Crise na saúde. "Ou o Governo a resolve ou vai ser complicado justificar-se"

Carlos César diz que este Governo tem um grande desafio em mãos: "ou inverte esta tendência de degradação do SNS nesta legislatura, ou vai ter uma dificuldade muito grande para explicar aos portugueses".

Carlos César acredita que, ou o Governo resolve os problemas na saúde, ou vai ter muita dificuldade em explicar-se aos portugueses. Ouvido no programa "Almoços Grátis", da TSF, o ex-líder da bancada parlamentar do Partido Socialista argumenta que o atual estado SNS inspira cuidados, porque houve um desinvestimento em anos anteriores.

Na perspetiva do socialista, a degradação acumulada implica a necessidade de uma reabilitação e, só depois, a possibilidade de navegar à velocidade-cruzeiro. Carlos César defende assim a "recuperação mais lenta" dos serviços públicos de saúde, e aponta os dois grandes problemas com que a Tutela se debate neste momento: a gestão de recursos humanos e listas de espera.

O ex-líder da bancada parlamentar do PS admite mesmo que será mesmo "um grande desafio deste Governo": ou resolve estas questões, com a inversão desta tendência de degradação ou terá de se justificar aos portugueses. Mas há outros esclarecimentos a fazer, na ótica de Carlos César, nomeadamente quanto ao pacto de permanência no Serviço Nacional de Saúde, que tanta controvérsia tem gerado. "Transformou-se rapidamente numa imposição que nunca foi apresentada como tal", assevera, ouvido por Anselmo Crespo.

No entanto, o socialista garante que o PS é apologista desta estratégia: "Nós defendemos o pacto de permanência." Após a conclusão da especialização, os médicos devem, à volta desse compromisso de manutenção no SNS, receber benefícios por esse acordo. Só que esse acordo, distingue Carlos César, não deverá ser vinculativo, mas celebrado livremente.

Quanto ao compromisso de resolução do problema da saúde em Portugal e de hemorragias em termos de meios e recursos humanos, o socialista lembra que o SNS é um serviço para o qual o Executivo mobiliza mais de dez mil milhões de euros, uma quantia que tem subido nos últimos anos. O ex-líder da bancada parlamentar socialista considera que qualquer ministério, se implica despesas, tem de ser tratado também pela pasta das Finanças. "Tem de haver uma coordenação desse setor com política de finanças públicas", assinala.

Já David Justino diz que atribuir este problema do SNS a décadas de anteriores governos "não resolve o problema", e refere que a pergunta deve ser "o que mudou nos últimos anos". Um "setor que está subfinanciado há décadas", a saúde tem visto o seu estado agravar-se com políticas "que não têm resolvido o problema, mas apenas têm servido para aguentar o barco", acrescenta o vice-presidente do PSD.

David Justino acredita que a atual ministra da pasta, Marta Temido, é "uma excelente comunicadora, mas não resolve" as falhas, mas não culpa individualmente a governante por este desgoverno do Serviço Nacional de Saúde. O social-democrata destaca as divergências entre os deputados, os autarcas, que até participaram na vigília à porta do Hospital Garcia de Orta, e a ministra, o que revela, na sua opinião, uma "clara desorientação" do Executivo.

Há problemas de base por resolver, o que faz com que o Governo tenha a tentação de "disfarçar a falta de medidas estruturais com algum folclore". David Justino pede também que se pare de culpar os governos marcados pela austeridade por questões que poderiam ter sido estancadas nos últimos quatro anos e que continuam sem fim à vista.

É preciso, por isso, de acordo com David Justino, evitar a fuga de profissionais, através de uma regulação que ultrapasse o nível nacional, já que os profissionais abandonam o país para ganhar por vezes mais do dobro do que auferem em Portugal, explica o social-democrata. E é também essencial, conforme defende David Justino, dignificar o trabalho dos médicos, não só em termos de salários como ao nível dos equipamentos disponíveis e horas de trabalho.

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