"Desconsideração", "habilidoso" e "hipocrisia". Apoio aos sócios-gerentes gera guerra de palavras na AR

PSD acusou o Executivo de "desconsideração institucional", mas não fica isento de críticas. Em causa, o anúncio de António Costa de apoios aos gerentes de micro e pequenas empresas.

Há oito partidos com propostas de lei para apoio a gerentes de micro e pequenas empresas no âmbito da pandemia, mas o primeiro-ministro acabou por esvaziar um pouco este ponto do plenário desta quarta-feira, na Assembleia da República, ao anunciar durante a manhã que o Governo vai avançar com esta medida.

Algo que não caiu bem nos restantes partidos, com o PSD, que agendou este debate, a acusar o Executivo de desconsideração inconstitucional. "Hoje, tão convenientemente, perante a iminência da decisão desta Assembleia, já veio dizer que se vai antecipar e vai fazer o que não fez e nem era sua intenção fazer. Do meu ponto de vista, no momento em que foi assumido, roça alguma desconsideração institucional pelo parlamento", sublinha o deputado Cristóvão Norte.

Também o CDS, na voz de Telmo Correia, critica o sentido de oportunidade do Governo. "Ao vir anunciar hoje, no dia em que o parlamento discute propostas de vários partidos, é um sinal de um tipo de habilidade política e de desconsideração pelo parlamento absolutamente inqualificável, quando o governo teve muito mais de um mês para ter resolvido este problema", critica.

Mas o PSD não fica isento de críticas, desde logo do Bloco de Esquerda. "Sobre o timing, diga-se que não deixa de ser profundamente hipócrita que este debate tenha sido marcado pelo mesmo PSD que votou contra propostas exatamente iguais no que toca ao alargamento das medidas de proteção aos sócios gerentes das micro e pequenas empresas, nota Isabel Pires.

A crítica é seguida pelo PAN que, na voz da líder parlamentar Inês Sousa Real, saúda "a mudança de postura do PSD e o facto de terem percebido que os compromissos com os eleitores se cumprem no Parlamento e respeitam no Parlamento e não com recadinhos para o Governo". "Tal postura até pode ser muito patriótica ou popular e merecer elogios vindos de Espanha, mas traz um desprezo para com a Assembleia da República enquanto órgão de soberania".

Inês Sousa Real que nota ainda o "espanto" em relação ao Executivo que costuma ter "a agenda legislativa alinhada com o parlamento quando se trata destas matérias".

Também o PCP mirou à direita com Bruno Dias a sublinhar que "o PSD descobriu o problema e apresentou uma proposta uma semana depois de chumbar as do PCP". "Isto significa que os apoios já podiam ter sido aprovados há mais de três semanas, mas o PSD não quis dar resposta", apontou o deputado comunista.

Como que em jeito de "defesa da honra", o socialista Hugo Costa notou que as medidas "estão sempre em constante análise".

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