Mudanças nos escalões do IRS? Para partidos, intenção de Costa é boa mas "sabe a pouco"

Os partidos que têm apoiado a solução de Governo à esquerda consideram que é possível fazer mais em relação aos escalões do IRS, para promover uma maior justiça fiscal.

Os partidos que têm ajudado à viabilização dos Orçamentos do Estado do Executivo socialista são a favor da remodelação dos escalões do IRS sugerida pelo primeiro-ministro, António Costa. PCP, PEV e PAN afirmam, no entanto, que é preciso transformar as intenções em ações e recordam as propostas já apresentadas anteriormente neste sentido.

Esta segunda-feira, em entrevista à TVI, António Costa confirmou que o Governo está a estudar "o desdobramento" do terceiro e do sexto escalões do IRS, uma medida que poderá estar inscrita na proposta de Orçamento do Estado para 2022.

"Já fizemos um primeiro desdobramento dos escalões, tivemos de adiar um segundo desdobramento, estamos neste momento a fazer um trabalho muito sério, que é mais um desdobramento. Há dois escalões que têm sobretudo de ser mexidos: o terceiro, que cobre os 10 mil e 20 mil euros de rendimentos, e o sexto escalão, com rendimentos de 36 mil a 80 mil euros", admitiu o primeiro-ministro.

O PCP espera que o Governo se "chegue à frente" e passe das palavras aos atos. Em declarações à TSF, Jerónimo de Sousa defendeu que é necessário ir mais longe nas mexidas dos escalões para que haja justiça fiscal.

"Já existiram dez escalões, creio que isto deveria ser uma boa referência para existir mais justiça fiscal", declara o secretário-geral do PCP.

"É evidente que o Governo tem de se chegar à frente. Nós elaborámos um conjunto de propostas, onde está a política fiscal. O que é decisivo é o Governo colocar em cima da mesa aquilo que, por enquanto, são meras intenções", atira.

Também o PAN considera que a sugestão de António Costa para as alterações nos escalões "sabe a pouco" e lembra as propostas que o partido já tinha apresentado, para o Orçamento do Estado do último ano, sobre esta matéria.

"Não obstante vermos como positivo esta aproximação do Governo a uma medida há muito reclamada pelo PAN, é evidente que queremos ir mais longe", refere Inês Sousa Real, em declarações à TSF.

"Se, efetivamente, queremos garantir que há uma retoma financeira e que se compensa, de alguma forma, a perda de rendimentos das famílias, também do ponto de vista fiscal é necessário dar estes avanços e sabe a pouco mexer apenas nestes dois escalões", nota a deputada, indicando que é entre o terceiro e o sexto escalão que se encontra "cerca de 54% da população que faz os seus descontos".

Pelo PEV, a receção ao anúncio feito pelo primeiro-ministro é positiva. Ouvido pela TSF, o líder parlamentar dos "Verdes" diz ver "com agrado" a disponibilidade do Executivo socialista para mudanças.

"Este anúncio feito pelo primeiro-ministro veio ao encontro daquilo que "Os Verdes" têm vindo a defender desde que o PSD e o CDS reduziram de oito para cinco os escalões do IRS", constata José Luís Ferreira.

"Estamos a falar de dois escalões (...) que são balizas muito largas do ponto de vista dos rendimentos e que não contribuem nada para a receita do Estado, por isso registamos com agrado esta disponibilidade do Governo, vamos ver agora como se materializa", finaliza.

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