Incidente entre militares e polícia foi "exceção que confirma bom relacionamento"

O ministro da Defesa adianta que as chefias já conversaram e os militares não vão andar armados em operações de apoio no combate à pandemia de Covid-19. Existem 57 militares infetados, dois recuperados.

O ministro da Defesa garante que o incidente, em Vila Real, entre o Exército e a PSP, durante o processo de desinfeção de um lar, foi "a exceção que confirma a regra" de bom relacionamento entre autoridades militares e civis.

Questionado no Parlamento sobre o facto de, na altura, a Polícia Militar estar armada, o que provocou a crítica da PSP, o ministro João Gomes Cravinho adiantou que as chefias militares e da PSP já falaram e que as Forças Armadas não vão andar armadas durante as missões de apoio à Proteção Civil, no combate à pandemia de Covid-19.

"Aquilo que aconteceu foi uma simples correção de um procedimento que já não era adequado à nova situação que se vive com estado de emergência", comentou o ministro da Defesa para garantir que "é a exceção que confirma a regra.".

"A partir desse momento, toda a gente sabe como agir e interagir. Só posso me posso dar por satisfeito que tenha sido um momento de aprendizagem sobre novas regras e não acho que possa haver qualquer tipo de repetição. As hierarquias falaram, as instruções são claras e há total convergência sobre aquilo que são as respetivas orientações", sublinhou João Gomes Cravinho, ouvido na Comissão Parlamentar de Defesa.

Durante esta audição no Parlamento, o ministro da Defesa adiantou ainda que existem, nesta altura, 57 elementos das Forças Armadas infetados com o novo coronavírus, embora dois já estejam a recuperar.

O ministro João Gomes Cravinho precisou que dos 57 infetados, 18 pertencem à Força Aérea, 33 ao Exército e cinco à Marinha, sendo que há um civil infetado, no Estado-Maior-General das Forças Armadas.

Depois do regresso dos militares que estavam destacados no Iraque, e do Navio Escola Sagres, o Governo mandou regressar alguns militares destacados no estrangeiro em programas de cooperação e está a avaliar esses programas "face à realidade", tendo o ministro considerado, em resposta a João Gonçalves Pereira do CDS, que "não será o melhor o momento" para "em maio/junho" porceder à rotação de militares, por exemplo, no Afeganistão.

Entre os contributos das Forças Armadas, o ministro destacou, por exemplo, o facto de o laboratório militar se ter reorganizado para se concentrar na produção de gel desinfetante, quase triplicando a produção, com 2700 litros por dia. o que, pelas contas do ministro "cobre totalmente as necessidades" do Serviço Nacional de Saúde,

João Gomes Cravinho espera que, a partir do dia 13, possa estar disponível o antigo hospital de Belém, com capacidade para 120 a 150 camas. Questionado pelo deputado António Filipe do PCP, sobre se este local não deveria ficar reservado a pensar num novo surto de Covid-19, no inverno, o ministro adiantou que vai depender de decisões da tutela da Saúde, estando para já acordado com a Câmara Municipal de Lisboa, ocupação do local como uma unidade de cuidados continuados.

PSD alerta para "vulnerabilidade" se Programação Militar não for cumprida

Durante a audição do ministro da Defesa Nacional, Carlos Reis, do PSD, considerou que "se vamos tirar verbas da Lei de Programação Militar, não vamos permitir que ela seja executada. Ficaremos vulneráveis a ameaças", disse o deputado social-democrata sublinhando a importância do patrulhamento da costa.

Ainda no capítulo da Lei de Programação Militar (LPM), o PSD, pela voz da deputada Ana Miguel dos Santos reforçou a importância de aumentar a capacidade de aplicar a LPM lembrando que o" investimento que está a ser feito no apoio sanitário ficou só com 69% de execução".

Na resposta, o ministro da Defesa concordou que, depois da pandemia, "voltarão outras dificuldades e outras ameaças", para as quais as Forças Armadas têm de "estar preparadas". "Não tenho, de todo, o ponto de vista de que se deva adiar a Lei de Programação Militar", garantiu Gomes Cravinho afirmando até que seria "uma grande irresponsabilidade" não adquirir os meios necessários para as funções das Forças Armadas, como "patrulhar o oceano" ou o "trabalho de aquisição de capacidade de transporte estratégico", vincou.

João Vasconcelos do Bloco de Esquerda tinha sugerido que, neste momento de crise sanitária, "seria de bom tom suspender, ou pelo menos adiar, a Lei de Programação Militar", canalizando as verbas para saúde.

Em resposta a Inês Sousa Real do PAN, o ministro da Defesa disse ainda que os militares estão a apoiar a distribuição de alimentos aos sem-abrigo e que está a ser estudada a possibilidade de abrigos em instalações que pertencem às Forças Armadas.

Nesta reunião no Parlamento, o ministro João Gomes Cravinho manifestou também a convicção de que, passada a crise da Covid-19 será necessário tomar medidas para enfrentar a situação "grave" da falta de efetivos nas Forças Armadas.

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