Costa empurra Marcelo. PS não deve ter candidato às presidenciais

Primeiro-ministro fugiu à polémica com Centeno reabrindo o debate das presidenciais ao desafiar recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa (e a considerar mesmo a reeleição). No Largo do Rato, não há decisões oficiais e totalmente fechadas, mas ganha forma a ideia de que o PS não apoiará oficialmente qualquer candidato.

Em política não há irrevogáveis e, por isso, para já, ninguém se arrisca a assumir claramente que o PS não vai apoiar um candidato da sua família política e, com isso, deixar o caminho livre a Marcelo Rebelo de Sousa. Mas nos bastidores do Rato a frase "se as eleições fossem hoje, a decisão seria essa", é cada vez mais repetida.

A decisão ainda está longe de ser oficializada e, ao que a TSF apurou, ainda nem sequer foi discutida nos órgãos do partido. Mas entre os mais próximos de Costa, o mais consensual é não ter candidato próprio e não apoiar formalmente nenhum dos candidatos, quaisquer que eles venham a ser. Mesmo que seja oficializada também a "enfant terrible" Ana Gomes, como um socialista descreve à TSF.

Uma fonte, no Largo do Rato garante à TSF que "essa é a tese mais representativa", mas lembra que a decisão carece ainda de discussão interna. O congresso do partido seria o ideal para António Costa tomar uma posição, mas com a pandemia e ainda sem data para a reunião magna do partido, a discussão terá que começar a ser feita. O PS não desistiu de realizar o congresso, mas a data dependerá da evolução da pandemia e pode atirar para setembro ou outubro. Esse seria um "cenário ótimo", confidencia um socialista à TSF.

Costa mete presidenciais na agenda "a martelo"

Numa altura em que as eleições presidenciais estavam em segundo plano, o primeiro-ministro reabriu o debate numa visita à Autoeuropa. Por vontade ou por necessidade, só António Costa poderá responder, certo é que o primeiro-ministro arranjou aqui a maneira ideal de continuar a escapar à polémica com a "falha de comunicação" entre as Finanças e São Bento relativa ao Novo Banco.

E com uma manhã passada a olhar para carros, o primeiro-ministro decidiu acelerar a fundo para se desviar dos estilhaços provocados por Centeno e deixar brilhar Marcelo Rebelo de Sousa. Lembrando as visitas anteriores à fábrica de Palmela, Costa deixou claro: "não há duas sem três". "Proponho que a data para a terceira visita aqui seja para o ano, no primeiro ano do segundo mandato do Presidente", disse um sorridente António Costa ciente de que o assunto tinha tudo para escalar.

E antes de ir embora, mais uma dica: "Sendo eu otimista, não tenho a menor dúvida do que seguirá no último ano".

Socialistas de peso com Marcelo

Se Costa foi claro na confiança que tem na reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, outros socialistas já fizeram questão de realçar em várias situações que estão alinhados com o atual Chefe de Estado. Ainda este mês de maio, Augusto Santos Silva dizia numa entrevista ao Jornal de Notícias que o PS "deve fazer uma avaliação do atual ciclo político e da convivência institucional entre o Governo e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa". "Essa avaliação é, consensualmente, de que as coisas correram otimamente bem", diz o ministro dos Negócios Estrangeiros que afirma ainda que quaisquer decisões só devem acontecer depois de uma "reflexão interna que há de ser bastante viva". Para bom entendedor...

Já antes, João Soares tinha afirmado na TSF que "não lhe repugnaria nada" votar em Marcelo cujo primeiro mandato foi "uma belíssima surpresa". Quem também disse na TSF que não ficaria "repugnado" com o voto no atual Chefe de Estado foi Carlos César, o presidente do PS que faz uma apreciação positiva do mandato de Marcelo.

Também Ferro Rodrigues já assumiu no ano passado, ao Público, que "não teria dúvidas" sobre votar em Marcelo Rebelo de Sousa.

O apoio oficioso a Sampaio da Nóvoa

O filme não é novo. Nas últimas presidenciais o PS não declarou apoio oficial a nenhum candidato e, desta vez, tudo indica que se prepara para fazer o mesmo. A TSF sabe que no Largo do Rato a ideia ganha cada vez mais força, apesar de as decisões formais não terem sido ainda tomadas.

Em 2016, o partido decidiu não apoiar oficialmente Sampaio da Nóvoa, mas a direção socialista, oficiosamente, esteve ao lado do antigo reitor da Universidade de Lisboa. O presidente do PS, Carlos César, à época, considerou que a candidatura de Sampaio da Nóvoa tinha "a distância partidária útil e suficiente e a proximidade política e estratégica com o PS mais conveniente para um voto consciente de um socialista em Portugal". Ainda assim, o PS decidiu não apoiar ninguém e, desta vez, não deverá ser diferente, mas com um candidato mais à direita.

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