Controlar preços, taxar lucros e nacionalizar REN e EDP. As propostas do BE para a energia

É já na sexta-feira que a Europa discute as questões da energia e, para o Bloco de Esquerda, Portugal tem de ter uma posição clara sobre o mercado e proteger as famílias.

O Bloco de Esquerda quer o controlo dos preços do mercado da energia, a nacionalização da EDP e da REN e a tributação dos lucros excessivos das empresas energéticas. As propostas fazem parte de um pacote apresentado, esta quarta-feira, por Catarina Martins, para reduzir os custos da energia e proteger a economia

A Europa discute já na sexta-feira as questões da energia, para o Bloco de Esquerda, Portugal não pode ficar de fora nas respostas. Catarina Martins afirma que o país tem a eletricidade mais cara de toda a Europa e que isso é resultado da liberalização do mercado.

"Em Portugal, temos uma situação mais difícil do que o resto da Europa, do ponto de vista dos custos de energia e poder de compra", declarou a líder bloquista, esta manhã, em conferência de imprensa, na sede do Bloco de Esquerda, em Lisboa. "Esta ideia de que Portugal fica um bocadinho fora da crise da energia porque não depende tanto do gás para aquecimento é uma ideia que é errada, uma vez que nós já temos esta pressão imensa dos preços da energia pelas famílias - e, portanto, devemos estar preocupados e o Governo português deve ter posição sobre o que se faz com o mercado de energia", defendeu.

"Ao longo dos últimos anos, foi-nos contada uma mentira sobre a energia", atirou a coordenadora do Bloco de Esquerda. "Foi dito que privatizar a energia e ter um mercado ibérico liberalizado ia permitir baixar os custos", mas "entrou o MIBEL [Mercado Ibérico de Eletricidade] e os preços da energia continuaram a aumentar".

De acordo com Catarina Martins, "é também mentira que os preços estejam como estão por causa da guerra". "Os preços da energia já estavam a subir bem antes da invasão da Ucrânia - e ainda que no mês seguinte à invasão tenha existido um pico, neste momento estamos com os preços ao mesmo nível que estavam antes", defende.

Aos olhos do Bloco de Esquerda, as atuais regras da energia são uma "bomba-relógio" e, por isso, o partido propõe, desde logo, o controlo dos preços grossistas. "Abandonar este mercado marginalista - que premeia a especulação e os oligopólios, que põe a energia renovável a ser paga como se tivesse de pagar carbono, quando não emite carbono nenhum -, e definir, para cada tecnologia, qual a tarifa que deve ser paga", referiu, notando que a energia eólica já está fora desse plano, mas que, também aí, será preciso rever o regime em vigor e atualizar preços.

Catarina Martins considera ainda essencial recuperar o controlo público da energia, o que, para os bloquistas, passa pela nacionalização da REN e da EDP.

"Na Europa estamos a discutir a enorme vulnerabilidade face à Rússia. Mas tem algum sentido a vulnerabilidade portuguesa, por exemplo, face à China? Podemos nós achar que isso é normal?", questionou.

"Portugal é o único país da União Europeia em que é tudo privado na distribuição de energia. Ou seja, o nosso país não tem condições básicas de segurança e soberania, porque está completamente, do ponto de vista energético, dependente", alertou.

Por fim, o Bloco de Esquerda que sejam taxados os lucros excessivos. Catarina Martins não tem dúvidas de que as empresas de energia estão a aproveitar-se da situação atual de inflação.

"Se a inflação fosse um problema para todos, então as empresas energéticas não estavam a ter os lucros que têm", concluiu.

O Bloco de Esquerda defende que é preciso agir agora e proteger as famílias, e lembra que a proposta do Governo para a descida do IVA na eletricidade só abrange uma pequena parte da fatura e que o gás nem sequer está incluído.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de