PAN critica "regime de exceção" para setor tauromáquico e quer mais fiscalização

Inês Sousa Real acusou o governo de uma "total incoerência nos critérios" aplicados a atividades culturais e desportivas.

O PAN criticou esta quarta-feira o que considerou ser um "regime de exceção" para o setor tauromáquico, apontando falhas na fiscalização do cumprimento de regras destes eventos e lamentando que atividades como o futebol não possam ter público.

Na declaração política do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), feita esta tarde na Assembleia da República, Inês Sousa Real acusou o governo de uma "total incoerência nos critérios" aplicados a atividades culturais e desportivas, nomeadamente no setor tauromáquico.

Segurando uma fotografia autenticada pelo programa televisivo "Polígrafo", de uma praça de touros praticamente cheia, no passado dia 26 de setembro, em Santarém, Inês Sousa Real criticou a falta de fiscalização no setor, alegando que as regras de distanciamento foram "ignoradas" tendo sido feito "o oposto do que se exige".

"Para o Governo e a DGS [Direção-Geral da Saúde], do público do futebol, espera-se um comportamento indisciplinado, de gente que não se sabe comportar. Mas pasmem-se já nas touradas, essa atividade anacrónica, o governo já considera que o público se vá comportar como um autêntico anjinho", ironizou a deputada.

Acusando o setor tauromáquico de gozar de "um estatuto de autêntica impunidade", o PAN considerou que os deputados da Assembleia da República têm "fechado os olhos" ao "sofrimento animal" e às "inúmeras irregularidades do setor", fechando-os agora "à saúde, valor que tanto se falou durante esta crise sanitária".

"Se a tauromaquia já não devia ter lugar num contexto de normalidade sanitária, muito menos tem num contexto como aquele que vivemos, em que a sociedade é obrigada a enormes sacrifícios e privações, em que os cidadãos e cidadãs são privados de levarem as suas vidas com normalidade e os profissionais de saúde a serem expostos a um desgaste acrescido", rematou.

Confessando até ser contra touradas, o deputado socialista Eduardo Barroco de Melo frisou que o que estava em debate não era a atividade em si, mas as regras para eventos desportivos e culturais, defendendo a estratégia adotada pelo governo.

Para o PS, esta tem sido uma "posição responsável", permitindo um regresso gradual aos eventos desportivos e culturais sem ignorar as dificuldades que são colocadas a várias entidades culturais ou instituições desportivas.

Fernanda Velez (PSD) caracterizou de "doentia" a "obsessão" do PAN pelas touradas, contrapondo que a fotografia em causa não é deste ano e defendendo que a abertura de eventos desportivos e culturais deve ser feita sem exceções e com respeito pelas regras.

À direita, Ana Rita Bessa (CDS) confessou que "este assunto já cansa", argumentando que o setor tauromáquico negociou as regras de funcionamento com a DGS, e à esquerda, Paula Santos (PCP) lembrou a importância das atividades culturais e desportivas para a saúde mental da população, respeitando as regras sanitárias.

De acordo com as regras discutidas entre a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) e a DGS, em eventos tauromáquicos, "deve ser garantida a existência de um lugar de intervalo entre cada lugar ocupado [exceto se coabitantes], cumprindo sempre que possível o distanciamento de um metro entre cada pessoa, na mesma fila", o que na prática resulta na possibilidade de ocupação das praças em cerca de metade da lotação habitual.

O documento publicado no site do IGAC adverte, no entanto, que "nas praças onde a distância entre filas é inferior a 80 centímetros [referindo-se ao espaço do assento] deve ser garantida uma fila livre [sem ocupação] entre cada fila ocupada".

É igualmente obrigatória a realização de testes ao novo coronavírus aos forcados, com uma antecedência de 36 horas.

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