"Identifico-me mais com Passos Coelho, mas chamo-me Miguel Pinto Luz"

De todos os presidentes do PSD - com exceção de Sá Carneiro -, é com Pedro Passos Coelho que Miguel Pinto Luz mais se identifica. O candidato à liderança garante que, se for eleito, terá um programa diferente daquele com que o PSD se apresentou às últimas eleições.

"Injustamente, Pedro Passos Coelho levou com o rótulo de perigoso liberal." A defesa do ex-líder do PSD é feita por Miguel Pinto Luz, que agora ambiciona liderar o partido. Convidado desta semana do programa Bloco Central, Pinto Luz "elege" Passos Coelho como o ex-líder com quem mais se identifica (excluindo Sá Carneiro), mas avisa: "Eu não sou Passos Coelho, o meu nome é Miguel Pinto Luz."

Numa coisa o vice-presidente da Câmara de Cascais está de acordo com Rui Rio: "O PSD tem de se posicionar ao centro, porque é ao centro que se ganham eleições." O que significa, assegura, que, se vencer o partido, os que quiserem encostar o PSD à direita "não vão ter grande sucesso". Miguel Pinto Luz lembra que, "sempre que afunilamos, estamos a reduzir" e que isso "foi o que aconteceu desde a década de 1980". O candidato à liderança defende que quando o PSD entra "nessas guerras estéreis de perceber qual é a pureza ideológica do partido, num partido que tem por base um catch all party, só tem a perder".

Pinto Luz contra proposta do PSD para descida do IVA na eletricidade e gás

Mas as divergências políticas agora estão todas centradas no atual líder do partido. A começar por uma das propostas que os sociais-democratas se preparam para apresentar no Orçamento do Estado do próximo ano. Rui Rio quer ver o IVA da eletricidade e do gás descer de 23% para 6%. Uma medida que, para Miguel Pinto Luz, "não faz sentido", sobretudo quando "uma das prioridades do país é atingir a neutralidade carbónica".

O candidato à liderança do PSD avisa que este "roteiro para a neutralidade carbónica é estratégico para Portugal". "Isto não é uma coisinha dos ambientalistas, é algo estratégico para Portugal", defende. Pinto Luz avisa que o país "precisa de fazer duas coisas: exportar mais e importar menos", o que significa que "Portugal tem tudo a ganhar em acelerar o roteiro para a neutralidade carbónica e acelerar esse processo para ser mais independente da importação energética".

O atual vice-presidente da Câmara de Cascais alerta para os perigos de "dar incentivos para que se consuma mais eletricidade" e aponta um caminho totalmente diferente: "Tendencialmente temos é que criar mecanismos para haver contenção nos consumos para acelerar este processo para a neutralidade carbónica."

Ainda sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano - que o Governo entrega na Assembleia da República no dia 16 de dezembro -, Miguel Pinto Luz reafirma que, com ele, o PSD nunca decidirá o sentido de voto sem conhecer o documento. Até porque acredita que, desta vez, "o PS terá que negociar muita coisa à direita". Mas admite: "Dificilmente poderemos votar a favor."

Reforma da Segurança Social não é necessária

Se em campanha é importante vincar as diferenças face aos adversários políticos, Miguel Pinto Luz não parece ter muita dificuldade em fazê-lo, sobretudo em relação a Rui Rio. Já Luís Montenegro é claramente poupado. O vice-presidente da autarquia de Cascais discorda, por exemplo, da visão que Rui Rio tem sobre o novo aeroporto de Lisboa. O atual presidente do PSD tem apresentado reservas em relação à escolha do Montijo e defendido novos estudos para Alcochete, enquanto Pinto Luz considera que "já houve estudos a mais" e que o novo aeroporto deve mesmo avançar na localização escolhida pelo Governo.

Outra das áreas onde o candidato à liderança social-democrata e o atual presidente do PSD estão em desacordo tem a ver com a necessidade de uma reforma para a Segurança Social. No Bloco Central, Pinto Luz afirma: "O desafio da Segurança Social e da sua sustentabilidade com mais ou menos abrangência na discussão entre o PS e o PSD vamos conseguir encontrar um modelo equilibrado." E esse modelo "não tem que ser o modelo sueco. O nosso modelo tem as suas virtudes", assegura.

Pinto Luz elege antes, como grande prioridade, o Serviço Nacional de Saúde, considerando: "Está a ser desmantelado e qualquer dia não temos meios para acudir ao que aí vem."

"Descida dos passes sociais é uma medida justa"

Foi uma das decisões mais marcantes do mandato de Rui Rio, como presidente do PSD: o voto contra a descida do preço dos passes sociais. Miguel Pinto Luz não esquece e lembra que esta foi "uma iniciativa que nasceu dos autarcas do PSD de Lisboa", não compreendendo como é que o partido pôde estar "contra uma medida destas, de justiça social, que aumenta a competitividade das áreas metropolitanas e que dá acesso às pessoas".

Se vencer as eleições diretas do próximo dia 11 de janeiro, Pinto Luz promete um programa diferente daquele com que o PSD se apresentou aos eleitores nas últimas eleições Legislativas. Garante que, ao contrário de Rui Rio, com ele, Mário Centeno nunca poderia ser ministro das Finanças de um Governo social-democrata e acusa o atual líder de ter transformado o PSD "no partido de um homem só".

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