"Caso dos refugiados foi miserável manipulação de certa esquerda"

O eurodeputado do CDS Nuno Melo é o convidado desta semana da entrevista TSF/DN.

Foi acusado de votar contra uma resolução que previa o salvamento de refugiados no Mediterrâneo e parece que não é bem assim, explique lá melhor.

Eu vejo neste episódio uma miserável manipulação na base da mentira que uma certa esquerda conseguiu, através das redes sociais, de alguns comentadores com partido e, devo dizer também, de algumas redações, fazendo notícia no país do que não aconteceu. Eu vi títulos que diziam - "Deputados da direita impedem o salvamento de migrantes no Mediterrâneo" e algumas dessas notícias até com a minha fotografia. Eu não podia ver coisa mais miserável. Vi no jornal Público, esta semana, um exercício do pior que já vi na comunicação social, com uma fotografia minha numa caricatura num barco a meter uma pessoa debaixo de água. Eu considero isto uma enormidade, uma coisa tão miserável que não consigo sequer adjetivar. E tudo isto surge porquê? Porque um certo setor da política, através do Bloco de Esquerda, passa a ideia de que houve uma resolução que se destinava a salvar pessoas no Mediterrâneo, a favor da qual esteve a Marisa Matias, chorosa quando contou os votos, e contra a qual estive eu e mais alguns deputados à direita. Isto é absolutamente falso. Vamos cá ver: houve quatro resoluções, todas com o mesmo objetivo. Qual era o objetivo? O resgate de pessoas no Mediterrâneo. Quatro. Todos os eurodeputados portugueses votaram a favor e votaram contra as duas coisas - todos os eurodeputados portugueses votaram a favor do resgate, todos os eurodeputados portugueses votaram contra o resgate, dependendo da resolução que estava em causa. Havia uma resolução que era minha, era do PPE. Uma resolução que entre outras coisas dizia "... reitera a obrigação decorrente do Direito Internacional de prestar assistência às pessoas em perigo no mar, (...) insta todos os navios aos salvamentos e a cumprirem as instruções dadas pelo Frontex, (...) insta todos os intervenientes no Mediterrâneo a transmitirem às autoridades competentes quaisquer infrações relativas a pessoas em perigo no mar..." Isto foi uma proposta do PPE. A Marisa Matias votou contra ela, e eu não vi nenhuma notícia com a fotografia da Marisa Matias ou de outros deputados à esquerda com a legenda "Esquerda chumba o resgate de pessoas no Mediterrâneo". Portanto, houve quatro resoluções, houve uma do PPE que foi chumbada, houve uma do Partido Socialista que foi chumbada, houve uma do ECR que foi chumbada e houve uma de outro grupo político mais à direita que foi chumbada. Foram as quatro.

E porque é que foram todas chumbadas?

Quando eu vejo estas caricaturas e estes títulos, o mínimo que me acontece é sentir nojo, porque sinto que estou a combater forças que não posso contrariar, são mais poderosas do que eu. A mentira é isso mesmo, é uma mentira, mas eu não posso contrariar, e ele explica isso muito bem. Quando se tem um propósito que é bom - salvar pessoas no Mediterrâneo -, mas depois lança propostas que se contamina com ideologia e com soluções que se sabe antecipadamente que podem levar à recusa, como aconteceu com a proposta do Partido Socialista, o resultado é este. Há uma coisa que as pessoas não sabem: foi tentada uma proposta única que não aconteceu porque neste caso, a esquerda, quis introduzir na moção uma série de aspetos que do ponto de vista político e ideológico são tudo aquilo que o centro e a direita combatem. Por exemplo: nós não aceitamos que, num texto, ONGs possam ser tratadas num papel quase equivalente ao dos Estados, porque não são, sabendo nós que muitas dessas ONGs têm, para além do mais, motivações políticas e são dirigidas por ativistas políticos ligados a partidos. Nós, por exemplo, não defendemos uma política de fronteiras abertas. Em nenhum bloco do mundo as fronteiras são abertas, dos Estados Unidos, à China, à Coreia, a Angola, ao Brasil, onde seja. Ninguém entra num país porque quer, não acontece em nenhuma parte do mundo. Portanto, nós não aceitamos que a União Europeia, que para além do mais tem de defender as suas fronteiras externas, tenha uma lógica de fronteiras abertas. Há, por exemplo, uma certa recusa de cooperação com países terceiros para tentar, nos locais, corrigir as causas que levam a que muitas destas pessoas sejam levadas a sair. Uma recusa à entrada em distinguir refugiados e migrantes porque são coisas diferentes, quando os recursos são escassos, se se transformar migrantes em refugiados simplesmente não se tem dinheiro para acolher a todos. Ou até, por exemplo, uma falta de resposta para pôr fim a um modelo de negócio que permite que traficantes, aproveitando-se da desgraça humana, ganhem dinheiro com isso. Quando tudo isto é introduzido numa moção que podia ser circunscrita ao salvamento de pessoas, leva ao resultado de quatro moções serem chumbadas. O que eu não aceito é que a Marisa Matias por isto tenha chumbado o salvamento de pessoas no Mediterrâneo, mas tenha posto, com o BE, a correr na rede que os outros chumbaram e que ela coitadinha votou a favor. Isto é absolutamente falso. Depois, o resto fermenta na ignorância alheia, porque, infelizmente, as redes sociais estão preenchidas de ignorância e de desconhecimento, de pessoas que lêm um título, que não investigam e propalam aquilo que lhes parece mais simpático. Se veem um título com uma cara de um eurodeputado e uma legende que diz que ele chumbou o resgate de pessoas no Mediterrâneo, o que é que acham que acontece?

No meio de toda essa guerra política nada se resolveu, não há projeto de resolução e as pessoas continuam no Mediterrâneo.

Agora, tanto quanto se perceberá, haverá um novo esforço para se tentar um outro texto que possa ser votado com caráter de urgência e que possa ser mais consensual. Bastará que haja um pouco de lucidez. Mas volto a insistir que o que eu não aceito é que pessoas como a Marisa Matias tenham votado contra um texto que dizia especificamente da necessidade de salvar pessoas no Mediterrâneo e depois faça notícia dizendo que foram os outros que o fizeram, e oculte que havia quatro resoluções e não só uma. Aliás, não haverá ninguém que possa querer ter a legitimidade de transformar de repente uma moção, só porque é socialista, numa moção que representa o bem e todas as outras representam o mal. Já agora só para terminar: aquela conversa do coração apertadinho quando viu que pelos dois votos aquilo tinha chumbado, convém que a Marisa Matias diga a verdade e que aquilo é simplesmente uma resolução e uma resolução não é lei. No dia seguinte, do ponto de vista vinculativo, continua tudo na mesma. Tudo isto germinou na mentira, na perfídia e eu sinto-me profundamente envergonhado pela forma como numa democracia que se queria consolidada, um partido consegue impor assim fenómenos de comunicação, uma certa narrativa, que não sendo verdadeira faz títulos. Faz títulos apoucando pessoas de uma forma como a dessa caricatura do público, que eu guardarei para a vida como uma coisa que nunca deveria poder suceder. Eu sou advogado, já representei jornalistas, já representei lesados, conheço muito bem o código deontológico dos jornalistas.

O CDS teve um mau resultado nas europeias, aliás, não cumpriu o objetivo mínimo que havia de eleger o segundo eurodeputado, e não falta quem considere também que foi o principal responsável, por ter radicalizado o discurso do partido. Sente-se responsável, Nuno Melo?

Não faltará até quem o diga, tendo sido depois candidato a eleições legislativas e conseguido um bocadinho pior. Não escondo que o resultado não foi o desejável, ainda que se eu quisesse hipocritamente avaliá-lo, pudesse dizer que mantivemos os mandatos. O CDS tinha um eurodeputado e manteve um eurodeputado. Em percentagem, na verdade, o resultado não foi o que desejávamos porque queríamos crescer, queríamos eleger mais um. Apesar de tudo, o resultado das eleições europeias acabou por ser melhor do que o resultado das eleições legislativas. O discurso nas eleições europeias foi diferente do discurso nas eleições legislativas, o que me leva a crer que o discurso estava certíssimo, numa conjuntura que era já de uma certa perda, tendo as europeias acabado, acho eu, por funcionar como uma espécie de controlo de danos. Há também muita gente que acha que o discurso nas europeias foi, ao tempo, a salvação do CDS e, portanto, enfim... avaliações há sempre para todos os gostos.

Sente que lhe tentaram colocar um rótulo depois dessas eleições e que, à conta disso, já não conta o que contava dentro do partido?

Não sei o que conto ou o que deixo de contar porque nunca quis ser candidato à presidência do partido. Sei da apreciação que a generalidade do partido vai tendo, e que me parece que é boa, acho francamente. Sou um soldado ao serviço do CDS, dei sempre a cara e a voz e, genericamente, os resultados foram sendo bons. Eu chamava a atenção para uma circunstância: não fui só cabeça-de-lista em 2009 e agora em 2019, fui também em 2014. Ou seja, se o candidato é o mesmo, mas os resultados foram diferentes, conviremos que a responsabilidade não está propriamente no protagonista, talvez esteja noutras circunstâncias. Com o Dr. Paulo Portas, em 2009, elegemos dois eurodeputados e dizia-se que o CDS não elegeria nenhum porque os anteriores eram o Luís Queiró e o José Ribeiro e Castro, que tinham sido eleitos em coligação com o PSD, e dizia-se que o CDS sozinho não valeria esses dois eurodeputados, e nós elegemos dois. Entre 2009 e 2019, Portugal perdeu três eurodeputados e, portanto, nas contas era preciso um muito melhor resultado, ou eram precisos muitos mais votos, para eleger os mesmos dois eurodeputados em 2019. Isto para dizer que se o resultado é diferente em 2009 e em 2019, isso tem que ver certamente com as circunstâncias. O que é que mudou? Mudou a liderança, obviamente, mudou também o discurso e, do ponto de vista conjuntural, a própria geopolítica nacional, como em muita parte de Europa, também se foi alterando, como agora se percebe ao ler-se o Parlamento com as novas forças políticas que entraram.

Há dois anos, Assunção Cristas assumiu-se como o principal rosto da oposição e foi isso que fez no Parlamento e cá fora também, nos media, de forma muito vincada. Dois anos depois acaba por sair pela porta pequena, com uma bancada que volta a ser de cinco deputados. Qual foi o maior erro de Assunção Cristas?
Eu não traduziria o resultado num erro da Assunção Cristas. A Assunção é presidente de um conjunto de órgãos que são eleitos. Eu próprio fazia parte da direção, não quero colocar nela um ónus que deve ser, acho, solidariamente aceite por todos. A mensagem, que eu achava correta, sublinho, e continuo a achar correta é a do CDS como partido à direita, mais ainda quando o PSD se centra, quando o Dr. Rui Rio insiste em dizer que o PSD é um partido do centro, se o CDS não se assume como um partido de direita, deixa essa direita para outros partidos quaisquer. Essa mensagem nas europeias foi muito certa. Mas depois de contados os votos, algumas pessoas, que tinham estado solidárias nessa mensagem e tinham sido construtoras dessa mensagem, torceram o nariz e disseram à socapa que a mensagem é que foi errada.

Quer pôr nomes nessas pessoas?

Não, naturalmente que não. Não faço isso. O resultado da Assunção é um resultado que deve ser aceite solidariamente por todos. Agora, há outra coisa que eu digo: a Assunção Cristas e eu temos perspetivas diferentes do que deve ser o CDS. Olho para o CDS como um partido que deve ser de direita, com causas muito definidas - o que eu chamo marca registada -, que as pessoas identifiquem. No tempo do Dr. Paulo Portas, isso traduziu-se nos chamados nichos, mas quando se falava de segurança, de autoridade dos professores ou das famílias, de baixa de impostos, dos contribuintes, quando se falava nos ex-combatentes, as pessoas identificavam nisso o CDS. Este universo, que podia rondar os 10% em média. O maior problema do CDS na liderança da Assunção Cristas foi o seu próprio sucesso. Porquê? Porque a Assunção consegue alcançar um resultado extraordinário em Lisboa, próximo de 20%, e cria a convicção, nela e em muitos de nós, de que seria eventualmente possível extrapolar esse resultado para eleições legislativas. O CDS, ao alargar o discurso, querendo talvez ser mais abrangente e abandonando esses ditos nichos, perdeu essa marca registada. Não só perdeu os 20%, como não convenceu parte dos 10%. Curiosamente, nas europeias, intuí isso e quis combatê-lo. A mensagem que entendo é do partido que é conservador, aberto a outras correntes liberais e democratas cristãs, somos conservadores mas liberais na economia, a de um partido que se assume como de direita, que não tem vergonha de dizer que é um partido de direita, da direita democrática. A democracia é feita de esquerda e é feita de direita. Não é normal quando se diz esquerda ser uma coisa boa e quando se diz direita haver vergonha. Não há vergonha nenhuma em ser-se de direita. Sou um político de direita, assumindo causas e identificando-as claramente com uma agenda.

Acredita que o CDS, nos últimos anos, tem tido medo de se assumir como um partido de direita?

Não, o que acho é que o CDS quis centrar um pouco o seu discurso, pelo menos nas legislativas, e não me parece que isso tenha sido bem acolhido quando o Dr. Rui Rio mais insistia na circunstância de o PSD ser um partido de centro. Se o CDS centra o discurso, deixa a direita a outros partidos. Chamo a atenção para o facto de a Iniciativa Liberal (IL) e o Chega conseguirem ter um desempenho que não tiveram nas europeias. Nas europeias, nós fomos a fronteira à sua entrada ou, pelo menos, ao seu crescimento. Volto a insistir numa conjuntura que já se altera, altera-se na Europa, em muitos países da Europa, e altera-se também em Portugal. Falar-se de forma genérica para todos os públicos acabou por ter esse custo.

Como é que acha que o CDS vai viver ensanduichado entre a IL e o Chega no Parlamento?

Em circunstâncias muito mais difíceis do que as que, por exemplo, o CDS viveu em 1987 e até nos anos noventa. Recordo que em 1987, o CDS contou com quatro deputados na Assembleia da República, foram cinco depois, nos anos noventa. A grande diferença é que o CDS era o único partido à direita na Assembleia. Como tem deputados realmente muito bons, com a alteração das circunstâncias, a expectativa poderia ser o crescimento. Penso que, por um lado, o eleitorado definiu o CDS como um partido de direita - o eleitorado é que faz o partido - e, por outro lado, o centro, em 1974, era a direita possível porque não havia direita em 1974 em Portugal. Nessa altura, não só nós éramos o único partido à direita, portanto era esperar para crescer, não competíamos com ninguém, como tínhamos uma grande representação autárquica, suponho que de 17 a 20 câmaras municipais. Depois, havia um grande friso de pessoas ligadas à sociedade civil - às universidades, às empresas, à banca, à cultura - que respaldavam o partido que acabou por superar as suas dificuldades. Neste momento, em 2019, o CDS não é o único partido no hemiciclo sentado à direita, tem de facto a IL e o Chega, que, a partir do momento em que estão no Parlamento, acabam por ter um palco mediático. Não é a mesma coisa fazer política fora da caixa, digamos assim, ou tendo um noticiário diário.

Ou tendo um partido institucional por trás...

Sim, muito embora eu ache que essa institucionalização pode e deve ser, desde que nos saibamos caracterizar como somos, assumindo o que fomos, uma vantagem. Uma vantagem que, apesar de tudo, consegue ter o PCP, o Partido Socialista, o PSD. O facto de serem partidos que estão cá desde a fundação da democracia dá-lhes um património que pode funcionar como um alicerce em relação àquilo que pretendem ser no futuro. Claro que os novos partidos trazem a novidade e a novidade é muito apelativa, desde logo para os jovens que não ligam nenhuma à memória, e muitas vezes nem a têm porque já nasceram muito depois do 25 de Abril.

Considera que a IL e o Chega vieram "roubar" o discurso ao CDS?

Acho que vêm sobrepor o discurso ao discurso de outros partidos, nomeadamente do Partido Social Democrata e obviamente do CDS, desde logo a IL quando fala para os contribuintes. Temos menos de 50% das pessoas a pagar impostos em Portugal, mas são pessoas que para manterem esta pesada máquina do Estado estão assoberbadas com o pagamento de impostos, o rendimento que lhes sobra é pouco e têm de pagar rendas, a educação dos filhos, as suas contas-correntes, se viverem em Lisboa ou no Porto têm um custo de vida muito mais alto. Portanto, quando surge um partido a falar diretamente para estas pessoas, o que é, diria, não uma vitória de liderança, mas uma vitória do marketing por causa dos cartazes que foram muito bem conseguidos, inovando. Essa forma de comunicação garantiu um deputado e, obviamente, esta agenda direcionada para os contribuintes sobrepõe-se ao discurso de muitos partidos - do CDS que, curiosamente, passou a campanha a falar da baixa de impostos mas não foi tão eficaz, e do PSD que também fez o mesmo. Conheço pessoas que votaram na IL e que votaram antes no PSD e no CDS; são pessoas que estão disponíveis para voltar desde que percebam essa marca registada que o CDS deve ser. O Chega, num tempo em que tanto do que são valores se fragmenta e tende a desaparecer, o discurso um bocadinho securitário acaba por render, principalmente em alguns setores urbanos. O facto de ter uma agenda muito virada para a segurança, para a corrupção, para aquilo que outros, por causa do politicamente correto, evitam dizer, conquista votos. Isto para dizer o quê? Obviamente que o CDS, que normalmente agrega conservadores, democratas cristãos e liberais, saberá que se tentar ter uma agenda um pouco mais conservadora tem o Chega no Parlamento a tentar superar o discurso porventura pelo radicalismo; se tentar ter um discurso liberal, tem a IL a puxar pela sua imagem de marca. A democracia cristã, só por si, não vale o que o CDS já teve do ponto de vista eleitoral. Portanto, os próximos tempos vão ser muito mais difíceis, e se o CDS não tiver juízo, não souber agregar, não souber ter um discurso de espírito de corpo (como aprendíamos na tropa) e, a partir daí, superar as dificuldades, então a vida será muito, muito difícil.

Acha que André Ventura é um político perigoso? Como é que o classificaria?

Como um produto da comunicação, desde logo.

Mas é populista, é de extrema-direita?

Curiosamente tem o seu paralelo com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, o que é uma coisa muito curiosa. O Professor Marcelo Rebelo de Sousa é Presidente da República depois de anos numa televisão, de forma inteligente e com a sua enorme capacidade de comunicação - é uma pessoa muito capaz. O André Ventura leva anos a falar para um país alavancado naquele que é o maior fenómeno popular à escala universal e que se chama futebol, e naquela que é a marca de maior representatividade, que se chama Benfica. O André Ventura, tal qual a IL, é um produto do marketing, muito eficaz e bem concebido. Dou os meus parabéns a quem concebeu aqueles cartazes e aquela forma de fazer campanha que foi a única que se distinguiu de todas as outras com cartazes maçudos e mensagens padronizadas que já não diziam nada a ninguém.

E muito ativos nas redes sociais...

Nas redes sociais convenhamos que todos estão, principalmente o marketing. No caso do Ventura e do Chega, o Ventura é um produto da comunicação, é um produto da televisão, dos jornais e do Benfica.

Não é mais do que isso?

Também será, mas o que alavanca o resultado é muito isso, porque as pessoas podem não querer saber nada de política, mas a maior parte gosta de futebol. Portanto, ter uma pessoa todos os dias a falar pela marca do Benfica tem esse efeito, como teve, por exemplo, Rui Moreira no Porto - através dos comentários na televisão e por causa do futebol. Há candidatos que o são, e o são hoje com vantagem nas urnas, por causa do que os precede enquanto fenómenos de comunicação. No caso do Rui Moreira e do Ventura, alavancados no futebol. Porque, de outra forma, nunca o André Ventura teria a notoriedade que tem.

Mas do ponto de vista do discurso político onde é que o situa, no populismo, na extrema-direita?

Para começar acho um tremendo erro desvalorizar a capacidade do André Ventura. Ele é um professor universitário, tanto quanto sei uma pessoa que se licencia com uma altíssima média e um comunicador da televisão. Subestimá-lo é talvez a melhor forma de permitir que o Chega cresça. Por outro lado, tem a capacidade de dizer às pessoas muitas coisas que as pessoas pensam, que muitos políticos do sistema não têm a coragem de dizer porque sabem que no dia seguinte vão ser flagelados pelo politicamente correto, também através do comentário político, e que isso causa dano. Ora, aquilo que, por exemplo, um político do PSD ou do CDS diria e que as pessoas pensam traria, num partido com esta tipologia, uma consequência eleitoral grave no dia seguinte, por causa do tratamento comunicacional. O André Ventura não está nem aí, pode dizer o que quiser porque sabe que isso é o que lhe garantirá esse crescimento, como garantiu à AfD na Alemanha, como tem garantido em Itália ao Salvini, ao Vox em Espanha e a muitos outros. O Vox está a crescer nas sondagens e o Ciudadanos está a descer. Normalmente nós achamos que os fenómenos europeus não chegam a Portugal, mas chegam, demoram é mais tempo. O que sucedeu lá pode acontecer em Portugal - o fim de partidos tradicionais e o surgimento de outros que, pura e simplesmente, não existiam. Em França o grande Partido Socialista francês de François Mitterrand praticamente não existe, teve 6,4% com o Hamon nas eleições presidenciais.

Esse seu entusiasmo por esse caminho...

Não tenho entusiasmo nenhum, entusiasmo em quê, não estou a perceber...

Até agora não sancionou nem disse nada de negativo sobre o discurso de André Ventura.

Não se trata de sancionar. Eu acho é que quem, nomeadamente no espaço político do CDS ou do PSD, quiser fazer política e não o fizer a fazer oposição capaz e competente, ao PS e a um Governo que é mau, mas o fizer assustado a olhar para o retrovisor com partidos que são mais pequenos, no fundo dando-lhes palco porque lhes está a exacerbar a mensagem, comete um erro. Eu aconselharia - não sei quem vai ser o presidente do CDS - o CDS a mostrar que é um partido eficaz e um motor na oposição e assim ganhará, perderá se quiser tentar esgrimir diferenças e vantagens em relação a partidos que são muito mais pequenos e que só esperam que todos os outros desatem a dizer que são radicais e não sei o quê.

Não foi isso, de certa forma, que fez Assunção Cristas nos últimos anos?

Eu acho que o principal ativo da Assunção enquanto líder foi exatamente a capacidade na oposição ao primeiro-ministro. Depois, houve outro fenómeno que veio a par e que teve que ver com a bipolarização que se julgava que teria acabado e, afinal, não. Aconteceu e funcionou a favor do PSD e do Dr. Rui Rio que, de facto, muitos subestimaram - eu disse muitas vezes para não se subestimar o Dr. Rui Rio que eu conheci no Porto e bem vi o que aí fez, e que soube ir direto também, de uma forma que é muito sua, que soa a genuína, àquilo que muitas pessoas pensam -, e isso prejudicou o CDS. Prejudicou-o uma bipolarização que aconteceu - as pessoas que não aceitavam que o Dr. António Costa, tendo perdido as eleições tivesse governado e que portanto queriam que o Dr. António Costa perdesse bipolarizaram, votando no PSD. O Dr. Rui Rio soube de facto comunicar de uma forma muito simples e percetível. Depois, no que tem que ver com o CDS, houve uma certa mensagem de recentramento que deixou a direita a novos fenómenos. Posso estar enganado mas, com toda a franqueza, é essa a minha perceção.

Chamou-lhe uma espécie de mensagem de marca branca - a moção que leva com um grupo de dirigentes ao Congresso passa essa ideia de que o partido deve deixar de ser uma marca branca. Então o que significa isso, o que é que tem de passar a ser?

O que significa é o que eu dizia há pouco sobre aspetos políticos e opções que os eleitores identificam como sendo do CDS e nisso não vê nenhuma vantagem em procurar quaisquer outros, porque outros não podem ser o que o CDS sempre foi.

Com Paulo Portas o partido abriu a várias tendências, ele foi dirigindo o partido de acordo, inclusive, até com alguns problemas que iam surgindo no país.

Sim. Eu tenho o Dr. Paulo Portas como um político talvez único do ponto de vista da sua capacidade intelectual - eu tive-o sempre como um primus inter pares mais do que um par inter pares -, com uma facilidade de agregar diferenças que ou se tem ou não se tem, e ele teve, felizmente. Foi responsável por muito do crescimento do CDS. Hoje parece que está na moda atacar-se aquele que é da "tralha portista", eu tenho muito orgulho em ter sido portista, devo dizer que tenho em Paulo Portas um dos melhores momentos da história do CDS, portanto quanto a isso não tenho problema nenhum.

Isso é nostalgia em relação a Paulo Portas?

Não. Nesse tempo, como antes, com Manuel Monteiro também, e com outros líderes, o CDS era identificado com marcas registadas, por exemplo: o ciclo do Dr. Manuel Monteiro coincide com o Tratado de Maastricht, quando realmente a Europa caminha para um certo federalismo e o CDS o que fez? O CDS assumiu-se como um partido que não era federalista, assumiu-se contra aspetos relevantes de Maastricht, pediu um referendo, inclusivamente pagou por isso no PPE, porque tendo sido fundador da família que deu origem ao Partido Popular Europeu, acabou por, não sendo federalista, ser forçado a sair. Era uma marca registada e as pessoas votaram nele por causa disso. Com o Dr. Paulo Portas essa marca existia em relação a muitos aspetos que o CDS devia repescar hoje, e não devia ter medo nenhum.

Isso são opções claras?

São as tais marcas registadas. Por exemplo: o CDS era o partido dos ex-combatentes e muitas pessoas viam nisso um problema porque tentavam, desde logo à esquerda, associar os ex-combatentes ao Ultramar e à Guerra Colonial. O facto é que houve portugueses que combateram, perderam tudo, muitos a vida...

Também foi o partido da lavoura...

Sim, mas tudo isso são marcas registadas, é isso exatamente o que eu quero dizer.

Acha que esse é o caminho?

É erro pensar-se que o CDS deve talvez, nas suas circunstâncias, ter desde logo a ambição de um dia para o outro de passar dos 10% para os 30%. Digamos que razoavelmente, as coisas normalmente não acontecem assim. Nós temos de garantir que perpetuamos, na medida do possível, um eleitorado que vota CDS porque acredita naquilo que o CDS sempre foi. É um partido que, independentemente de todas as agendas modernas e de quem até o faça melhor do que o CDS, preserva e fala em nome das famílias como base de uma sociedade, pela autoridade dos professores, pela autoridade dos pais, que fala pela questão da tributação, que fala do elevador social, que fala das questões relativas à segurança, das questões relacionadas com a agricultura, que fala de muito daquilo que se esbateu em detrimento de um certo discurso que tendeu a ser mais generalista para captar novos eleitorados, mas que nos fez perder o nosso. Eu não consideraria os temas propriamente nichos, mas antes as tais marcas registadas. Ou seja, nós depois podemos ir a tudo, não podemos é querer ser o Bloco de Esquerda da direita. Acho que o CDS não deve achar que vai no bom caminho porque no dia seguinte o Daniel de Oliveira ou o Pedro Marques Lopes dizem que o CDS ou algum dos seus protagonistas teve um grande desempenho porque eles representam, um e outro, tudo aquilo que o CDS não deve ser. Para isso está lá o BE e está lá, enfim...no segundo caso, outra coisa que nunca ninguém percebeu bem o que foi. O CDS deve ser nítido e deve perceber que tem de falar para o seu eleitorado, não deve querer agradar a um comentário que é um comentário, como a propósito deste episódio recente dos refugiados, que está fortemente manipulado, fortemente condicionado, das redes sociais às redações.

Não tem receio que a extrema-direita lhe entre pelo partido dentro, sobretudo em algumas tendências mais conservadoras quem já parecem começar a agitar-se nestas eleições internas?

Eu tenho receio de quaisquer extremismos, de extrema-direita e de extrema-esquerda, passei as eleições europeias a dizê-lo. Eu sou um democrata e sou um político de direita e assumo-o plenamente. Como é que o CDS o combate? Sendo aquilo que é, ou seja, não é extremista, e votando convictamente de acordo com aquilo em que acredita. Nós não nos podemos desnatar, não nos podemos desvirtuar só para querer alcançar novos eleitorados, prescindindo daqueles que deixam de ver no CDS aquilo que o CDS sempre foi e que os levou a essa opção. Esse é o grande risco e acho que é uma das razões que eventualmente poderão justificar um pior resultado nestas eleições legislativas.

Como é que explica aos militantes do CDS que o vão ver, ouvir e ler que tendo ideias tão claras e defendendo-as com a motivação a que assistimos, não seja candidato à liderança?

Porque sou hoje o que o Dr. José Ribeiro e Castro foi quando quis ser presidente do partido e eu critiquei, ou seja, eu sou um eurodeputado e entendo, neste momento mais ainda precisamente por estes dois partidos à direita gravitarem connosco na vida parlamentar, e vejo vantagem em que o presidente do partido possa ser um deputado. Porque é o presidente do partido que tem de ser capaz de mostrar na Assembleia da República que é mais virtuoso, que tem melhor mensagem, que é mais capaz do que aqueles outros que ali estão e que pela primeira vez passam a beneficiar do fenómeno da comunicação. Todos os dias os telejornais e as rádios fazem o resumo dos debates parlamentares e um presidente do partido que não está ali não existe na comunicação. Eu correria o risco, independentemente da minha boa vontade e das certezas todas que possa ter, de não passar e não passando não existo. Acho que há outras pessoas capazes e eu espero poder estar do lado de quem queira, se quiser, contar comigo para governar o CDS se for caso disso, se não estiver, também não tem mal nenhum, continuarei a ser do CDS.

Há algum candidato que gostasse de apoiar à partida?

Eu identifico várias figuras e esperarei que as que o entendam ser se apresentem como candidatos, porque correria aqui o grave risco de, por exemplo, citar um nome que depois não fosse e, nisso, já estava a menorizar qualquer outro que pudesse aparecer. Felizmente como ainda faltam dois meses até ao Congresso...

Francisco Rodrigues dos Santos ou João Almeida, apoiaria algum destes nomes?

Dou aqui por reproduzida a minha declaração anterior.

Acha que nessa posição quase impossível em que o CDS está neste momento, só Paulo Portas é que podia resgatar o partido?

Não necessariamente. Acho que Paulo Portas deve ser um dos ativos com que o CDS deve contar em qualquer circunstância, queira o Paulo Portas ajudar, porque só quem está na rua vestindo as cores do CDS sabe como tanta gente se lhe dirige e o recorda como um dos nossos ativos. O CDS deve ser um partido de muitos, de todos aqueles que tendo capacidade e estando particularmente inseridos na sociedade, nas empresas, na cultura, nas universidades, nas escolas, enfim, possam ajudar a dar densidade ao CDS. O CDS já foi um partido de quadros e esses quadros eram muito identificáveis.

E o principal problema hoje não é continuar a ser um partido com falta de eleitorado, mas ainda com quadros?

Hoje é um partido que tem quadros, mas muito menos identificáveis na opinião pública. Tempos houve em que o CDS era conhecido por cada uma das suas figuras, por esse friso de notáveis, que não valiam por serem notáveis porque notáveis acabam por ser todos, mas eram pessoas muito conhecidas porque vinham da sociedade civil para o CDS e eram conhecidas antes mesmo de estarem no CDS. A par de outras que surgiram no CDS, caso do Manuel Monteiro, e hoje o CDS tem pessoas extraordinárias, foi um dos partidos que mais se renovou, quem olhar para o nosso grupo parlamentar percebe que realmente há muita gente nova. Quando se fala de renovação política, o CDS tem sido uma renovação constante, e foi-o desde logo com Paulo Portas.

A ideia que passa é que tem quadros, de facto, o que falta é eleitorado.

Falta eleitorado e falta uma certa notoriedade na rua que permita que estas pessoas sejam identificadas imediatamente por quem vota. Talvez hoje as pessoas também estejam muito menos ligadas à política do que estavam antigamente. Eu defendi, antes deste Congresso, até por sugestão de outra pessoa - já vi que isso não vai dar em nada, mas pronto -, a criação de uma espécie de Estados Gerais. Até fiz uma publicação no Facebook que dizia "Mais ideias, menos egos", exatamente para centrar no que o CDS falhou e no que o CDS deve ser, a definição mais ou menos exata de tudo isto e, a partir daí, escolher-se uma liderança. Isto porquê? Porque exatamente nos Estados Gerais onde se fossem buscar pessoas de muitas áreas, estas pessoas não apenas do CDS nos ajudassem a refletir sobre o que sucedeu e sobre o que deveríamos ser e então encontrarmos uma boa solução. Acho que vamos acabar num Congresso mais ou menos clássico com as disputas e as candidaturas da praxe...

Não acha que para já está a passar um bocado a ideia de que ninguém quer pegar neste partido?

Haverá quem queira pegar, agora eu acho que, por outro lado, felizmente para já realmente há pessoas que estão mais preocupadas em perceber o que aconteceu e sedimentar ideias sobre o que o CDS deverá ser no futuro, do que propriamente em apresentar lideranças e depois disso tratar do mais que possa vir. Isso, acho um dado positivo porque reflete uma certa ponderação. O PSD tem muitos candidatos, como se sabe, muitas pessoas que gostavam e ser líderes, o CDS também terá muitas pessoas que gostariam de ser presidentes do partido mas, felizmente, têm-no tratado com uma maior ponderação. Ainda falta muito tempo até ao Congresso.

or falar em PSD, para o CDS é irrelevante que o líder seja Rui Rio ou Luis Montenegro?

Penso que o CDS não tem de comentar ou interferir em questões que são de outro partido, tal qual eu não gostaria de ver no PSD alguém comentar ou opinar sobre se o líder devia ser um ou outro no CDS. Acho que este respeito mútuo e muito importante e entre o PSD e o CDS sempre aconteceu. O CDS governa muitas autarquias coligado com o PSD - eu próprio sou presidente de uma Assembleia Municipal eleito numa lista de coligação com o PSD -, temos estado muitas vezes juntos no governo, e eu acredito que esta parceria que é muito estratégica, seja talvez uma das soluções em relação ao futuro de um combate cada vez mais difícil com os que se situam à nossa esquerda.

Nesse sentido foi um erro a não coligação nas últimas eleições?

Penso que a avaliação deve ser um pouco mais profunda do que essa, no sentido em que hoje houve uma alteração de paradigma que resultou de uma governação do Dr. António Costa derrotado nas urnas, sob o pretexto de uma maioria parlamentar. Curiosamente, agora invoca como seu maior argumento a vitória nas urnas, vitória que para os outros não era suficiente e em relação a ele neste momento é talvez o seu maior ativo, mas isso é na conversa à esquerda com o BE e com o PCP, mas isso são contas de outro rosário. Agora, acho que a direita, toda ela, um dia, que eu espero breve, seja capaz de refletir sobre o que está a acontecer e sobre o que aconteceu em França, em Espanha e noutros países. Por exemplo, até ao surgimento do MP a direita em França durante muito tempo contou pouco; até à criação do Partido Popular em Espanha idem. Quando este espaço político da direita se fragmenta, normalmente a esquerda vence e perpetua-se durante largos anos no poder. Isso está a acontecer em Portugal e é sobre isso que temos de pensar e de que forma é que o espaço político à direita, desde que partilhe pontos de vista, será capaz de ressurgir com muito maior força, não fragmentando mas unindo e consolidando. Como é que isso se faz é uma grande discussão, são passos que têm de ser dados no futuro, mas eu acho que essa discussão um dia via ter de acontecer, a menos que queiramos um Partido Socialista perpetuado, com razoável certeza, no poder durante muito mais tempo do que seria desejável neste país.

Este Governo, em sua opinião, vai durar quatro anos?

Não sei, não tenho dons premonitórios... Acho que este Governo vai ter um relacionamento muito mais difícil à esquerda com o PCP e com o BE, mas acho também que para o PCP e para o BE o risco de que a direita possa vencer é um cimento muito maior do que a vontade de derrubar um governo, agastados que estão pela circunstância de não ter sido refeita a geringonça. Faltam as eleições autárquicas, vamos ver o que acontecerá, mas fazer previsões em política a largo prazo considero realmente uma temeridade.

Em sua opinião o Presidente da República devia ter um papel mais interventivo face à atuação do Executivo e ser, no limite, mais contrapoder?

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa é o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, é uma figura única com características muito próprias que farão com que seja uma espécie de presidente-rei, com paralelo talvez só no Sidónio [Pais] em tempos da 1ª República. Portanto, o que diga ou o que faça importa pouco do ponto de vista das urnas, porque está alavancado nesse efeito da comunicação muitos anos, e na sua própria natural simpatia, e na sua inteligência.

Mas para o país seria melhor que ele fosse mais contrapoder?

Para o país, curiosamente, prefiro Presidentes da República pouco interventivos, porque o Presidente da República tem poderes constitucionais que não se sobrepõem aos poderes dos Executivos e portanto não se devem sentir tentados a funcionar como orientadores dos Executivos. Estes saem de eleições legislativas e de uma certa composição parlamentar e o Presidente da República tem poderes constitucionais, mas não são os de governar nem de dizer a quem governa que tem de ser por aqui ou por ali. Na atuação do Professor Marcelo Rebelo de Sousa houve aspetos em que eu me revi e houve outros em que não, mas a vida é assim. Houve momentos em que me pareceu muito ao lado do PS com pouca justiça pelo que o PS estava a fazer, houve outros em que serviu de apontador, em que soube comentar num sentido contrário, enfim, é assim mesmo...mas é uma pessoa simpática.

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