Polémica "esclarecida". Mário Centeno fica no Governo

O primeiro-ministro e o ministro das Finanças estiveram reunidos para esclarecer o caso Novo Banco. Costa reafirma a sua confiança "pessoal e política" em Centeno.

Mário Centeno vai continuar no Governo. Apesar dos desencontros com o primeiro-ministro a propósito da transferência dos 850 milhões de euros para o Novo Banco - que foram discutidos na reunião que decorreu esta quarta-feira em São Bento entre António Costa e o ministro das Finanças - a saída de Mário Centeno, a um mês do Conselho Europeu sobre o plano de recuperação económico europeu e a dois meses do fim do mandato como presidente do Eurogrupo seria considerado por muitos "inexplicável".

O encontro entre António Costa e Mário Centeno na residência oficial do primeiro-ministro terminou por volta das 23h00. Em comunicado divulgado pelo gabinete de António Costa, confirma-se que um dos pontos abordados foi a "falha de informação" relativa à injeção de capital no Novo Banco.

"Nesta reunião ficaram esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou", lê-se no comunicado enviado à TSF.

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Na conversa entre Centeno e Costa "ficou também confirmado que as contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo".

Refere-se que foram auditadas, "em primeiro lugar, pela Ernst & Young, auditora oficial do banco; em segundo lugar, pela Comissão de Acompanhamento do mecanismo de capital contingente do Novo Banco, composta pelo Dr. José Bracinha Vieira e pelo Dr. José Rodrigues de Jesus; e ainda pelo agente verificador designado pelo Fundo de Resolução, Oliver Wyman".

"Este processo de apreciação das contas do exercício de 2019, não compromete a conclusão prevista para julho da auditoria em curso a cargo da Deloitte e relativa ao exercício de 2018, que foi determinada pelo Governo nos termos da Lei nº 15/2019, de 12 de fevereiro", acrescenta-se no comunicado.

Na mesma nota, o gabinete do primeiro-ministro esclarece ainda que António Costa e Mário Centeno estiveram reunidos "no quadro da preparação da próxima reunião do Eurogrupo, que terá lugar sexta-feira, e da definição do calendário de elaboração do Orçamento Suplementar que o Governo apresentará à Assembleia da República durante o mês de junho".

"O primeiro-ministro reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno", conclui o comunicado.

Além da questão do Novo Banco, a mesma nota refere ainda que Costa e Centeno tiveram a preparar a próxima reunião do Eurogrupo, que terá lugar na sexta-feira, onde também foi discutido o Orçamento Suplementar que o Governo apresentará no parlamento durante o mês de junho.

A saída de Mário Centeno do Governo foi defendida por Rui Rio depois da polémica em torno da transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco através de empréstimo ao Fundo de Resolução.

E, sobretudo, depois de Mário Centeno ter afirmado esta semana, em entrevista à TSF, que a transferência do dinheiro resulta de um acordo do Estado português com a Lone Star.

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