Crítica da resposta europeia, Marisa Matias vai visitar campo de Moria

Há dezenas de milhares de pessoas a dormir nas ruas da ilha de Lesbos

A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, vai deslocar-se, neste fim de semana, à ilha grega de Lesbos, onde está localizado o campo de Moria para contactar com os refugiados e organizações não-governamentais no terreno. No lançamento da visita, a eurodeputada espera sair da Grécia com "informação real" e deixa críticas à posta da Europa.

Estima-se que os incêndios que destruíram o campo tenham deixado pelo menos dez mil pessoas a dormir nas ruas, três mil das quais serão crianças. "Têm chegado informações de uma situação absolutamente trágica", adianta a eurodeputada à TSF.

As pessoas estão "duplamente cercadas", aponta. "Estão cercadas por movimentos de extrema-direita que bloqueiam o acesso e impedem que chegue ajuda e estão cercadas pelo bloqueio comunicacional do governo grego que só permite a captação de imagens de uma situação aparentemente controlada" e que, garante, não corresponde à verdade.

A Europa, defende Marisa Matias, tem falhado no apoio a quem vive no campo de Moria. "Está a levar muito tempo e está a colocar mais bloqueios do que a dar uma mão a estas pessoas."

Com a possibilidade de colocar os refugiados em barcos para os retirar da ilha a ser estudada, a eurodeputada sublinha que as autoridades gregas já colocaram vários "à deriva no Mediterrâneo" sem que se soubesse o que aconteceu a quem seguia a bordo.

"Não é uma solução admissível, o que é preciso é encontrar um teto e, de preferência, trazer as pessoas para o continente europeu", agilizando uma "resposta solidária".

O grupo de eurodeputados que vai realizar esta visita, do qual faz parte Marisa Matias, espera sair de Lesbos com "informação real do que se está a passar" e com dados para organizar uma resposta mais urgente.

"Se é preciso ir lá pessoalmente para mostrar que o que está a acontecer é uma tragédia, para dar voz a estas pessoas e para ter dados reais sobre o que está a acontecer, então vamos", garante. O objetivo é "que não se cometa um crime ainda maior do que aquele que já está a acontecer".

Entre a noite de 8 e o dia de 9 de setembro, o campo de migrantes de Moria, o maior da Europa, inaugurado há cinco anos no auge da crise migratória, foi totalmente destruído por incêndios, deixando os seus 12.000 ocupantes desabrigados.

A maioria dorme nas ruas, calçadas, campos ou em prédios abandonados. Os migrantes recusam-se a ir para o novo acampamento criado nas proximidades de Moria, temendo não poderem deixar a ilha uma vez lá dentro.

No entanto, cerca de 800 migrantes que estavam há meses ou anos em Moria estão agora alojados no acampamento provisório, fechado à imprensa, apesar do calor, da falta de chuveiros e colchões, segundo testemunhos recolhidos pela AFP.

Estes migrantes temem a animosidade dos habitantes locais, muitos dos quais se opõem à permanência de migrantes em Lesbos.

Incidentes entre requerentes de asilo e residentes, incluindo simpatizantes de extrema-direita, são frequentes na ilha desde o ano passado.

O governador regional do Egeu do Norte, Kostas Mountzouris, um dos maiores opositores do plano do Governo de construir um acampamento fechado na ilha para substituir Moria, convocou empresários e outros profissionais a reunirem-se no final do dia de hoje para exigir "a retirada dos migrantes da ilha a bordo de barcos".

O campo de Moria foi criado em 2015 para limitar o número de migrantes provenientes da vizinha Turquia para a Europa. Mais de 12.000 pessoas viviam no campo, incluindo 4.000 crianças.

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