Emergência resolvida no Tejo. Caudal do Tejo vai ser regularizado em dezembro

Em declarações à TSF, João Pedro Matos Fernandes confirma que a reunião já aconteceu, e garante que o Governo espanhol prometeu resolver o quase esvaziamento da barragem de Cedillo até 15 de dezembro.

O Governo espanhol compromete-se a compensar o caudal do Tejo até 15 de dezembro. Depois do quase esvaziamento da barragem de Cedilho, o ministro português do Ambiente pediu uma reunião de urgência a Espanha.

Em declarações à TSF, João Pedro Matos Fernandes confirma que a reunião já aconteceu. "A reunião foi feita - não por mim, mas pelo nosso embaixador em Madrid -, e Espanha, ao pedido que o Governo português fez, subscrito por mim, respondeu sim e comprometeu-se com a data de 15 de dezembro para estar regularizado", assevera o governante.

Ter o caudal regularizado significa chegar à quota 114, partindo de uma quota 96, explica ainda Matos Fernandes, que diz que a evolução está a ser favorável: "Já ontem tinha chegado à quota 109."

A trabalhar de momento com as autarquias afetadas pela barragem para que "os prejuízos sejam rapidamente financiados pela Agência Portuguesa do Ambiente", João Pedro Matos Fernandes explica que uma reunião direta com a ministra espanhola do Ambiente já não é urgente, porque a situação está ultrapassada.

O ministro do Ambiente está em Madrid para participar na cimeira do clima, e espera apresentar os resultados do trabalho feito em Portugal para combater as alterações climáticas. "Não deixa de ser importante o que a OCDE decidiu ontem relativamente à sugestão de limitação dos investimentos, dos empréstimos, para desenvolver tecnologias com base em combustíveis fósseis. Nós assinámos antes do verão, com toda a banca comercial portuguesa, um compromisso para o financiamento sustentável", relata.

Matos Fernandes afirma que a declaração de uma situação de emergência climática por parte do Parlamento Europeu é bem-vinda, mas lembra que Portugal
já tratava o tema com essa seriedade. De acordo com o ministro, "Portugal não esperou pela declaração de emergência climática para fazer o seu trabalho". O governante não tem dúvidas: "Nós estamos em emergência climática, e é por isso que nos comprometemos com a neutralidade carbónica para 2050 e fixámos a próxima década como a mais relevante de todas."

Para essa meta contribuem passos dados que Matos Fernandes elenca: "55% da eletricidade que consumimos tem origens renováveis" e um investimento em "709 autocarros de elevada performance ambiental".

Paulo Constantino, do Movimento ProTejo, assinala, no entanto, que "repor os níveis regulariza o caudal, mas não ficam resolvidos os impasses de cerca de dois meses de albufeira com menos de 20 metros de quota, e, com o rio Sever seco, não ficam revertidos os impactos ambientais, financeiros e sociais".

"É preciso reverter esses impasses e proceder a medidas de compensação desses impactos no tecido económico e social daquela região", argumenta ainda o ambientalista.

Paulo Constantino explica que a situação "foi resolvida com transferência de água a montante, o que poderia ter sido feito mais cedo", e que estará mesmo "em vias" de ficar sanada. Ainda assim, para o representante da ProTejo, é importante notar que "os caudais não foram cumpridos por Espanha nas últimas duas semanas de outubro", pelo que, "na reunião que vai ter com Espanha, o Governo deve acordar compensações em termos de reabilitação do rio e também que esta situação não se repita".

* Atualizada às 08h30

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