O hino gravado três vezes pela mesma cantora

A autoria de Avante Camarada! é do compositor e intérprete português Luís Cília, que a compôs durante o exílio em Paris em 1967, explicitamente destinada a ser transmitida pela Rádio Portugal Livre, uma emissora de onda curta que o PCP criou na clandestinidade para fazer chegar a território nacional a sua voz, proibida pelo Estado Novo.

A canção foi na altura incluída no disco "Canções Portuguesas", interpretadas por Luísa Basto, acompanhada pela orquestra Ecran Azul, e editado em Moscovo pela editora Melodia em 1967. Segundo um texto de Ruben de Carvalho, que estou a citar, publicado no sítio da Internet do PCP, esta primeira versão do Avante Camarada! foi frequentemente transmitida pela Rádio Portugal Livre e foi assim que se tornou conhecida em Portugal, sendo nas vésperas do 25 de Abril de 1974 um dos mais populares temas cantados pelos que resistiam ao fascismo. Após a Revolução dos Cravos, Luísa Basto, regressada a Portugal, gravou uma nova versão para a editora Sassetti, com arranjos e direção de Pedro Osório, refletindo claramente a sonoridade das baladas que haviam celebrizado o programa televisivo "Zip Zip". Seria o mesmo maestro Pedro Osório que, tal como para versão de A Internacional que já apresentei nesta série sobre as músicas dos partidos, realizaria os novos arranjos da gravação de 1981, imprimindo entusiasmo e alegria à marcha triunfante, que passou a ser adotada como um dos hinos do PCP.

A letra do Avante Camarada! fala da resistência e da luta do clandestino, da esperança dos que estão prisioneiros ou dos que estão sujeitos à opressão, da alegria que está para chegar.

É um hino de resistência ao fascismo e um hino de crença num futuro melhor, onde se diz: "Ergue da noite, clandestino,/ luz do dia a felicidade/Que o novo sol vai nascendo/Em nossas vozes vai crescendo/Um novo hino à liberdade".

Nessa gravação de 1981 está uma orquestra de 25 figuras e as vozes de Luísa Basto, Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, Fernando Tordo, Maria do Amparo, Samuel e do próprio Pedro Osório. O baixista é, surpreendentemente, o ator Herman José.

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