"É preciso travar onda imperialista da Rússia." BE considera decisão de Putin "absolutamente condenável"

Em declarações à TSF, Luís Fazenda reforça a importância de encontrar "espaço para a "via diplomática" e "diálogo político" para "minimizar aquilo que possam ser escaladas de guerra". Rui Tavares, do Livre, também ouvido pela TSF, alerta que está a abrir-se "uma caixa de Pandora" e defende que as sanções económicas terão um "papel muito importante".

O Bloco de Esquerda condena o que chama de "onda imperialista da Rússia". Ouvido pela TSF, um dos fundadores do partido Luís Fazenda considera inaceitável a decisão de Vladimir Putin que leva a um "extremar de posições" na crise ucraniana.

"Nós só podemos condenar o reconhecimento da independência das repúblicas separatistas na Ucrânia. O processo de paz obrigaria a uma via diplomática, um diálogo político, real e concreto, e não propriamente extremar as posições. A Rússia fê-lo. Isso é absolutamente condenável e esperamos que esta escalada não continue. Há que encontrar o espaço para a via diplomática e para minimizar aquilo que possam ser escaladas de guerra", considera.

Luís Fazenda ainda acredita numa solução diplomática e espera que a Europa esteja à altura do desafio, o que, diz, não aconteceu até agora.

"É necessário que a Europa ganhe o seu espaço neste contexto e quer a França, quer a Alemanha, quer outros países estão a tentar essa via diplomática, de modo a amortecer esta escalada de tensões que pode ter um desfecho muito negativo", afirma, sublinhando que toda a situação "está a ser um teste para a Europa".

"Não é muito normal, do ponto de vista da política internacional, que tenha sido o presidente dos Estados Unidos a anunciar que, se houver uma invasão da Ucrânia, o gasoduto a norte de Nord Stream 2 será encerrado pela Alemanha. Aí há um défice da Europa e um défice da liderança do próprio Estado alemão e é preciso travar esta onda imperialista da Rússia", explica.

"Sanções económicas vão ter papel muito importante." Livre afirma que está a abrir-se uma "caixa de Pandora"

Também em declarações à TSF, Rui Tavares, do Livre, está muito preocupado, porque considera que está a abrir-se uma caixa de Pandora.

"Mesmo o cenário menos preocupante, sublinho, é muitíssimo preocupante, porque o reconhecer a independência de duas regiões separatistas do país vizinho para, logo de seguida, enviar tropas para o desocupar é o tipo de práticas de que ocorreram na Europa nas páginas mais trágicas do século XX que, ao repetirem-se, significa abrir uma caixa de Pandora", explica.

Rui Tavares defende que as sanções económicas serão muito importantes.

"A diplomacia tem que estar sempre em cima da mesa, embora neste momento a presão deva ser feita pelos vários países do mundo e pelos Estados de direitos democrático sobre a elite russa que tem beneficiado da tirania de Putin. As sanções económicas vão ter um papel muito importante e, de resto, vai-se jogar um jogo de nervos muito difícil, porque Putin está, claramente, com vontade que a Ucrânia responda militarmente e, ao responder militarmente, possa ele ter mais uma justificação para poder ocupar territorialmente uma parte do país", acrescenta.

Na segunda-feira, Putin reconheceu os territórios separatistas na região de Donbass, na Ucrânia, como independentes e ordenou a mobilização do Exército russo para "manutenção da paz" em Donetsk e Lugansk.

ACOMPANHE AQUI A ESCALADA DE TENSÃO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

* Notícia atualizada às 11h49

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