Silêncio do Presidente? "Analista Marcelo disse ao Presidente Marcelo que era melhor esperar"

A agenda do Presidente da República está em branco desde 1 de maio. Nunca Marcelo esteve tantos dias sem falar aos portugueses.

Chegou o dia. É já esta sexta-feira que o Parlamento vota o diploma que pretende garantir aos professores a contagem integral do tempo de serviço. Até agora, Marcelo Rebelo de Sousa ainda não falou sobre o assunto, mas tudo indica que o silêncio será quebrado.

As posições dos partidos fazem antever que o documento não deve passar pelo crivo dos deputados: CDS e PSD vão apresentar uma proposta que pretende garantir que a medida só avança se for assegurada uma salvaguarda financeira.

Se esta salvaguarda for rejeitada - BE e PCP já disseram que a vão chumbar - os partidos da direita rejeitam a contagem do tempo, juntando-se assim à posição assumida pelo PS e fazendo o diploma cair por terra.

Com o desenrolar deste episódio que abalou a política portuguesa, muitos estranharam a ausência de uma voz que tem habituado os portugueses a fazer-se ouvir: a do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

É precisamente depois desta votação no Parlamento que o Presidente da República deve quebrar o silêncio: nunca, neste mandato presidencial, Marcelo esteve tanto tempo fora dos holofotes. Para o comentador de política da TSF, Paulo Baldaia, houve uma conversa entre o analista Marcelo e o Presidente Marcelo.

"Como a situação era muito delicada, julgo que o analista Marcelo Rebelo de Sousa disse ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa que era melhor esperar para ver no que é que isto ia dar. Esta visão não é minha, é de fontes de Belém, que a colocaram cá fora para explica o silêncio" do Chefe de Estado, explica Paulo Baldaia.

Desde o dia 1 de maio que a agenda do Presidente está em branco. Pelo meio, Assunção Cristas já pediu uma audiência mas, confirmou fonte do CDS-PP à TSF, ainda está por agendar. Paulo Baldaia nota que Marcelo Rebelo de Sousa se resguardou para depois da votação final global. E há uma justificação válida.

"Guardou-se para esta altura. Ora, se se guardou para esta altura, em que se votasse no Parlamento, em que deixasse de ser um problema para resolver noutro órgão de soberania, Marcelo entendeu que devia ficar à espera para passar a ser com ele. Se fez assim para falar com os portugueses sobre a matéria, faz sentido que explique também ao CDS e a Assunção Cristas que falará depois do assunto estar resolvido na Assembleia da República. Tem esta justificação válida de que, estando um problema desta magnitude a ser resolvido no Parlamento - um outro órgão de soberania - entendeu que só deveria entrar no jogo quando passasse a ser com ele", explica o comentador da TSF.

Ainda assim, a estratégia acarretou riscos. Paulo Baldaia lembra, por isso, um outro episódio da política nacional em que outro Presidente entrou logo em cena: o da "crise irrevogável de Paulo Portas".

Na altura, Cavaco Silva era o Presidente da República e "de imediato, entrou no jogo para evitar que houvesse uma demissão do Governo como consequência da demissão de um dos parceiros da coligação", lembra.

Fazendo a ponte para esta crise com os professores, Marcelo "entendeu que o mais lógico era que esta crise ficasse esvaziada porque alguém iria recuar. Arriscou. Se a crise tivesse ido noutro sentido, Marcelo Rebelo de Sousa arriscava-se a ser muito criticado por não ter feito tudo" para a evitar, defende Paulo Baldaia.

A votação deste diploma ocorre a partir das 10h da manhã desta sexta-feira.

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