Marcelo e a polémica entre Câmara do Porto e DGS. "Reparos fazem parte do processo"

Marcelo Rebelo de Sousa esteve ao telefone com o Presidente italiano e com as confederações. Questionado sobre a mais recente polémica entre a autarquia do Porto e a DGS, o chefe de Estado desvalorizou o desentendimento.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta segunda-feira que é normal a existência de "reparos" entre os vários órgãos de poder do país num período como aquele que Portugal atravessa.

Confrontado com a contradição de declarações entre a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que afirmou, em comunicado, que a sua autarquia "não foi informada nem aceita" a implementação de um "cerco sanitário" no concelho", Marcelo desvaloriza.

"É normal haver autarcas a discordar disto ou daquilo, faz parte do processo tal como as primeiras declarações da OMS, quando isto surgiu, apontaram para um fenómeno regional, depois o processo mostrou que não era bem assim. Hoje sabemos que o processo é este e queremos ter o máximo de elementos sobre a sua situação", sublinha o Presidente.

Esta segunda-feira, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu que a implementação de uma cerca sanitária no Porto, acrescentando mesmo que a decisão final poderia ser tornada pública até ao final do dia. A autarquia reagiu com um forte protesto em forma de um comunicado no qual deixa de reconhecer autoridade à Direção-Geral da Saúde.

Renovação do estado de emergência? "Acho prematuro falar antes de ouvir os especialistas"

Marcelo Rebelo de Sousa recusa falar já sobre uma renovação do estado de emergência em que Portugal se encontra desde 19 de março. Questionado, no Palácio de Belém, sobre se iria propor essa renovação, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que ainda é cedo para prever os passos seguintes e que os especialistas devem ser ouvidos.

"Proponho aquilo que entendo que é necessário para a situação. O Parlamento debate e, se for caso disso, aprova no dia seguinte de manhã. Acho prematura falar antes de ouvir os especialistas e antes de ultimar os contactos com o Governo", afirma.

Governo de salvação admitido por Rio "é pôr o carro à frente dos bois?" Marcelo diz que sim

Sobre se será necessário formar um Governo de salvação nacional depois de ultrapassada a pandemia, o Presidente afirma que falar já dessa hipótese é o mesmo que falar já nas eleições presidenciais, ou seja, é "congeminar sobre um futuro longínquo".

"Temos o Governo que temos, temos a unidade nacional no Parlamento que temos, temos a prioridade que temos, que é resolver este problema. Estar agora a imaginar o que se vai passar depois de um processo que está em curso é um exercício puramente especulativo", afirma Marcelo Rebelo de Sousa.

Este domingo, em entrevista à RTP, o líder do PSD, Rui Rio, questionado sobre o futuro político do país depois do Covid-19 admitiu que "o Governo que vier vai ser sempre de salvação".

"Vai haver uma quebra do PIB monumental"

Entre os impactos económicos desta pandemia está a quebra do PIB mas, para Marcelo, a prioridade agora é lutar contra a doença e é por isso que os portugueses têm de estar unidos.

"Vai haver uma quebra do Produto Interno Bruto monumental, vai ser necessária uma reconstrução económica e social tal como nos outros países. Neste momento a prioridade é esta. Quando chegar a outra prioridade, lá estaremos para enfrentá-la e espero que estejamos o mais unidos possível. Entre as duas, esta é mais difícil. Das outras temos tido muitas, crises económicas e sociais, agora uma crise de saúde como esta, imprevisível, universal, de fim ainda indeterminado e galopando sobre uma crise económica e social, isso nunca tínhamos tido. É uma experiência nova", sublinha o Presidente.

Confederações querem celeridade no lay-off

As palavras do Chefe de Estado chegaram aos jornalista após uma reunião com a Confederação do Comércio e com a do Turismo, em que ambas pediram que o lay-off seja colocado em prática o mais rapidamente possível.

"Um e outro disseram que o lay-off, colocado rapidamente no terreno, é um mecanismo que pode ajudar imenso. O comércio tem pequenos comerciantes fechados, mas que já estão a pensar no momento em que poderão reabrir. Já o turismo depende da conjuntura internacional. É muito importante que no segundo semestre deste ano possamos fazer uma recuperação", explica Marcelo Rebelo de Sousa.

"Itália está convencida que dentro de dias entra numa viragem da curva"

Em conversa, também esta segunda-feira, com o Presidente italiano, Sergio Mattarella, o Presidente da República partilhou preocupações sobre a pandemia do novo coronavírus.

"Trocámos impressões sobre qual é o papel dos Chefes de Estado para apoiarem os seus governos naquilo que está permanentemente a ser avaliado em Bruxelas", revelou.

Esta segunda-feira, o primeiro-ministro, António Costa, deixou o aviso de que abril vai ser o mês mais crítico da pandemia do novo coronavírus para Portugal e, por isso, os portugueses têm de estar preparados.

"O país vai entrar no mês mais crítico desta pandemia e é por isso fundamental que nos preparemos para este mês que vamos ter pela frente. Os nossos hospitais têm vindo a dar resposta às necessidades, estamos a fazer tudo para que continuem a dar resposta, mas obviamente que se a pandemia continuar a evoluir como está projetado que venha a estar, é fundamental podermos ter estas unidades de retaguarda", alertou o chefe do Governo.

Foram confirmadas 140 mortes e 446 novos casos de contágio por Covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas, elevando para 6408 o número de pessoas infetadas pela doença, segundo o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

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