Da TV para o Governo. Quem é Nuno Artur Silva?

Nuno Artur Silva, de 57 anos, é o novo secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

O que têm em comum os programas Contra Informação, Herman Enciclopédia e Os Contemporâneos, além dos risos que despertam no público? A mão do novo secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva. O fundador das Produções Fictícias e do Canal Q chega agora ao Governo para ocupar uma nova pasta criada pelo Ministério da Cultura. Mas que caminho fez até chegar ao Governo?

Quando lhe perguntam o que faz da vida - e se quiser ser rigoroso - Nuno Artur Silva será obrigado a dar uma resposta demorada, já que são muitos os ofícios criativos em que está envolvido: desde a escrita de ficção, ao guionismo, passando pela produção, pela apresentação de programas e pela criação de empresas e canais de televisão.

Alfacinha de gema e licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa, fundou, em 1993, uma das principais produtoras de programas de humor do país: as Produções Fictícias. No currículo conta com programas fundamentais na História da televisão portuguesa como Herman Enciclopédia, Não és Homem Não És Nada, Os Contemporâneos e Contra Informação - um programa de sátira política que valeu muitas gargalhadas dos espectadores e alguma fúria (mais ou menos camuflada) dos personagens visados.

Ainda no mundo da televisão, Nuno Artur Silva criou, em 2010, o Canal Q, um canal por cabo detido pela Produções Fictícias responsável por projetos - sobretudo, humorísticos - como "Filho da mãe", "Esquadrão do Amor", "Camada de Nervos", "Inferno", "Arena da mentira", "É a vida Alvim", "Paradoxo da Tangência" e "Querido Diário", um programa que conta com a cara do próprio Nuno Artur Silva, mas também de Pedro Vieira e Joana Stichini Vilela.

Foi ainda administrador e assessor criativo de direção de programas da RTP entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2018, ano em que foi anunciado pelo Conselho Geral Independente (CGI) da RTP que não seria reconduzido no cargo. Em causa estaria um "conflito de interesses", uma vez que Nuno Artur Silva detinha a produtora Produções Fictícias e um canal concorrente da RTP, o Canal Q.

Fora da televisão, Nuno Artur Silva é autor de livros como "A Tribo dos Sonhos Cruzados" e "A Elaboração Dos Acasos" e escrever para teatro, sendo coautor de peças como "Conspiração" e "Portugal, uma Comédia Musical" e tendo adaptado para teatro "O que diz Molero", de Dinis Machado.

O novo secretário de Estado ficará com a tutela da comunicação social com participação maioritária do Estado, ou seja a RTP e a Lusa - Agência de Notícias de Portugal.

Em maio de 2018, Nuno Artur Silva afirmava, numa audição parlamentar, que é defensor do modelo do Conselho Geral Independente da RTP, porque representou um sinal de independência e apontou que o problema da empresa é o financiamento.

"A RTP cumpriria melhor se houvesse dinheiro para fazer melhor", afirmou Nuno Artur Silva.

Numa entrevista com a revista Visão, em setembro, questionado sobre o futuro do jornalismo e o seu modelo de negócio, Nuno Artur Silva disse que "se a democracia precisa de jornais, o Estado tem de cobrar uma taxa qualquer para que se paguem projetos jornalísticos, não haverá outra possibilidade".

Também este ano, ao Observador, Nuno Artur Silva considerou que "o cinema português despreza a televisão porque a considera comercial, e não artística, e a televisão portuguesa considera o cinema português elitista, sem ambição de público", algo que encara como um "divórcio" que "tem sido trágico para o desenvolvimento de formatos audiovisuais".

*com Lusa

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