CDS diz que maioria à esquerda faria de Marcelo uma "espécie de rainha de Inglaterra"

Na campanha do CDS, o dramatismo não cessa e repetem-se, a cada dia, os argumentos de que há um enorme fosso a separar os que defendem as empresas e a iniciativa privada e os que ameaçam o poder do presidente da República com um Estado absoluto.

O deputado do CDS-PP Mota Soares acusou hoje a esquerda de querer "pôr em causa" a função do Presidente, que seria uma "espécie de rainha de Inglaterra" se os partidos de esquerda tivessem dois terços no parlamento.

"Uma maioria absoluta do PS e de dois terços da esquerda" nas legislativas de 6 de outubro tornariam Marcelo Rebelo de Sousa "numa espécie de rainha de Inglaterra", quando o Presidente "tem um papel muito importante como equilibrador do sistema", disse Pedro Mota Soares numa ação de campanha eleitoral dos centristas na cidade de Viseu.

Corroborando a tese da líder do partido, numa entrevista ao Expresso, de que uma maioria de dois terços da esquerda "tornaria o Presidente da República absolutamente irrelevante", o ex-ministro do CDS fez, depois, um acrescento próprio a esta tese.

"Percebermos que alguns, à esquerda, querem colocar em causa o Presidente da República, e se maioria fosse do PS isso continuaria a acontecer e cada vez mais", afirmou, sem dizer quem são esses "alguns".

No seu discurso numa cerimónia em que foram homenageados alguns militantes mais antigos (a mais velha tem 103 anos) e outros mais jovens do partido de Viseu, o ministro da Solidariedade do Governo PSD/CDS fez um apelo ao voto nos centristas, contra a esquerda, no PS e dos seus parceiros parlamentares nos últimos quatro anos.

"Portugal, nos tempos que correm, que são difíceis, precisa de prudência, não precisa de radicalismos", afirmou, dando o exemplo do círculo de Viseu, onde volta a concorrer Hélder Amaral, onde os centristas afirmam disputar, nas suas contas, um deputado com o Bloco de Esquerda.

Para Mota Soares, "um voto no CDS é um voto para tirar dois terços à esquerda e, acima de tudo, para tirar uma maioria absoluta ao PS".

Contra esse radicalismo, e a favor de um Portugal, moderno, livre e democrático, o antigo líder da JP afirmou que a situação atual do país "muito virado à esquerda", onde "parece que se voltou ao PREC [Processo Revolucionário em Curso] de 1974 e 1975".

Tal como Cristas tem feito, Mota Soares alinhou no discurso contra o desperdício de "um só voto" do centro e da direita na ida às urnas, em 06 de outubro.

É preciso garantir, disse ainda, que "ninguém à direita fica em casa" no dia das legislativas, e acrescentou que "a direita é pragmática, não pode desperdiçar o voto" e que "ninguém embarca em aventureirismos".

Os elogios da noite foram para Hélder Amaral, o candidato do CDS em Viseu, e para a "querida Assunção, presidente do partido, pela sua prestação nos debates televisivos com os restantes lideres partidários e que conseguiu criticar e "retirar António Costa [primeiro-ministro e secretário-geral do PS] do pedestal" onde os socialistas queriam que "estivesse durante a campanha eleitoral".

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