"Passos ganhou, Rio defendeu que devia sair. Agora que perdeu, o que tem a dizer?"

As divergências dentro do PSD sobre o futuro do partido estiveram em evidência no Fórum TSF. Teresa Morais e Paulo Cunha foram uníssonos em frisar o "mandato infeliz" de Rui Rio. Matos Rosa quer Miguel Pinto Luz como candidato.

"Agora, sim, Costa ganhou as eleições", afirma Teresa Morais. E deixa a reflexão: "Passos Coelho ganhou as eleições de 2015. Rio defendeu que Passos deveria sair. Agora que ele perdeu, o que tem a dizer?"

A crise de sucessão no PSD esteve em foco no Fórum TSF desta quinta-feira, com Salvador Malheiro, presidente da câmara de Ovar, a defender o desempenho de Rui Rio, Paulo Cunha, da concelhia de Famalicão, a apontar Luís Montenegro como o melhor para seguir-se ao atual líder dos laranjas, e Teresa Morais, a deixar as críticas mais acérrimas à direção atual do partido.

"Este não é o meu PSD, nem de muitos militantes e simpatizantes"

Teresa Morais, ex-secretária de Estado da Igualdade, fala, em declarações à TSF, de uma "enorme desilusão", que é extensível aos amigos de décadas e que também "ficaram frustrados com o mandato de Rui Rio".

A também ex-ministra da Cultura lembra que não apoiou o atual presidente do PSD e acredita que "o doutor Rui Rio teve a sua oportunidade durante dois anos". Este período foi, para Teresa Morais, marcado por atitudes negativas de Rio, acusado no Fórum TSF de ter "hostilizado, ostracizado e silenciado os militantes" do seu partido.

A social-democrata que esteve ligada à governação de Passos Coelho aponta mesmo que Rui Rio "convidou quem não concordava com ele a sair", pelo que "o partido foi-se afunilando". Aliás, Teresa Morais afirma que ouviu Rio a responder a um militante que "achava até preferível que alguns saíssem para que o partido ficasse mais homogéneo".

A ex-secretária de Estado não quer uma força política "ideologicamente depurada". "Este não é o meu PSD, nem de muitos militantes e simpatizantes." Teresa Morais tece críticas à ausência de "pluralismo e pessoas de diferentes ideias que colaboram quando preciso" com esta atual direção, que se ocupa de "excluir, subtrair, diminuir".

"E o resultado está à vista", concretiza, enquanto descreve uma situação de "lealdade" que permitiu que os resultados de 6 de outubro não fossem mais preocupantes. "Muitos votaram PSD por lealdade, por não conseguirem desvirtuar o seu partido."

É "extraordinário que o PSD" continue à espera de "estender a mão ao PS"

Teresa Morais acusa ainda Rio de estar à espera do equilíbrio de forças conseguido através dos acordos de Costa com os restantes partidos para decidir o que fazer. A ex-secretária de Estado diz ser "extraordinário que o PSD" continue à espera de "estender a mão ao Partido Socialista", depois de tentativas de construir "pactos sobre descentralização e fundos, que não deram em nada".

Quanto à possibilidade de o PSD conseguir acordar propostas estruturais com o Partido Socialista, Teresa Morais está certa de que o PS "deixará o PSD a falar sozinho". A social-democrata assinala que Rio "não tem agenda nem estratégia própria" e alvitra que "para isso bastam os partidos de esquerda, que já estão à espera do PS".

Teresa Morais considera ser "muito pouco" para o PSD admitir ser um ator coadjuvante em detrimento de se fortalecer enquanto a alternativa de oposição.

"Só poderia acabar nesta derrota, que Rui Rio lamentavelmente festejou, como se de uma vitória se tratasse", vinca a ex-ministra sobre um "mandato extremamente infeliz".

Para o futuro, Teresa Morais salienta que o "PSD deve clarificar para onde quer ir nos próximos tempos", e que, apesar de ainda estar a "lamber as feridas", Luís Montenegro é um candidato ideal, porque sempre lhe viu, ao longo dos 17 anos de convivência, "competência, inteligência, capacidade de ouvir e agregar e combatividade".

"O doutor Rui Rio, ao longo dos dois anos, não conseguiu unir o partido"

Paulo Cunha, ouvido no Fórum TSF, considerou vital "reganhar a centralidade nacional para o partido".

Luís Montenegro encarna, por isso, a "liderança governativa mais ajustada", de acordo com o social-democrata, que deixa severas críticas à condução do portuense Rui Rio: "O doutor Rui Rio, ao longo dos dois anos, foi um líder que não conseguiu unir o partido, foi um líder de rutura."

Os líderes dos partidos avaliam-se pelos resultados eleitorais, afirma Paulo Cunha. O representante em Famalicão considera, por isso, que o atual líder "não está preparado nem em condições de assumir a liderança do partido". Por outro lado, Montenegro já demonstrou "a pretensão e vocação de unir o partido", concretiza.

De acordo com Paulo Cunha, falta ao PSD um núcleo mais unido, e este partido só ganhará no país se começar de dentro. O representante da concelhia de Famalicão argumenta que Rio "sempre disse que os militantes não eram uma condição essencial".

Quanto ao tempo de ponderação do líder do PSD, Paulo Cunha considera "legítimo" respeitar o seu ritmo de decisão.

Miguel Pinto Luz na corrida?

José Matos Rosa, ex-secretário-geral do PSD, olha para os resultados das Legislativas como uma "derrota de todos os militantes". "Não há derrotas pequenas nem grandes, há derrotas", vinca mesmo.

Com o surgimento dos novos partidos, Matos Rosa considera ser fundamental pensar em "grandes mudanças". O PSD "tem de ter um programa inovador que combata o projeto socialista", argumenta.

O ex-dirigente do partido lança uma questão para resolver o impasse na liderança do partido: "Quem está mais bem colocado e é mais reconhecido, até internacionalmente, do que Miguel Pinto Luz?"

Trata-se do vice-presidente da câmara de Cascais, e José Matos Rosa salienta-lhe a "experiência como autarca" para "saber reinventar" o partido, num momento em que todos "deveriam estar unidos".

Matos Rosa apela, por isso, a uma candidatura de Pinto Luz. "Eu serei apoiante e, naquilo em que o puder influenciar, para se candidatar, assim farei."

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