"Arrumar assunto de vez." Governo ponderou transferir mais dinheiro para o Novo Banco

Carlos César e David Justino atribuem importância diferente ao pedido de desculpas do primeiro-ministro ao Bloco de Esquerda sobre transferência para o Novo Banco.

Carlos César revela que esteve em cima da mesa o Estado fazer uma transferência maior para o Novo Banco com o intuito de dar como terminada a intervenção na instituição. "Esteve em discussão e reflexão que se poderia este ano fazer uma transferência maior do que aquela que estava prevista, em obediência a uma interpretação contratual, e dar por concluídas as intervenções do Estado na instituição este ano, arrumando o assunto de uma vez", explicou o presidente do PS, no programa Almoços Grátis.

Tal não aconteceu, a transferência foi mesmo feita no valor esperado e as repercussões chegaram à política. Para Carlos César, o tema da relação de António Costa e Mário Centeno não passa de uma "novela e ficção", mas David Justino discorda por completo e acusa até o presidente socialista de ter uma "leitura criativa" dos factos.

É preciso voltar uma semana atrás, ao debate quinzenal onde António Costa garantiu a Catarina Martins que a transferência em causa só seria feita depois da auditoria que ainda não tinha chegado. Afinal, não era bem assim. A auditoria a que o primeiro-ministro se referia é adicional e a injeção que já tinha acontecido no momento da resposta no Parlamento era uma injeção prevista no momento da venda.

Foi Mário Centeno quem o esclareceu, na entrevista à TSF, mas os 850 milhões de euros parecem ter ficado para segundo lugar quando o primeiro-ministro pediu desculpa ao Bloco de Esquerda e quando o ministro das Finanças assumiu uma falha de comunicação.

No programa Almoços Grátis, da TSF, Carlos César considera que as "justificações dadas por Centeno evidenciam que o problema [da relação entre Costa e Centeno] não existe". "Não quero colocar a questão do banco nas novelas da relação entre primeiro-ministro e ministro das Finanças", reitera, sublinhando que as regras da venda do banco "não podem ser alteradas a qualquer momento".

O presidente do PS foi até mais longe e explicou que se pensou em fazer uma "transferência maior" para "encerrar o assunto", mas nada apaga que Costa foi "muito claro ao dizer que os 850 milhões de euros estavam no OE e que o Orçamento era para cumprir".

David Justino recebe a justificação de Carlos César com ironia e elogia a "leitura criativa que faz deste episódio".

Realçando que a "falha de comunicação é o menos importante", David Justino volta a apontar o dedo ao primeiro-ministro, dizendo que parte do princípio que Costa "sabia da data limite de pagamento" e que "algo tem de falhar" no meio de "azáfama de entrevistas, ir a todo o sítio e ter intervenção diária".

O vice-presidente do PSD realça que não está em causa o compromisso, mas, se realmente estava certo de que aquela injeção aconteceria, não entende o pedido de desculpas do Bloco de Esquerda.

* Almoços Grátis moderado por Anselmo Crespo

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