importante para mim, que vou parafrasear: combati o bom combate, completei a tarefa e guardei a esperança. Reflete bem o estado de espírito em que me encontro agora", afirmou, visivelmente emocionada.

A deputada realçou que "o bom combate não se faz sozinho" e agradeceu ao seu grupo parlamentar e aos deputados do CDS-PP que a acompanharam nos últimos seis anos, fazendo questão de deixar uma palavra especial ao ex-líder do CDS-PP Paulo Portas, "corresponsável" pela sua presença no parlamento.

"O que vos peço é que realizem este potencial de representação dos cidadãos", apelou, sendo aplaudida de pé por grande parte dos deputados presentes na sala das várias bancadas.

Ana Rita Bessa foi eleita deputada na última legislatura e também na atual pelo círculo eleitoral de Lisboa.

Esta é a terceira saída na bancada democrata-cristã desde o início da legislatura, em 2019, depois de a antiga líder do CDS-PP, Assunção Cristas, ter sido substituída por João Gonçalves Pereira, que, por sua vez, quando saiu cedeu o lugar a Pedro Morais Soares.

* com Lusa

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