Luís Montenegro quer liderar um "PSD à Cavaco"

Antigo líder parlamentar garante na TSF que quer um PSD "forte, mobilizado e basista", ou seja, um "PSD à Cavaco". Em semana de eleições no PSD, Luís Montenegro diz que, em caso de vitória, contará com todos os deputados do grupo parlamentar, nega parcerias com o Chega e garante consciência tranquila em relação à oposição que fez a Rio.

Vai à luta para reeditar um "PSD à Cavaco". É ousado no objetivo, mas Luís Montenegro acredita ser possível ressuscitar "um PSD forte, mobilizado, basista, com ligação muito íntima à sociedade civil". Como toda a gente que se propõe a eleições, acredita numa vitória e já à primeira volta, e por isso joga as cartas todas na continuação dos ataques a Rio.

Outrora admitiu exageros de alguns no dificultar do caminho de Rui Rio, mas ele diz ter consciência tranquila: "Nenhuma quota-parte de culpa, nenhuma mesmo!" "Não fui oposição interna, nunca tive nenhuma estrutura que contrariasse as posições políticas do PSD. Houve algum nível de conflitualidade interna, mas partiu de quem lidera", disse o candidato a líder em entrevista na TSF.

Questionado se o desafio à liderança de Rio menos de um ano depois da tomada de posse não se perfila como oposição interna, Montenegro diz que era necessária uma "clarificação" naquela altura por estar a ser seguida uma estratégia que lhe parecia errada por parte da direção de Rio. "Teria sido benéfico para o partido que os militantes tivessem sido chamados a pronunciar-se sobre isso (...) antes de começarmos o ciclo eleitoral", nota o antigo líder parlamentar.

Mas voltando aos ataques a Rio, Montenegro ressalva que "do ponto de vista pessoal" não tem nada contra o presidente do PSD. Mas do ponto de vista político... "Acho que a estratégia que traçou, na base da divisão, da provocação, da conflitualidade, criou uma imagem à volta dele e do PSD que não deu fiabilidade junto do eleitorado", destaca Montenegro sublinhando os maus resultados do PSD nas últimas eleições europeias e legislativas.

Mais: não lhe chama populista, mas lembra aquilo que tem escrito na moção. "Temos de ter um posicionamento moderado, que possa ser mobilizador e que não pode assentar no populismo das nossas propostas, nem naturalmente no modo de funcionamento unipessoal e autocrático". Críticas que ao longo dos últimos meses a fação de Montenegro tem apontado ao atual líder do PSD.

André Ventura não defraudou PSD, mas não conta com ele para o futuro

Olhando para a frente e para a hipótese de se sentar na cadeira de presidente do PSD, Luís Montenegro enche-se de ambição. Além de querer reeditar o "PSD à Cavaco" nos princípios, também aspira à maioria absoluta. "A melhor forma de lá chegar é ter 50% dos deputados mais um, é isso que fixo como objetivo para o PSD, sei que é ambicioso, que muita gente acha que é irrealista, mas já aconteceu", sublinha o social-democrata notando que "ninguém vai escamotear essa dificuldade", mas que é "preciso acreditar que é possível".

Nem que para isso existam acordos como aconteceram no passado. CDS é o parceiro natural, mas também Iniciativa Liberal ou até o Aliança de Pedro Santana Lopes podem estar na calha para eventuais parcerias. Já o Chega, nem por isso. "Tal qual como se apresenta aos portugueses, não vejo essa possibilidade como viável", nota.

Ainda assim, sobre André Ventura e a forma como se comportou quando foi candidato a Loures com a camisola do PSD nas autárquicas, Montenegro tem uma opinião positiva. "A candidatura que ele protagonizou em Loures foi uma candidatura que, francamente, não deslustrou o PSD. Ele defendeu um programa eleitoral que não era contrário ao PSD", diz.

Vitória e à primeira volta?

Nos bastidores das candidaturas, ninguém assume taxativamente que as eleições internas ficam resolvidas à primeira volta, apesar de os candidatos publicamente fazerem as naturais declarações de "crença na vitória" e de "à primeira". Luís Montenegro assume-o e segue o exemplo de Rui Rio ao pedir que o sufrágio decorra com toda a "regularidade democrática". Mais: "exijo um processo claro, transparente e respeitador das regras". E aí Montenegro atira a responsabilidade para a atual direção: "quem tem de o garantir é quem está hoje a comandar o processo".

Ainda assim, Montenegro não perde uma oportunidade para tacadas a Rui Rio. Recuperando a polémica do pagamento de quotas, o candidato de Espinho denuncia que houve "um pagamento massivo de quotas" nas últimas 48 horas em que era possível regularizar os pagamentos por parte de estruturas cujos apoios caem para o lado de Rui Rio. Ainda assim, dizendo que não quer recuperar essa discussão, Montenegro diz estar à espera de "uma decisão convicta" da parte dos militantes, pedindo que não haja "nenhum fenómeno anómalo nas eleições de sábado".

E na Madeira essa é uma hipótese. Ainda ontem o secretário-geral do PSD Madeira admitia a possibilidade de cerca de 2500 militantes poderem votar no sábado, mesmo aqueles que não o fizeram de acordo com as novas regras. Já depois da entrevista, Montenegro diz esperar que o Conselho de Jurisdição esteja atento a essa situação.

Contra a eutanásia (mas sem posição fechada)

Questões interna à parte, ainda houve tempo para um assunto fraturante na entrevista na TSF. A questão da eutanásia vai marcar a legislatura e Montenegro afirma não ter uma posição fechada. "A minha posição de principio é mais contra do que a favor, mas não tenho posição fechada sobre essa matéria", nota.

Sublinhando a necessidade de "muita participação" e de "muito esclarecimento" na questão da eutanásia, Montenegro sublinha que não deve ser o parlamento a tomar uma decisão sem consultar os portugueses por correr o risco de "tomar decisões que possam não corresponder à vontade maioritária".

E sobre parlamento e voltando às questões internas porque é o prato do dia no PSD, Montenegro diz contar com a atual bancada se chegar à liderança do partido. Primeiro, não há maneira de mudar os deputados, mas qualquer das formas, Montenegro é claro: "Este é o meu grupo parlamentar e, sobretudo, do PSD. Foram os eleitores que elegeram estes 79 deputados, conto com todos eles para o trabalho político que temos pela frente".

Numa bancada onde tem muitos opositores (mas também apoiantes), Montenegro sublinha que há no grupo "capacidade política de intervenção suficiente para arranjar uma boa solução diretiva no grupo parlamentar". "Não vamos dizer que todos os deputados têm à partida a mesma condição para o exercício dessa função, mas há lá vários que têm capacidade, experiência e potencial político para liderarem a bancada", nota.

E aqui, para terminar, mais uma farpa para o atual presidente: "Rui Rio nunca foi capaz de dizer o que eu disse nas duas últimas semanas: este será o meu grupo parlamentar".

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