"Se fizéssemos acordo com o BE, estaríamos a discriminar a restante esquerda"

"Não rejeitámos o entendimento com o BE, optámos por uma das hipóteses que nos foram dadas." Na perspetiva de Carlos César, caso o PS se debruçasse sobre um acordo escrito apenas com o partido de Catarina Martins, seria "uma coligação de interesses contra os outros partidos".

A geringonça está morta e Costa deu o grito do Ipiranga. Pelo menos é o que pensa David Justino, que, no programa Almoços Grátis da TSF, lembrou a "muito interessante" frase do primeiro-ministro no discurso de 6 de outubro. Os braços abertos à esquerda, no entanto, duraram pouco, como frisa o vice-presidente do PSD.

"Não há geringonça nenhuma, acabou a geringonça." O que haverá, portanto, são "combinatórias múltiplas para gerir" de forma a não "trair a vontade do seu eleitorado, que queria continuidade".

Já Carlos César alega que não houve uma rutura do PS com os partidos à sua esquerda, mas que o desafio agora é mais do domínio da "engenharia". Para o líder do PS, o PS escolheu entre duas formas sugeridas pelo Bloco de Esquerda. Entre o acordo escrito e as negociações pontuais, o Partido Socialista recusou o papel e as assinaturas. No entanto, "o BE manifestou o seu empenhamento na estabilidade dos próximos quatro anos".

"Não rejeitámos o entendimento com o BE, optámos por uma das hipóteses que nos foram dadas." Na perspetiva de Carlos César, caso o PS se debruçasse sobre um acordo escrito apenas com o partido de Catarina Martins, "era como se fosse uma coligação de interesses contra os outros partidos". "Se fizéssemos acordo com o BE, estaríamos a discriminar os restantes partidos de esquerda."

David Justino, também ouvido no programa da TSF, fez questão de lembrar ao socialista que o topo da lista das prioridades bloquistas era também incompatível com as ambições do atual Governo, e exemplifica com as mudanças nas leis laborais. "Não colocou apenas isso [no topo da hierarquia]. Havia uma boa parte do programa que iria ser diferenciado", respondeu Carlos César.

"Queremos ter uma relação por igual com os outros partidos", analisa. O líder socialista fez ainda memorando das sugestões do partido liderado por Catarina Martins. Ou um acordo escrito ou um entendimento mais informal, política a política. "Nós optámos por uma das duas soluções, mas estamos disponíveis para colher as sugestões e os reparos, e verificar em comum aspetos do Governo. Todavia, não estamos dispostos a
fazer ao contrário do que sugere o programa eleitoral do PS, porque isso seria uma traição aos portugueses."

Para a preparação do OE, por exemplo, Carlos César não deixa de parte um exame comum desses documentos.

David Justino, no entanto, acredita que há feridas não-cicatrizadas na geringonça e que foram essas feridas a orientar o comportamento. "Se houvesse confiança por parte do PCP e BE, não teria havido esta exigência", garante.

"Proposta", corrige Carlos César. "Retiro exigência. Proposta." Retirou a palavra, mas não a ideia. David Justino salientou a "aparente disponibilidade para negociar mas ao abrigo de limites mais restritos do que anteriormente", já que o PS tem agora um "poder reforçado para dizer que não precisa".

O vice-presidente dos sociais-democratas compreende a "tentação de governar sozinho com acordos pontuais", mas assinala que "aquilo que o PS está a fazer é continuar a fazer navegação à vista". "Não há uma estratégia clara para reformar realmente o país."

"O PS entende que não são necessários processos de reforma, ao contrário do PSD", aproveitou ainda para dizer. Assim, os "problemas vão-se adensando, e depois não há condições políticas para desfazer o
retrocesso", segundo David Justino, que antecipa que o PS se venha a tentar virar para o PSD nas horas mais complicadas.

"O PSD já tem a alcunha de faxineiro do regime e começa a cansar-se disso. Tem sempre de limpar a casa. Ainda a casa não está limpa e o PS já quer entrar novamente", critica. Ainda assim, é certo para o representante social-democrata que "o PSD não se vai pôr de parte em boas medidas para o país".

Carlos César sossega David Justino: "Temos aliados preferenciais no diálogo parlamentar, mas o Parlamento não é metade dos deputados. O PS dependerá também da contribuição do PSD nesta legislatura, mas o diálogo preferencial está definido."

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