"Disparate" e "desconsideração". Apelo do PSD para voto no Chega cria desconforto na bancada

Em causa está um email enviado esta manhã por Joaquim Miranda Sarmento em que pode ler-se um apelo ao voto a favor da candidatura de Rui Paulo Sousa.

O apelo de Joaquim Miranda Sarmento para que os deputados do PSD votem a favor do candidato do Chega a vice-presidente da Assembleia da República criou cisões na bancada social-democrata. "Um disparate" e até "desconsideração pela liberdade de voto" são as mensagens que correm depois de, há seis meses, uma pequena percentagem da bancada do PSD ter votado nos candidatos do Chega.

Vários deputados do PSD, ouvidos pela TSF, lembram que esta é a primeira vez que uma direção da bancada faz um apelo por escrito para que os deputados votem num candidato de outro partido, tendo em conta que não há qualquer acordo entre PSD e Chega. Durante os governos de coligação entre PSD e CDS, a votação em candidatos dos dois partidos era "normal".

Fonte da bancada social-democrata critica o apelo "inédito", e questiona se a prática seria idêntica "se o candidato fosse do PCP". "Dizem que até o PCP já teve um vice-presidente, é verdade, mas não foi eleito com os votos do PSD", acrescenta.

O voto em candidatos a vice-presidente da AR é secreto - logo, os partidos concedem liberdade de voto -, pelo que os deputados entendem que esta é uma desconsideração por uma votação que é individual: "Nunca vi na história parlamentar um apelo deste sentido."

O líder parlamentar do PSD apelou esta quinta-feira aos deputados sociais-democratas que votem a favor do candidato apresentado pelo Chega a vice-presidente da Assembleia da República, invocando a "prática parlamentar" que atribui esse cargo aos quatro partidos mais votados.

"Nesse sentido, a direção do grupo parlamentar apela às senhoras e senhores deputados que votem a favor da candidatura apresentada nas eleições se que realizam hoje", escreve Joaquim Miranda Sarmento, num email enviado esta quinta-feira os deputados, noticiado por alguns órgãos de comunicação social e a que a Lusa teve acesso.

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