"Compensar saída dos portugueses com entrada de imigrantes não é boa política"

David Justino critica o Governo por focar-se mais em atrair imigrantes do que em impedir a emigração portuguesa e assim reter talento dentro de portas.

David Justino critica o Governo por focar-se mais em atrair imigrantes do que em impedir a emigração portuguesa e assim reter talento dentro de portas.

David Justino subscreve a preocupação manifestada por António Costa esta quarta-feira na Assembleia da República quanto à demografia e coesão territorial, mas considera que a tónica do Executivo não é a mais correta para equilibrar o saldo migratório.

"Todo o programa do Governo relativamente a este problema da quebra demográfica tem uma única solução: aumentar a imigração", refere o vice-presidente do PSD, no seu comentário habitual no programa "almoços Grátis", da TSF. Esta estratégia para travar uma saída de até "90 mil portugueses por ano" não é a mesma que David Justino defende.

"Eu até acho que os imigrantes são bem-vindos, mas era mais importante e mais prioritário que criássemos condições para que os portugueses não tivessem de emigrar. Estar a compensar a saída dos portugueses com a entrada de imigrantes... não creio que seja uma boa política", aponta.

Na opinião do vice-presidente dos sociais-democratas, este método faz com que se perca capital humano de valor.

"Sobre a emigração portuguesa não há uma palavra no programa de Governo, e eu pergunto como vamos resolver o problema demográfico se continuarmos com esta hemorragia de portugueses para o exterior", atira ainda.

De acordo com dados de setembro de 2019, Portugal é o segundo país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde a imigração mais cresce, numa variação muito acima da média dos países desenvolvidos.

A conclusão consta do relatório de 2019 da OCDE sobre migrações que revela que em 2017 o número de imigrantes que chegou a Portugal para viver de forma permanente subiu 21% (32,8 mil para 39,6 mil). Há 16 anos, desde 2002, que não existia um crescimento tão grande como em 2018.

O Governo justificava em junho deste ano que os dados confirmam o particular impacto dos fatores de atratividade de Portugal apontados em anos anteriores como a perceção de de um país seguro. Ouvido pela TSF, Eduardo Cabrita assinalava então que o crescimento de quase 50 mil residentes estrangeiros estava "em linha com as necessidades de manutenção do nível populacional e população ativa".

Por outro lado, dados de dezembro de 2018 apontavam para uma queda da emigração: descida que se regista desde 2013, quando foi atingido o pico de 120 mil, o máximo deste século, passando para os 115 mil em 2014 e 100 mil em 2016. Em 2017, emigraram 90 mil portugueses.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados