"Nunca como agora os nacionalistas parecem tão estúpidos"

Carlos César sublinha que o atual momento é um desafio para a União Europeia que corre riscos de ser avaliada pelos povos "como projeto sem sentido". Presidente do PS usa exemplo do governo holandês para demonstrar "exemplo dessa estupidez".

É um desafio enorme para a União Europeia que corre sérios riscos nesta altura. Carlos César alerta que se a desunião vingar na União, os povos podem vir a carimbar o projeto europeu como "sem sentido". Até porque, lembra o presidente do PS, a "estupidez" dos nacionalismos está a vir à tona e exemplo disso o episódio com o governo holandês.

"Nunca como agora os nacionalistas parecem tão estúpidos e, nunca como agora, organizações supranacionais eficazes seriam tão necessárias. O que acontece, e se evidenciou, é que o governo holandês, infelizmente, deu o exemplo dessa estupidez e a União Europeia ainda não deu exemplos de eficácia", nota o socialista no programa Almoços Grátis da TSF.

Considerando que o tema da Europa tem de ser trabalhado num plano diferente do que aquele que está a ser seguido, Carlos César lembra que "os países europeus estão muito marcados pela crise de 2008 e anos seguintes" e que, se a União "não for capaz de superar isso, não interessa já como União".

"Será certamente avaliada pelos povos europeus como um projeto sem sentido e sustentabilidade. É um grande desafio para os políticos europeus", antecipa o socialista.

No mesmo programa, o parceiro de conversa David Justino também considera que o desafio é muito grande para a Europa no seu todo, principalmente com a economia em pano de fundo. O vice-presidente do PSD defende que "ou nós conseguimos aliviar a dívida dos países, no caso de Portugal ou Itália, ou se não conseguimos isso, avançamos a passos largos para mais uma crise das dívidas soberanas e é isso que não pode acontecer".

Classificando a atitude de países como a Holanda como "irresponsável" e "egoísta", David Justino defende que estes Estados têm de ser confrontados com esta situação porque "este cenário, a verificar-se, vai atingir todos".

"Este é o maior desafio que se coloca à União neste momento", nota Justino dando os exemplos das outras potências económicas. "Começamos a ver os EUA a tomarem medidas cada vez mais restritivas de maior fechamento na sua própria economia, vemos que a China, superada que está parcialmente a crise sanitária, está através das rotas da seda a avançar claramente com uma capacidade competitiva e de conquista de posições estratégicas em termos comerciais como nunca se viu. Depois vemos a Federação Russa num contexto de saber como é que vai atuar, aproveitando qualquer fragilidade", explica o social-democrata.

Olhando para a Europa, Justino nota que "em vez de termos uma posição relativamente unificada e, acima de tudo, sustentável" os países dividem-se com este tipo de questões. "Isto é insuportável", conclui lembrando que é necessária "alguma capacidade de construir novos instrumentos que consigam superar e preencher os vazios que neste momento existem".

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