Rio e Montenegro, os candidatos à liderança do PSD
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Lisboa, menina e moça, rioista ou montenegrista? Candidatos na caça ao voto na capital

Lisboa escolheu Pinto Luz à primeira volta com 38,5% dos votos. Montenegro ficou em segundo (32,7%), Rio em terceiro (28,7%) e ambos os candidatos ambicionam os mais de 1500 votos do autarca de Cascais. Nas poucas ações de campanha desta semana, Rio dá 6 motivos para os lisboetas votarem nele, Montenegro aposta no "discurso ao país".

"É difícil, mas olha como foi em 86 com o Mário Soares". Frase ouvida à porta da ação de campanha de Luís Montenegro, em Oeiras, no distrito de Lisboa, numa conversa entre dois militantes. E é com esse espírito que as forças que vêm de dentro da candidatura do antigo líder parlamentar se esforçam por virar o resultado da primeira volta nas diretas do PSD.

Desde logo, na produção. Um grande painel eletrónico com a imagem de candidatura de Montenegro onde durante a noite passaram dois vídeos que se pretendem galvanizadores e com os soundbytes todos da campanha e do rumo até aqui. Mas se a produção é elevada na campanha de Montenegro, na de Rio, apesar de não haver grandes ecrãs, transpira-se confiança com os resultados do passado sábado. Mas já lá vamos...

À parte da troca de argumentos entre Rio e Montenegro sobre eventuais promessas em troca de apoios (ambos os candidatos negam a prática e acusam a candidatura adversária de o fazer), o candidato de Espinho entra ao ataque a Rio, mas demora pouco porque centra-se no país como se em campanha legislativa estivesse.

Repetindo o argumento de que "cada candidato tem, neste momento, zero votos", Luís Montenegro não reconhece derrotas, prefere falar num "equilíbrio" e numa "prevalência daqueles que manifestaram vontade de mudar".

Com agradecimentos a novos apoiantes que trocaram Pinto Luz pela "força que vem de dentro" e que marcaram presença em Oeiras (Carlos Carreiras, Bruno Vitorino, Alexandre Poço e Ângelo Pereira, entre outros), Montenegro dispara dizendo que esta é a "última oportunidade" para "mudar o PSD". "Quem quer mudar o PSD, quem quer um PSD diferenciado do PS, quem quer um PSD a constituir-se como oposição firme e exigente, mas também como alternativa audaz, arrojada, corajosa, consistente, credível, quem quer mudar só tem uma oportunidade no próximo sábado", diz Montenegro utilizando mudanças no tom de voz consoante a força com que quer passar a ideia e aproveitando as pausas dramáticas.

Notando que a outra candidatura já assumiu que "não quer mudar nada", Montenegro destaca que "o atual presidente do PSD e candidato já teve a sua oportunidade". "Ele não pode queixar-se de não ter tido a sua oportunidade", diz antes de escalar nas acusações.

"Ele quer continuar a fazer tudo na mesma, até chega a dizer que pode vir a perder as próximas legislativas e vai preparar, em paralelo, o seu sucessor, como se ele fosse proprietário da vontade dos militantes do PSD", diz Montenegro sublinhando que o PSD nunca foi uma dinastia.

A partir daí, o foco dirigiu-se para uma mensagem nacional e de posicionamento contra António Costa e o Partido Socialista e é aí que gasta grande parte do discurso. "O adversário não se chama Rui Rio, chama-se António Costa, chama-se PS, chama-se impasse, falta de ambição, deixa andar, o rame-rame em que Portugal vive há quatro anos, esse é que é o adversário do PSD", nota.

Considerando que, no caso de Costa, "palavra dada não foi palavra honrada" e com exemplos da deslocalização do Infarmed para o Porto ou da promessa de médico de família para todos os portugueses, Luís Montenegro ainda ressuscita, em 2020, os tempos da troika: "Nós pusemos a troika a andar, fomos nós que tirámos a troika de Portugal".

Com três vivas a Portugal e com o hino nacional, Montenegro termina a última ação pública de campanha em jeito de comício. À saída, entre militantes, a matemática do próximo sábado era o tema mais do que óbvio de conversa.

Dramatiza de um lado, dramatiza do outro

Mas antes de Montenegro subir ao palco para a última ação de campanha, Rui Rio também não deixou nada por dizer. Se Montenegro teve apoiantes de Miguel Pinto Luz, Rui Rio também os teve; se Montenegro teve casa cheia, Rui Rio não ficou atrás. E os sorrisos da estrutura rioista não enganam: há confiança para o resultado de sábado.

E, em plenas Avenidas Novas, Rio quis deixar claro as razões pelas quais os militantes devem colocar a cruz ao lado do nome dele. Depois de uma intervenção de Mira Amaral (que na primeira volta apoiou Pinto Luz), o recandidato a presidente do partido também não poupou na dramatização à semelhança de Montenegro.

"Para sábado à noite falta pouco, muito pouco, mas para domingo falta um bocado mais". Palavras de Rui Rio sobre a visão para o futuro e que passa por acabar completamente com a oposição interna. "Se o resultado for 51-49, não sei se aqueles que andaram estes dois anos a infernizar a vida do líder, a infernizar a direção nacional, aprendem alguma coisa ou não vão voltar outra vez ao mesmo e dar cabo da estabilidade do partido", diz Rio arrancando aplausos da plateia.

"Para se ganhar efetivamente é preciso ganhar por bastante mais do que por um [ponto percentual]", destaca o recandidato a líder que vai mais além e também veste a pele de candidato a primeiro-ministro.

Realçando que a unidade se faz mais rapidamente com aquele que é "notoriamente mais forte", Rio sublinha que "reforçar o mais forte é dar mais força ao PSD e dar mais força ao PSD é dificultar o tempo de vida útil da geringonça". "Quanto mais fortes nós formos, quanto mais unidos nós estivermos, mais fácil é a geringonça enfraquecer", destaca o social-democrata.

Para Rio, as outras razões pelas quais os militantes devem confiar nele são o facto de o partido não poder estar "permanentemente a mudar de líder", o facto de os portugueses e da "sociedade lá fora" gostarem mais dele do que de Montenegro ("em cada canto e em cada esquina, oiço que se tivéssemos aberto a primárias tinha sido ganho"), e ainda a já velha máxima do seu "desprendimento pelo poder".

27 minutos de discurso depois, Rui Rio ouve os aplausos na esperança de recolher o maior número de votos possível no próximo sábado. Rio que não ouviu os apoiantes de Montenegro a falarem à entrada do "comício de Oeiras", mas uma coisa ele tem certa: não vai ser o Freitas do Amaral em 1986.

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