"Não tem condições para continuar." Rio defende demissão de Mário Centeno

Líder social-democrata argumenta que o ministro das Finanças já foi criticado publicamente por Marcelo Rebelo de Sousa e não foi leal a António Costa.

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu hoje que o ministro das Finanças "não tem condições para continuar" no Governo, considerando que será uma má decisão se António Costa mantiver "um ministro que não lhe foi leal".

"Se estava mal, com esta prestação na Assembleia da República, Centeno ainda ficou pior. Não tem condições para continuar! Mal vai um primeiro-ministro que mantém um ministro que não lhe foi leal, que tem a crítica pública do Presidente da República, que a bancada do PS não defendeu e que diz ser irresponsável fazer o que o primeiro-ministro anunciou", defendeu Rio, numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter.

Mais tarde, em declarações aos jornalistas no parlamento, Rio defendeu que, caso Mário Centeno não se demita, deve ser Costa a fazê-lo. "Se continua em funções face a tudo o que aconteceu hoje, depois do que se passou no Parlamento e das críticas do Presidente, entendo que aqui já farei um juízo negativo daquilo que é a opção do primeiro-ministro", disse.

Questionado sobre uma eventual demissão do ministro das Finanças nesta altura, em que o país atravessa uma crise devido à pandemia, o presidente do PSD admitiu que "não é desejável", mas justifica: "Foi Mário Centeno que se colocou numa situação insustentável."

"Como líder do maior partido da oposição, considero que o ministro Mário Centeno não tem condições para continuar. Se fosse primeiro-ministro, teria de se demitir ou teria de ser demitido", acrescentou.

Questionado se essa demissão deve acontecer antes do debate, na quinta-feira, do Programa de Estabilidade, Rio remeteu a avaliação do `timing´ para o primeiro-ministro.

No entanto, à pergunta se Mário Centeno terá condições para protagonizar esse debate, o líder do PSD foi claro.

"Eu pessoalmente acho que não tem, mas veremos se ele vem ou não, veremos quem é que o Governo manda amanhã para o Programa de Estabilidade", disse.

Esta quarta-feira, em audição parlamentar, o ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, afirmou que a transferência de 850 milhões de euros para o Fundo de Resolução destinado à recapitalização do Novo Banco não foi feita à revelia do primeiro-ministro.

"Não, não foi à revelia, não há nenhuma decisão do Governo que não passe por uma decisão conjunta do Conselho de Ministros", disse Mário Centeno numa audição regimental da Comissão de Orçamento e Finanças (COF) do parlamento.

Mário Centeno afirmou ainda que "não há transferências nem empréstimos feitos à revelia de ninguém", explicando que "a ficha de apoio ao senhor primeiro-ministro chegou com um par de horas de atraso, e o senhor primeiro-ministro, quando deu a resposta que deu, não tinha à frente dele a informação atualizada".

O Expresso noticiou na quinta-feira que o Fundo de Resolução recebeu mais um empréstimo público no valor de 850 milhões de euros destinado à recapitalização do Novo Banco, horas depois de António Costa ter garantido no debate quinzena que não haveria mais ajudas até que os resultados da auditoria que está a ser feita ao Novo Banco fossem conhecidos.

No dia seguinte, o primeiro-ministro explicou que não foi informado pelo Ministério das Finanças do pagamento de 850 milhões de euros, tendo pedido desculpa ao Bloco de Esquerda pela informação errada transmitida no parlamento.

Em entrevista à TSF, o ministro das Finanças admitiu na terça-feira uma falha de comunicação entre o seu gabinete e o do primeiro-ministro quanto à injeção de capital no Novo Banco, mas "não uma falha financeira", que seria desastrosa.

Hoje, o Presidente da República considerou que o primeiro-ministro "esteve muito bem" ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período 2000-2018.

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