"Boletim de voto voltou para trás." Portugueses no Reino Unido impedidos de votar

Os votos da emigração começam a ser contados esta quarta-feira, mas há muitos emigrantes portugueses que não conseguiram sequer votar. Os cidadãos que vivem no Reino Unido terão sido os mais afetados.

Pedro Xavier deixou Portugal há 35 anos. Tal como muitos outros portugueses, nestas últimas eleições, fez questão de exercer o seu direito de voto, mas a participação no ato eleitoral não correu como esperava.

À TSF, o empresário português e presidente da secção do PSD no Reino Unido explica que recebeu o boletim de voto, "como milhares de pessoas receberam". "Exerci o meu direito cívico, pus o envelope no correio e, para meu espanto, passados dois dias, estava de volta a minha casa", relata.

Pedro Xavier conta que o mesmo aconteceu à mãe, "o boletim de voto dela voltou para trás", e acrescenta que tem "outros familiares e amigos a quem aconteceu a mesma coisa".

Através da sua empresa que presta apoio à comunidade, Pedro acabou ainda por descobrir que muitos emigrantes nem o boletim de voto receberam. "Uma delas foi a minha esposa", diz à TSF. "Está registada na minha morada, tal como eu, estamos os dois registados com o cartão do cidadão na nossa morada. Eu recebi o boletim de voto, ela não recebeu. Também a minha mãe recebeu, e o meu pai não recebeu."

Os contactos com os correios britânicos de nada serviram, pelo que Pedro Xavier optou por informar as autoridades consulares portuguesas.

Apesar das dificuldades, Pedro Xavier não desistiu e tudo indica que terá conseguido votar. "Eu acabei depois por escrever num envelope as palavras "de" e "para" e, com um marcador florescente, marquei essas áreas e depois o meu boletim de voto já não voltou. Espero que tenha chegado ao destino."

Num esclarecimento enviado à TSF, o Ministério da Administração Interna (MAI) diz que "os problemas que têm sido registados com a devolução do subscrito prendem-se, essencialmente, com o não-reconhecimento, em alguns postos de correio locais, do porte pago" e salienta que os CTT e as representações diplomáticas nesses países, entraram "em contacto com os respetivos serviços postais no sentido da rápida resolução do problema."

O MAI acrescenta ainda que "a expedição de correio foi realizada em observância do acordo internacional UPU (União Postal Universal)" e que os CTT contactaram "os vários serviços postais internacionais, informando-os de que o Ministério da Administração Interna, no âmbito da realização de eleições para a Assembleia da República, iria enviar para todos os eleitores portugueses residentes no estrangeiro, via postal, a documentação necessária para o exercício do direito de voto".

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