"Não estiveram bem." César critica Ferro Rodrigues na polémica do 25 de Abril

Socialista considera que presidente da Assembleia da República e conferência de líderes "não estiveram bem" por "não esclarecerem, dramatizando e deixando dramatizar o que deveria ser um ato natural da democracia".

A crítica ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e à conferência de líderes pela forma como foi conduzido o processo da cerimónia do 25 de abril vem de dentro do PS. No habitual espaço de comentário da TSF, Almoços Grátis, Carlos César defendeu que as duas entidades "não estiveram bem" e que se tratou da "polémica mais desnecessária dos dias que vivemos".

"A conferência de líderes e o presidente da Assembleia da República não estiveram muito bem neste processo", salientou César, considerando que "não esclarecerem oportunamente o que deviam ter esclarecido" e "deram espaço aos que nunca gostaram desse momento essencial da vida portuguesa, dramatizando e deixando dramatizar o que deveria ser um ato natural da nossa vida parlamentar e da nossa democracia".

Já para David Justino, vice-presidente do PSD e também comentador do programa, a confusão gerada entre defensores e críticos da realização da cerimónia no próximo sábado não é mais do que uma "polémica estéril". Explicando que, apesar de há muitos anos "discordar e não se rever no tipo de cerimónia que é feito", o social-democrata disse que não vê "qualquer argumento válido que seja decisivo" para que não se realize".

"Se a Assembleia reúne para o regular debate quinzenal com o primeiro-ministro, ou com um quinto dos deputados para debater estado de emergência ou outros debates, porque é que não há-de reunir para realizar o 25 de abril?", questionou David Justino, acrescentando que "qualquer pessoa de bom senso entenderá que os argumentos que são aduzidos para não se realizar a cerimónia são argumentos relativamente fracos e frágeis".

Os aumentos da função pública e as críticas de Rio

Menos frágeis, acredita David Justino, são as críticas de Rui Rio ao Governo por ter mantido os aumentos salariais para a função pública. O vice-presidente do PSD garante que não são os valores que estão em causa, mas antes o "simbolismo da decisão".

"O que é importante aqui é o sinal que se está a dar às pessoas e nesse sentido esta discriminação entre setor público e setor privado não deixa de merecer um reparo", argumentou o vice-presidente social-democrata. David Justino diz que "não havia necessidade e lembra "os trabalhadores que estão em lay-off, no desemprego ou em risco de desemprego", sublinhando que "teremos de ser mais solidários nem que seja através de ações simbólicas".

"Não é por causa do dinheiro e do impacto orçamental que possa ter, mas pelo que isso representa. Perante um quadro destes, era uma questão de bom senso e de algum respeito", rematou.

Já Carlos César criticou quem aproveitou o assunto para "demagogias" e afirmou que "o grande desafio com que estamos hoje confrontados não são essas minudências, "mas a reabertura da nossa economia".

"Eu tenho ouvido muita demagogia à volta desse tema. Eu penso que seria a introdução de um fator perturbador e de instabilidade política num setor que não tinha aumentos há nove anos, se optássemos por não manter os aumentos que estavam previstos no orçamento do Estado para vigorar desde janeiro", sustentou o socialista.

O presidente do PS lembra que "não vai haver aumento da função pública em 2021", pelo que "compreende a decisão do governo de manter o que estava determinado no orçamento do Estado" já que o país "ficaria 11 anos sem aumentos na função pública".

No caso dos profissionais da saúde - que por um erro de processamento, não receberam o aumento salarial -, César acredita que "não se trata de nenhuma desconsideração nem de nenhum drama", não deixando, no entanto, de dizer que "o ministério da Saúde há muito sabia que estes aumentos tinham esta complexidade e os respetivos departamentos técnicos deviam estar previamente preparados e habilitados para uma operacionalização rápida no momento em entra em vigor o orçamento do Estado".

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