"Existe marxismo cultural em Portugal"

O presidente do CDS fala pela primeira vez do vídeo de Rui Tavares que passou na Telescola para defender as perguntas feitas ao Governo. "Perguntar não ofende", lembra.

O episódio - que neste caso tem duplo sentido - podia ter ficado confinado nas redes sociais, não fosse a iniciativa da bancada do CDS. Pela caneta da deputada Ana Rita Bessa, seguiram para o Governo um conjunto de perguntas ao Governo sobre a exibição, numa das aulas da telescola, de um excerto de um programa de história da RTP onde Rui Tavares participou em tempos.

Alguns sites de extrema-direita e de fake news começaram por espalhar nas redes sociais a sua indignação por terem visto um historiador, professor universitário e fundador de um partido de esquerda - ainda que sem qualquer cargo atualmente - estar a "dar aulas" sobre o Estado Novo a alunos da telescola. Seguiu-se a indignação do eurodeputado Nuno Melo e, por fim, as perguntas da bancada centrista ao Governo, legitimando o que parecia ser apenas mais uma polémica das redes.

Ainda que seja comprovadamente mentira que Rui Tavares tenha dado uma aula sobre o Estado Novo na telescola, o presidente do CDS não se arrepende das perguntas feitas pelo seu partido: "Perguntar não ofende", atira quando confrontado com a pergunta.

Em entrevista à TSF, Francisco Rodrigues dos Santos explica que as questões levantadas ao Governo tinham como "fito" ficar a conhecer "qual o critério pelo qual Rui Tavares - que é um destacado dirigente político, que representa uma determinada ideia da sociedade e uma ideologia - estava presente" naquela aula.

O presidente do CDS reconhece em Rui Tavares o currículo académico, mas lembra que "não há uma leitura unívoca da história" e que "depende sempre muito do intérprete e da interpretação que se faz da mesma."

As perguntas feitas pelo CDS tinham, por isso, como objetivo "dar eco" a "alguma indignação que estava espelhada nas redes sociais", que na opinião de Francisco Rodrigues dos Santos "são as grandes agitadoras do desassossego e do descontentamento".

Tendo em conta que foi precisamente nas redes sociais que Nuno Melo, eurodeputado eleito pelo CDS, veio expressar as suas críticas à "participação" de Rui Tavares na telescola, não terá sido o próprio Nuno Melo um agitador do desassossego? O presidente centrista ensaia uma defesa do seu eurodeputado para dizer que "no contrato político que existe entre eleitores e eleitos" é preciso, muitas vezes, "dar voz e representação a pessoas que demonstram a sua indignação".

À TSF Francisco Rodrigues dos Santos admite que só viu "dois minutos" do vídeo onde aparece Rui Tavares e que este foi um assunto a que não deu "muito relevo".

O "marxismo cultural"

Francisco Rodrigues dos Santos não tem dúvidas: "existe marxismo cultural em Portugal". O Presidente do CDS consegue encontrar outras formas de o descrever: "subjetivismo, individualismo, relativismo, corrupção, falta de solidariedade, ausência de compromisso, falta de amor intergeracional", mas no final vai dar tudo ao mesmo.

Garante que não está na política para "fazer qualificações sobre o papel dos outros", ou do "espaço que ocupam na política", admite que vê, em Portugal, muita gente que não compreende "que nós não recebemos um legado das gerações anteriores que temos que preservar" e que "ao longo da história há tradições que devem ser respeitadas".

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