"Estou frustrada." Boletim de voto "não chegou"

Nem só na África do Sul houve problemas para os emigrantes portugueses que quiseram exercer o direito ao voto. A TSF relata um caso, ocorrido em Bruxelas, que demonstra como o processo pode ser dificultado.

Em Bruxelas, a portuguesa Yasmine Morais diz ter seguido todos os passos necessários para receber o boletim de voto por correspondência, mas este simplesmente nunca chegou.

É com "estranheza e frustração" que esta filha de emigrantes na Bélgica, onde nasceu há mais de 40 anos, relatou a situação à TSF.

Nas semanas que antecederam as eleições, Yasmine Morais recolheu informação na internet, com a expectativa de estar mais bem preparada e para que nada falhasse. Consultou a internet, na página da Comissão Nacional de Eleições, para perceber todos os detalhes.

"Estive a ver os vídeos a explicar como tinha de se utilizar [o boletim], e fechar a carta e fazer uma cópia do Cartão do Cidadão", afirmou à TSF, acrescentando que esteve "a ver tudo, para fazer as coisas como deve de ser".

O gesto era repetido enquanto esperava que, algum dia, o carteiro lhe trouxesse o envelope com o boletim de voto, com o qual poderia "exercer o dever cívico". Mas tal não aconteceu, e "a carta nunca apareceu", lamentou.

Semanas antes das eleições, a 6 de outubro, já Yasmine Morais estranhava por não ter ainda recebido a carta que já tinha chegado "a várias pessoas", que a alertaram que "alguma coisa de anormal" pudesse estar a passar-se. Sem boletim de voto e cheia de dúvidas, procurou novamente a página da Comissão Nacional de Eleições para se informar.

"Fui verificar se estava bem recenseada, e estou recenseada. Estou recenseada como pessoa vivendo na Bélgica, em Bruxelas", afirmou, sem esconder a frustração por não ter conseguido votar. "Estou frustrada, pois então. Queria cumprir o meu dever cívico", afirmou, lembrando que o voto "é um momento importante para nós que estamos cá fora, de poder fazer uma escolha para o nosso país".

"Os portugueses, normalmente, no exterior estão muito ligados à cultura deles e ao país. Isto [o voto] é um acto de civismo muito importante. E, eu, pronto, estava mesmo contente, de poder fazer isso assim neste método que eles propuseram, de levar a carta a casa, votar e meter a carta no correio", confessou.

Esta portuguesa filha de pais algarvios, "apenas com nacionalidade portuguesa", embora tenha nascido na Bélgica, onde continua a viver com a sua família de três filhos, é funcionária de um dos municípios de Bruxelas, a comuna de Ixelles.

Yasmine diz ter procurado informação junto do consulado, enviando e-mails "para dois endereços diferentes". "Como não tinha recebido boletim, contactei a embaixada, para saber se estavam abertos, no dia 6 [de outubro], para ir votar, mas nunca me responderam", lamentou, mais ainda por "não ter conseguido votar"

O "zero 800 qualquer coisa" que não funciona

O conselheiro da comunidade portuguesa em Bruxelas, Pedro Rupio, diz ter relato de vários portugueses que não receberam boletim de voto. Alguns por "não terem os dados actualizados", mas outros "com tudo em ordem", a quem também não chegou "a carta".

"Chegamos à conclusão de que simplesmente o boletim de voto não foi enviado ou foi perdido, não se sabe bem como nem onde", afirmou à TSF, referindo-se a "muitas pessoas", com as quais verificou que "estavam em ordem".

"A única possibilidade [que têm] é contactar o consulado de Portugal para saber o que é que se passa exactamente", afirmou, já que o número disponibilizado no site da Comissão Nacional de Eleições não funciona para os que votam no estrangeiro.

"Com os poucos recursos que tem a embaixada, suponho que seja difícil responder rapidamente a toda a gente todas as perguntas", afirmou, lamentando que esta seja "a única" opção que resta a quem vive no estrangeiro, pois o número disponibilizado pela Comissão Nacional de Eleições funciona apenas para os portugueses que estejam no território nacional, deixando os que emigraram excluídos do acesso a informação.

"Há um número de telefone que está disponível no site da Comissão Nacional de Eleições, [que] infelizmente só é acessível para os portugueses residentes em Portugal", criticou o conselheiro da comunidade portuguesa em Bruxelas, sobre o "número grátis".

"É um 0800 qualquer coisa, mas, mesmo colocando o prefixo [+351], desde a Bélgica não é possível aceder a essa linha de apoio ao eleitor", lamentou.

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