Nuno Graciano candidato a Lisboa contra "libertinagem" e "esquerda doentia"

Chega lança-se na corrida autárquica com ex-apresentador de televisão Nuno Graciano. Ponto de partida no Padrão dos Descobrimentos contra "libertinagem" e "esquerda doentia" e aplaudido por largas dezenas de apoiantes.

"Bem-vindo à família". É desta forma que Pedro Pessanha, da distrital lisboeta do Chega, dá as boas-vindas a Nuno Graciano. E a "família" não faltou à chamada para aplaudir o candidato do Chega que foi elogiado por Ventura e que já tem alvos definidos: a "libertinagem" e a "esquerda doentia".

Houve "música épica", o hino nacional, bandeiras de Portugal e do Chega e muita proximidade. Foram largas dezenas de pessoas a juntar-se num pôr-do-sol à beira Tejo, junto ao Padrão dos Descobrimentos, para ouvir as primeiras palavras do agora candidato do Chega à Câmara de Lisboa e que sentiu o ímpeto de "sair do sofá" para combater o discurso de ódio.

E desse discurso de ódio, diz Graciano, já tem para dar e vender. O antigo apresentador televisivo diz que desde que foi conhecida a intenção de avançar pelo Chega à autarquia de Lisboa, ele e os filhos têm sido "martirizados" com mensagens e com a frase "Graciano bom é Graciano morto".

"Sexta foi lançado o meu nome, ainda não abri a boca e neste momento os meus filhos e eu fomos tão martirizados que pergunto onde está a democracia. Isto é que é a democracia?", questiona Graciano apontando o alvo em seguida: a esquerda.

"Há uma esquerda doentia, absolutamente doentia, neste país que não nos permite falar, que nos quer vergar, que não quer que nós digamos as nossas opiniões pelo facto de sermos diferentes", atacou Graciano multiplicando as palmas da assistência.

Lembrando uma entrevista que deu há uns anos a Rui Unas, Graciano endereçou o tema sem ninguém perguntar pois, na altura, disse que "o principal inimigo da democracia era a própria democracia". Aquilo que defende é que a "liberdade não é a mesma coisa que libertinagem" e que ele é defensor da democracia, "mas não da libertinagem".

E o que é para ele "libertinagem"? É, por exemplo, "haver um hashtag Graciano bom é Graciano morto", e "o excesso de liberdade que é dado às pessoas que destilam ódio esquecendo-se que do outro lado está um ser humano".

É contra isso que ele se candidata pelo Chega, um espaço de democracia: "ao contrário do que todos possam imaginar, foi a primeira grande lição no Chega, foi a democracia, pensar pela minha cabeça, ter a minha opinião e dizer aquilo que quero e me apetece".

Minorias? Quais minorias?

Num discurso onde as ideias para a cidade de Lisboa ainda não foram tema porque "haverá tempo" e ainda se está a inteirar dos dossiers, Nuno Graciano também abordou uma questão polémica no Chega: as minorias.

E aí também foi claro: "Somos todos iguais, desde que cumpramos com as nossas obrigações, somos todos iguais. Sou a favor de todas as minorias, nem vejo nem sei o que são minorias, desde que todos os cidadãos cumpram com regras patrióticas do nosso país", declarou o candidato à Câmara de Lisboa.>

Já sobre a pena de morte, Graciano sublinha que a defendeu "no calor da paternidade", numa entrevista ao Diário de Notícias, mas sublinhando que seria apenas para pedófilos. Desta vez, quando questionado, diz que se "referiu enquanto pai" e que, enquanto político, escuda-se na posição oficial do partido.

Ventura com farpas a Medina e a Moedas

Antes de Graciano, foi a vez de André Ventura elogiar aquele que considera ser um "lutador", alguém que "sabe que estar em cima pode ser uma passagem para poder estar em baixo". "É alguém que sabe que se não lutarmos ninguém nos dá nada. O Nuno é o símbolo daquilo que somos e queremos ser, um partido que nunca se resigna", destacou o presidente do partido que agora se lança na corrida autárquica.

E ao mesmo tempo que, não muito longe, num hotel em Alcântara, Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos firmavam o acordo para as coligações autárquicas, André Ventura não se esqueceu deles, mas sem os mencionar.

"Tornámo-nos a força mais incómoda para o poder em Portugal. E aqui na Câmara de Lisboa, onde tinham pensado que nos isolavam, onde tinham pensado que nos deixariam fora da solução de disputa com um candidato que mais não tem feito do que destruir a cidade, como é o caso de Fernando Medina, e com outro candidato que daria para gerente de um banco, mas nunca para gerente da cidade de Lisboa", atirou Ventura referindo-se a Carlos Moedas.

Daí a conclusão de Ventura: "Eis que apresentámos uma candidatura forte, firme e de valores".

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