CGD só soube em 2008 que tinha concedido 4,6 mil milhões de euros para ações

Norberto Rosa, administrador da Caixa Geral de Depósitos entre 2005 e 2013, revela que só em janeiro de 2008 é que o banco ficou a perceber qual o destino dos empréstimos que tinha concedido.

O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Norberto Rosa disse hoje no parlamento que só em janeiro de 2008 é que o banco percebeu que tinha concedido 4,6 mil milhões de euros de crédito para adquirir ações.

"Em janeiro de 2008 é que tivemos noção que havia uma grande quantidade de créditos garantidos por ações", disse Norberto Rosa aos deputados, na sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD.

Norberto Rosa explicou que "não havia essa informação agregada", e que depois de se descobrir que havia 4,6 mil milhões de euros de crédito concedido para compra de ações, esse valor foi reduzido para 2,9 mil milhões até 2012.

O ex-administrador admitiu que "o risco de mercado era elevado" nestas operações.

A questão surgiu pela voz da deputada do PS Constança Urbano de Sousa, que questionou Norberto Rosa sobre o crédito de 350 milhões de euros concedido à Fundação José Berardo para aquisição de ações do BCP.

O atual secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos (APB) afirmou, no entanto, que o contratualizado com a Fundação do empresário conhecido como Joe Berardo foi para "financiar dívida junto do BCP e para a aquisição de diversas ações", nomeadamente "dos principais índices europeus", que "tinham de ser autorizada pela CGD".

Norberto Rosa confirmou também que o aval pessoal do empresário foi dispensado mediante a apresentação das contas da Fundação José Berardo, e que foi aprovada uma autonomia financeira de 20% à entidade, "um aspeto muito importante" em termos de reforço da posição da CGD.

Na sua intervenção inicial, o ex-administrador da CGD garantiu que as contas do banco "sempre refletiram de forma adequada" o que se passava no banco e que foram sempre aprovadas por auditores internos e externos.

Norberto Rosa disse ainda que "não tinha e não teria obrigação de ter um conhecimento tão profundo de cada caso em análise" no relatório da EY, se não tinha "responsabilidade nas áreas comerciais e de risco de crédito".

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